Vinte Linhas 704

Ricardo Serrado – um historiador para quem o Sporting não existe

Este livro («Futebol – a magia para além do jogo») começa com um problema técnico: alguém se esqueceu de dar os respectivos números às páginas entre a 5 e a 16. Estão em branco. Outro problema é que para o autor os sete maiores jogadores do Mundo são: Zidane, Michael Laudrup, Le Tissier, Maradona, Pelé, Messi e Roberto Baggio. Na página 45 refere Chalana como o mais genial e na contracapa diz que Eusébio é o maior. Como nasceu em 1980 nunca ouviu falar de Peyroteo nem de Matateu nem, muito menos, de Travassos, o primeiro português a jogar na selecção da Europa. Mas anuncia o seu livro como «uma reflexão» embora depois explique que foi «escrito com o coração» e o proclame «sério, rigoroso e honesto». O autor não deve ter lido «Glória e vida de três gigantes» de 1995 (edição A Bola) pois assim saberia que, ao contrário do que diz no seu livro nas páginas 119 e 140, houve muito mais do que Benfica e Selecção Nacional na década de 60 em Portugal. Houve o Sporting Clube de Portugal que conquistou contra o MTK da Hungria a Taça das Taças em 1964, numa epopeia de 12 jogos (contra Atalanta, Apoel e Lyon) na qual impôs uma derrota ao Manchester United por 5-0. A prova, iniciada em 1960-1961, foi disputada até 1997-1998 e teve como vencedores equipas como o Barcelona, o Arsenal, o Chelsea, o Ajax, o Bayern de Munique, a Juventus e o Manchester United – entre outras. Há deslizes de escrita como na página 45 («É preciso duas coisas») ou na página 85 («A língua oficial é o inglês e o francês») mas o maior deslize será quando refere o ano da fundação do SLB: «quem fez do futebol um dos efes da sociedade portuguesa da altura foi o povo (concomitantemente desde 1908) que via naquela modalidade um enorme entretenimento e uma busca de excitação sistemática.» Ora bolas!

17 thoughts on “Vinte Linhas 704”

  1. avaliando pelo que escreveste tamém se esqueceu do belenenses e do estacionamento no bairro alto, para falar só das coisas que me chateiam. se fosses afagar as micoses para o banco dos reformados no alvaláxia, em vez de vir pr’áqui debitar nomes e datas em forma de crítica literária, ficavas melhor encaixilhado e disfarçavas o adn parolo das berças.

  2. Ó animal, as coisas que te chateiam só a ti dizem respeito. O Blog nada tem a ver com isso. Quanto ao «parolo» é mesmo o que tu és, sem a mínima noção do espaço mais que mínimo que ocupas no nosso Mundo. Nem sequer chegas ao zero – és menos que um zero.

  3. Quando falas de futebol raramente concordo contigo, por uma razão simples: eu gosto do Benfica, tu odeias o Benfica.

    Mas neste caso dou-te razão.

    São ncongruências atrás de incongruências.

    Amadorismo de historiador.

    Se o autor fala de magia, faltam muitos artistas da nossa língua, campeões do mundo como o Mané Garrincha, Romário, Zico, etc.

  4. para o poetastro,lagarto e mal educado jcf, é correcto dizer-se «É preciso duas coisas» como o é ‘arrenda-se andares’.desculpe a (in)corecção!

  5. Até quando não se concorda é preciso respeitar o outro – coisa que o «sapo cocas» não faz. Esta de falar do Paulinha Cascavel é de malucos. É uma javardice que nem eu nem o autor do livro merecemos.

  6. realmente tens uma grande autoridade moral e um grande passado de respeito por opiniões diferentes da tua, é só conferir acima o azedume que bolsas quando a conversa não te agrada. né? oh parolo da benedita.

  7. Ó meu cabeça de alho chocho, eu por acaso até era fã do Paulinho Cascavel. A tua reacção intempestiva parece dum lampião de Ranhados.

  8. Outra coisa: o autor chama Albinoni Tomasso ao compositor Tomaso Albinoni. Na página 12 diz que o futebol moderno nasceu em 1863 quando nesse ano foram criadas a regras da Associação de Futebol. Na página 71 escreve que Platini e Boniek «era» os estrangeiros em vez de «eram». Na página 33 surge a expressão «sou um historiador especializado» mas nada se refere no livro à obra de historiadores como Cândido de Oliveira, Ricardo Ornelas, Homero Serpa, António Simões, Noronha Feio sem esquecer jornalistas e escritores como Albert Camus, Ruy Belo, Carlos Pinhão, Vítor Santos, Aurélio Márcio, Alfredo Farinha, Carlos Miranda – entre outros. Quanto a Álvaro Magalhães que é referido inúmeras vezes como autor da História Natural do Futebol mas o poema de Ivone Chinita abundantemente citado nesse livro foi retirado do meu livro «O Desporto na Poesia Portuguesa» editado em 1989. Também escolhi um poema de Álvaro Magalhães intitulado «A água milagrosa do massagista», daí ele ter conhecido o poema de Ivone Chinita.

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