Vinte Linhas 672

Dissertação breve para uma cidade – dormitório

Alain Carron desenhou um quadro insólito com estes dois inesperados prédios de uma cidade – dormitório, algures na periferia de uma cidade – capital, um lugar escuro e frio onde não apetece viver mas as diversas circunstâncias a isso obrigam. O pintor soube transfigurar a realidade e fez dos prédios móveis de madeira e das varandas gavetas onde todos os habitantes são arrumados.

E quando não são gavetas são pequenas camas onde os cansados trabalhadores dos escritórios da cidade (bancos, seguros, transportes, comércio, turismo) são colocados cheios de sono pouco tempo depois de chegarem à periferia nos cansativos comboios suburbanos, tão cansados como nos outros da sua viagem da manhã.

O quotidiano desta gente que trabalha e paga impostos é organizado, desde a manhã à noite, em gavetas diversas: o comboio tem uma carruagem – gaveta, os escritórios são povoados por ficheiros e gavetas, o regresso ao fim da tarde à cidade – dormitório faz-se num comboio de dois andares, qual gaveta gigante. O prédio é (já o sabemos) um móvel absurdo cheio de gavetas no lugar que era antes das varandas.

Não há tempo para nada fora da exigência da normalidade: nem sorrisos nem canções, nem flores nem alegria. Como num palco onde o ponto não deixa sair o actor das margens das falas da peça, o homem e a mulher desta cidade dormitório cumprem os dois um ritual de aceitação, nunca de revolta contra a política das altas rendas de casa no centro da cidade – capital que aos poucos os foram expulsando para a cidade – dormitório onde os prédios são móveis de madeira e as varandas são gavetas. Como no quadro de Alain Carron.

11 thoughts on “Vinte Linhas 672”

  1. “…onde os cansados trabalhadores dos escritórios da cidade (bancos, seguros, transportes, comércio, turismo)…”

    cansados? só se for de não fazer nada. tá bom de ver que nunca fizeste nada na vida e viveste sempre encostado. tadinhos dos trabalhadores do comércio que são os maiores contribuintes de impostos.

    és mesmo parolo e não resistes a actos primitivos como esta interpretação/fusão do discurso do coelho com o quadro do carron. mais uma vez publicidade encapotada aos teus amigos da galdéria allarves, um centro cultural à dimensão do teu cérebro. mudó- disco-e-toca-o-mesmo.

    http://allartsgallery.com/pt-PT/artistas/110-alain-carron/quadros

  2. Este não seria o pintor que também pintou Ana?

    O pintor que pintou Ana
    pintou também Leonor,
    pintou a cona da mãe
    com tinta da mesma cor!

    A mim também já me chamaram pintor:

    Já me chamaram “pintor”
    mas quem assim procedeu,
    ‘té “pinta” muito melhor
    mente muito mais que eu!

    Também eu jcfrancisco, já nasci cansado. E cansado tenho vivido até agora:

    Hoje estou com cinquenta
    e não sei o que vou ser,
    nesta vida fedorenta,
    um dia quando crescer!

  3. Alarve anónimo és tu – grande palhaço, coirão, besta quadrada. Tentas medir os outros por aquilo que és, grande cavalgadura!

  4. tá bem abelha. vou assumir que sou do algarve e dar de barato que acumulo com as fantasias de palhaço, coirão, besta2 e cavalgadura de grandes proporções. agora usando os mesmos critérios de avaliação, explica lá como devo classificar a tua obsessão pela allarts e respectivas naifadas, se não é publicidade a troco de gancho, é o quê? tadinho do xóriço, cristalizou na bonecada a duas dimensões e a perspectiva fica-se por uns croquetes à borliú. a miséria dos teus textos, a falta de ideias, chavões, broches poéticos e a autoproclamada infoexclusão dão direito a coisas destas que passam despercebidas ou ninguém comenta por pudor:

    “Já o teu blog com poemas igualmente péssimos está, para todos os efeitos, publicado e aberto ao mundo, com milhares de milhões de leitores potenciais. Foste mais longe que a tua tia-avó, graças à tecnologia. Tirando que ninguém o lê, ninguém o vai preservar quando te fartares ou morreres, e ninguém o vai descobrir numa gaveta, porque quando desaparecer, é como se nunca tivesse existido.” o futuro é 404, vega 9000

  5. Não é nada disso ó parvo! Eu chamo-te burro a ti porque a ti não autorizo nada, nem sequer uma «citação». Tu não mereces nada nem as três refeições diárias. És repelente, reles e miserável. Deixa o «vega» em paz e a mim também. Vai para a tua rua!

  6. Tu és um verme e os vermes não sabem o que é desconfiar. Eu disse e repito que de ti não aceito nada. Nem citações de outras origens. Ponto final…

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