Vinte Linhas 582

Nelson Rodrigues – A aridez de três desertos em Drummond

As recentes mortes de muitos brasileiros na zona da chamada «serra» do Rio de Janeiro trouxeram à minha memória a vida de Nelson Rodrigues (1912-1980) e a morte de seu irmão Paulo Rodrigues. Corria o ano de 1967, era o dia 21 de Fevereiro, a chuva não parava. Um ano antes o Rio fora castigado por uma chuva parecida. Morros desabaram, morreu gente, a praça da Bandeira tinha mais água que a lagoa. Agora era pior. O telefone tocou na casa de Nelson, era a sua irmã Helena a dizer «O prédio de Paulinho desabou!» mas felizmente quem atendeu foi Lúcia que logo pediu instruções ao médico de Nelson, o doutor Silva Borges. A chuva originou vinte mil desalojados e perto de quinhentos mortos. A casa onde morreram os cinco (Paulo, Natália, os dois filhos e a sogra) pareceu ao único sobrevivente (João, amigo dum filho) o último a cair num dominó macabro. Paulo era tratado pelos irmãos mais velhos como um «filho», era tímido e modesto mas estava a criar uma obra: os seus livros traziam prefácios de Álvaro Moreyra, Jorge Amado, Adónias Filho, António Olinto e Carlos Heitor Cony. Paulo tinha dedicado o seu mais recente livro «O sétimo dia» a Carlos Drummond de Andrade mas o poeta «nacional» quando escreveu sobre a tragédia das Laranjeiras deveria ter escrito uma série de «verdades jamais concebidas». Mas não, não disse essas verdades que Nelson esperava. Ou seja «Pôs numa frase escassa toda a aridez de três desertos». Nelson nunca perdoou a Carlos Drummond de Andrade. O mesmo Drummond de Andrade que ficara muito indignado quando descobriu que ganhava menos do que a cozinheira de Niomar Moniz Sodré. Mas isso é outra história.

29 thoughts on “Vinte Linhas 582”

  1. Vai tentar chamar mesquinho ao teu avô torto, maloio! Tu ao pé destas personagens vales menos que uma sombra debaixo da carroça. Respeita os mortos, ao menos, já que pelos vivos não és capaz de tomar uma atitude honesta – é só veneno.

  2. Que homem é você, que fala em respeito pelos mortos e vai meter na conversa o meu avô, que já não está cá para se defender?

    Eu apenas disse que a sua história é mesquinha e pequenina.

    Continuo a acreditar que não é um caso perdido, embora tenha idade suficiente para ter juizo e para respeitar a opinião dos outros, que não precisam de descer ao seu nível.

  3. Sim, a mesma mesquinhez e má-língua de sempre. Quem é esta família, estas personagens que nada nos dizem? Será que dirão alguma coisa ao jcfrancisco? Conheceu-as? Esteve lá quando tudo aconteceu? O drama serviu, apenas para mais um banalíssimo post. A língua afiada e invejosa sempre pronta para dizer mal, mesmo dos nomes consagrados. Que saberá este gabirú da vida destas pessoas?! E a nós, que nos interessa estas chinelices?! És, realmente, uma linguareira de mau-gosto, uma espécie de coveiro a desenterrar histórias em alfarrabistas e quejandos. Era a família do Lavre e o Saramago, agora é a família deste brasileiro – e a achincalhar um nome grande da literatura brasileira. Tem vergonha e começa a escrever sobre os teus telhados de vidro e os teus pôdres, que são muitos!

  4. Quem é que tu julgas que és, parvalhão, para me tentares dizer «tenha vergonha»? Vens de onde e para onde julgas que vais, mostrengo?

  5. E além do mais é uma estupidez dizer com orgulho que não sabe nada sobre Nelson Rodrigues. E tentar vender a ideia de que as dedicatórias apagadas do Saramago são um problema de «família» quando são 16 pessoas atiradas ao chão, de diversas famílias, claro. Vai morrer longe e manda saudades que é coisa que cá não deixas.

