Vinte Linhas 677

Um poema de Maria Valupi em 1979

Há quem diga que o acaso não existe. Trata-se de uma questão sobre a qual nunca se chega a uma conclusão definitiva; nesse tema tudo é precário. Mas a verdade é só uma: outro dia andava na Faculdade de Letras a fazer tempo para uma sessão do Congresso de Manuel da Fonseca quando descobri uma Feira do Livro ali no corredor. Palavra puxa palavra percebo que o jovem encarregado do «estaminé» é filho de um casal – são dois escritores portugueses muito importantes e revelados nos anos 60. Vejo uma revista (Sema) com data de 1979 – Outono e que custava ao tempo 120 escudos. Não hesitei e comprei de imediato. Ao lado de poemas de António Osório surgem três poemas de Maria Valupi. Vamos ao poema escolhido:

«Eu vim depois dos mortos

que não estão imóveis,

dos náufragos itinerantes

de rosto e gesto tonto

que a água dos meus olhos

também guarda.

Eu vim depois dos puros,

dos fortes e dos exangues

– falsamente pálidos –

que no meu sangue aquecem.

Esses têm o meu amor

que não quer ser amado.»

(Recolhido e divulgado por José do Carmo Francisco)

15 thoughts on “Vinte Linhas 677”

  1. Morte, sangue, fatalidades. É o que a vida tem demais.
    Por falar em morte. Morreu um conhecido meu ainda por cima judeu. Os judeus diz-se não dão nada a ninguém. Este que eu conheci nem sequer um peido dava. Mas ao morrer foi obrigado a dar algo:

    O avarento Tadeu
    não dá seja o que for,
    somente quando morreu
    deu a alma ao criador!

    TODA A GENTE DEPOIS DE MORRER É VIRTUOSA. NINGUÉM TEM DEFEITOS.

    Por exemplo D. Amália era a maior, ninguém lhe aponta o mínimo defeito. Virá a ser canonizada?

    Quando cantava seus fados
    os puns da Dona Amália
    saíam tão perfumados
    como as rosas d’Itália!

    E uma das piores mortes é, por exemplo, um sujeito morrer enforcado. Não sei se já experimentaram.

    O pobre do enforcado
    teve uma morte santa,
    faltou o ar ao coitado
    tinha um nó na garganta!

  2. Oh Vate Embora e Jonas Nogueira vocês comam onde quiserem e como quiserem que eu não sou para aí metido.

    Vocês são DESCARADOS ou DES… CU… RADOS?

    Com um ar de descarado
    disse o homossexual,
    queria ser enterrado,
    nas traseiras, no quintal!

    Mas para vos informar eu nem sequer sei a minha idade nem a terra onde nasci:

    Quem não sabe a idade
    nem a terra onde nasceu,
    são ossos da mocidade,
    mas quem tem terra sou eu!

    E para além disso prefiro o sexo feminino. E se não encontrar quem me queira…

    Será que não há mulher
    para este homem puro?
    então, se ninguém me quer,
    isto continua duro!

    Até à próxima.

  3. Ó maluco são dois escritores portugueses – a mãe e o pai. Julgas que eu ia dizer os nomes dos dois? Podes esperar sentado…

  4. Olinda como sabes a escolha de um poema entre três depende das circunstâncias e elas mudam de dia para dia. Quando andei pelos corredores da Faculdade de Letras e descobri essa revista de 1979 escolhi logo o poema talvez pela dimensão – não pela qualidade que é uniforme…

  5. este poeta da treta é o maior, perguntado sobre alhos, responde caralhos. ninguém quer saber nomes, só fiquei surpreendido por o jovem ser filho do casal e não da famel.

  6. Há tempos fui visitar um amigo ao Júlio de Matos. A certa altura apontou para o edifício em frente e disse: estás a ver, ali é o pavilhão dos malucos.

  7. Tu não podes ser o Dédé do Pinheiro da Cruz, pois não??? Ainda se fala dos colchões queimados – mas deve ser outro…

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