Vinte Linhas 650

A Incrível Almadense em «Alfacinhas» de Alfredo de Mesquita

(texto dedicado a Luís Eme)

Alfredo de Mesquita (1871-1931) foi um jornalista muito conhecido e respeitado no seu tempo: escreveu nas revistas «Ocidente», «António Maria» e «A Paródia» e nos jornais «O Nacional», «Democracia Portuguesa», «Portugal», «Jornal do Comércio» e «Diário de Notícias». Natural de Angra do Heroísmo, foi diplomata em várias cidades como Roma e Hamburgo vindo a falecer em Paris. Um dos seus livros mais conhecidos é «Alfacinhas» e aqui registamos uma citação sobre as Filarmónicas:

«Existe na Outra Banda uma filarmónica que se chama a Incrível Almadense. Bem posto nome! Mas o exclusivo de incrível que essa se arrogou e que hoje já ninguém lhe contesta é que não tem razão de ser: porque incríveis são, em boa verdade, todas as filarmónicas de Portugal. Incríveis por tudo aquilo que nelas há de força de vontade, de obediência ao lamiré, de sentimento do compasso, da pertinácia do ensaio, da afinação e variado reportório. À frente da filarmónica, quando ela passa em alas, de calça branca vincada, cabeça alta, lira de oiro no boné de pala, pimpante e reluzente, só deixa o preconceito que corra a garotada expansiva, pulando de contente. Mas atrás da filarmónica todos nós corremos e vamos para onde ela for, sob o céu azul e o dardejante sol, entre explosões de bombas, risadas de foguetes, estoiros de morteiros – para a romaria e para o facto histórico, para a procissão e para os toiros, para o bodo e para a representação nacional, para o baile campestre e para a reivindicação. E isto hoje, ontem, amanhã e sempre! Sempre – não! Porque lá vem um dia em que em vez de sermos nós que vamos atrás da filarmónica, é ela, a filarmónica, que vai atrás de nós a soluçar Chopin…» – fim de citação

19 thoughts on “Vinte Linhas 650”

  1. Para Luís Eme e para o seu Largo da Memória, se me permite associar-me, e para o familiar de jcf que foi filarmónico de fama e já tocou aqui no AspirinaB

    Nos meus sitios as bandas não tinham nome, dizíamos “A Música” e depois juntávamos-lhe o nome da terra “a música de Custoias” “a música de Numão” ” a música de Nagoselo” e outras mais, mas nem todas as terras tinham música, era caro comprar os instrumentos, uma data deles, manter aberta a casa dos ensaios e pagar mensalmente
    ao “mestre” , era muita despesa e a receita curta, parece agora, o tempo também não ia para festas..
    Eu gostava que as “Músicas” que conheci e que ainda tenho no ouvido se chamassem todas “Incríveis”, “Instrução e Recreio” também servia, “Euterpe”, mais pomposo ainda, mas do que eu gostava mesmo era de ouvir a Música de Custoias, amanhã bem cedinho, na sua passagem pelos Pereiros, a caminho da Senhora da Lapa, no Souto, mandava a tradição que dessem a volta ao povo a tocar e que os lavradores mais abastados lhes oferecessem quanto vinho quisessem beber e qualquer coisa para fazer boca.
    Via linda a marcha de Almadanim !
    Jnascimento

  2. Manuel Pacheco:
    Banda que se preze não pode tocar sentada, tem que tocar marchas e desafinar nos agudos. De pé !
    A sua é uma orquestra !
    Jnascimento

  3. moral da estória, a incrível bandalheira da filomena mónica vai fazer companhia ao chopin na misericórdia. és um idiota perfeito, copia e pasta de uma porra escrita há 100 anos sobre uma associação que tem 160 de história, com dedicatória a um devoto. oh pá! se te desses ao trabalho de ir ao site da almadense, ias descobrir que aquilo é incrível demais para a tua camioneta. vê lá se arranjas um artigo do camões sobre o colombo da sonae.

  4. Jnasciemnto:
    Concordo com o seu ponto de vista. Banda como a de Freamunde no Norte há bastantes (consultar) estão consideradas no grupo das filarmónicas, umas são consideradas assim, outras musicais, a da minha terra durante mais de cento e cinquenta anos era chamada Banda Filarmónica de Freamunde, há cerca de dez anos passou a ser Banda Musical de Freamunde por causa do estatuto de Utilidade Pública. As que refere que tem de tocar em pé e os agudos desafinados chamamos-lhe Charangas.
    Um abraço

  5. Anónimo:
    Será que você não podia ouvir a Banda de Feamunde que M.Pacheco nos oferece ou a Incrível demais ou outra Euterpe qualquer ?
    Ouça que lava a alma !
    Jnascimento

  6. gostei muito, Manel, até o meu bacalhau gratinado balançou naquela parte: nanaaaa, nananananananana – nanaaaa, nanananananana-nanana-nanana-nananananaaaa. :-)

  7. ao contrário do que o anónimo do costume sugere, a Incrível Almadense, a Catedral do Associativismo Almadense, no alto dos seus quase 163 anos de vida, agradece a lembrança do JCF e abraça todas as bandas filarmónicas deste país, que sobrevivem graças à carolice dos seus músicos e dirigentes.

    e claro, também agradeço a dedicatória e deixo um abraço ao JCF.

  8. oh agraciado da treta! não sugeri, constatei o facto do poeta da treta querer promover-se à sombra do despropósito alfredo mesquita. lês mal e compreendes pior, o que não é surpreendente em devotos do s. francisco do c. já agora que falas em nome da incrível, deves ter procuração para comparar a almadense com as charangas touriga nacional ou será fetiche com as majorettes dos biombos, mix de bimbo com bombo em linguagem de bécula.

  9. não costumo responder a gente parva, mas como hoje é feriado, digo-te, que se há alguém que precisa de óculos és tu, que lês tudo de esguelha, e sempre para o lado pior de qualquer ser humano.

    deves ser uma alminha muito frustrada para estar sempre à espera das crónicas ou poemas do JCF, para te atirar às suas pernas como qualquer cachorro mal amado, que finge estar sedento de biqueiradas.

  10. pois, fazias melhor figura se não abrisses excepção ao feriado. resposta nicles, argumento picles e racíocinio batatóide, tipo poeta da casa que responde ás criticas com má educação, mas explicares porque é que falas em nome da incrível, tá quieto, se calhar nem cotas pagas.

  11. pois é, se te desses ao trabalho de ir ao site da Incrível (em vez de mandares lá os outros…), que até informa quem são os seus corpos gerentes, sabias porque razão tenho legitimidade para falar em nome da Incrível Almadense.

  12. não acredito que tenhas sido eleito para pores a almadense ao nível das bandalheiras filarmónicas, mas enfim, não se pode ser muito exigente com o voluntarismo, nem pedir muito a amadores profissionais.

  13. Afinal eu tinha razão em dedicar a citação e o enquadramento do texto a Luis Eme – por todas as razões e mais uma. Um abraço do Oeste para Almada!

  14. o artolas ficou eufórico com a possibilidade de facturar à pála da incrível e põe-se à janela a distribuir abraços ao povo de almada.

  15. oh xico! não foi o teu camarada eme que virou coqueluche com umas peixeiradas jornalísticas amanhadas contra o bochechas?

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