  6. O mesmo estilo de sempre, caro jcFrancisco. Você não muda. Julga, por acaso, que tem graça? Repetindo-se na arrogância, na grosseria, no mau-gosto das respostas aos seus comentadores, pensa que vai ganhar algum prémio? Pois pensa mal. Não sei se será esta a peculiaridade a que se referiu o João Pedro Costa… Sabe o que me fez lembrar este seu post? Aquelas senhoras que vão pedir um raminho de salsa à vizinha e aproveitam para falar na vida dos outros. Deixo-lhe outra citação:

    «HÁ LIVROS ESCRITOS PARA EVITAR ESPAÇOS VAZIOS NA ESTANTE» – C. Drummond de Andrade.

    Será o caso dos seus?

  7. JCF, mandar alguém ir morrer longe, é o último degrau na falta de respeito pelos comentadores, que apenas expressam a sua opinião.

    os comentadores apenas o recordam que há mais vida para além de coisas pequeninas como a data da fundação do Benfica, número de títulos que ganhou, o Saramago apagar ou não as dedicatórias (os livros eram e são dele e não seus, portanto podia fazer o que lhe desse na gana).

    Provavelmente já é velho demais e pensa que já aprendeu tudo, mas está enganado. E é pena, porque desvaloriza o valor que até pode ter como poeta. E não é com as proclamações que está no dicionário deste e daquele que muda a opinião das pessoas, e isso nem sequer é vaidade, é outra coisa mais feia.

  8. estás lixado, Zézinho. tens de começar a plantar salsa verdinha, aqui. :-)

    (mas eu, se fosse a ti, plantava marijuana para ver se não atraía tanto alienado) :-D

  9. Sinhã – já está a caminho um post sobre a história da cozinheira e do jornalista/poeta. Maria – os meus primeiros dois livros foram publicados em 1981 e 1983 numa prestigiada colecção (Círculo de Poesia) da Moraes Editores ao lado de livros de Jorge de Sena, Vitorino Nemésio, Sophia, David Mourão Ferreira, João Rui de Sousa, Ruy Belo, Pedro Támen, Joaquim Pessoa, João Miguel Fernandes Jorge, etc. Não é nada disso…

  10. Nadadisso deve ser peixe, ó «poeta»! Só tu para te armares! Alguma vez viste um poeta ou escritor dos grandes, como tu gostarias de ser, vir falar de si próprio como tu falas de ti?! Se estás metido no meio desses nomes ou foi por engano ou foi por cunha, nunca pela qualidade literária dos teus «poemas». Bom, que o teu partido político também costuma dar um jeitinho… Qualquer pessoa pode «ler» a diferença entre um poema teu e um poema da Sophia, do David Mourão-Ferreiras ou de Vitorino Nemésio… Tem respeito, pá! Nunca ouviste dizer «nem tudo que luz é oiro»? Deve ser o caso dessa colecção…

    Desculpa lá, Maria, ter respondido por ti, mas não me contive. Com este tipo não há pachorra… É com cada posta de pescada – e requentada, tá visto!

  11. Só o facto de teres perguntado se foi por «cunha» que os meus livros foram publicados na Moraes Editores já demonstra que em vez de massa encefálica tens porcaria na cabeça. Lapão…

  12. Nunca respondes à argumentação dos teus comentadores, jcfrancisco! Passas adiante e nem muges. O mais certo é não poderes, mesmo, argumentar. Faltam-te as palavras? Ficaste pelo abandalhar do costume. respostas capazes, nikles!

  13. E quem és tu para definir o que é argumentação, oh trambolho? Então não vês que o outro palhaço ao perceber que não tinha nada a dizer resolveu tentar a calúnia mais estúpida dizendo que os meus livros publicados na Moraes Editores o teriam sido por «cunha»? Não percebes que isso é muito baixo, muito inferior, muito reles? Colocas-te assim ao mesmo nível, é isso que queres? Ser como o outro palhaço? Isso é contigo.

  14. Nunca vi ninguém dar respostas tão acertivas como estas:

    «Vai tentar chamar mesquinho ao teu avô torto, Maloio.»

    «Quem é que tu julgas que és, parvalhão, para me tentares dizer “tenha vergonha”? Vens de onde e para onde jugas que vais, mostrengo?»

    «Em vez de massa encefálica tens porcaria da cabeça, Lapão…»

    «E quem és tu para definir o que é argumentação, oh Trambolho?»

    clap, clap, clap, clap, clap, clap.

  15. boas José do Carmo, ninguém é obrigado a vir aqui ler, portanto se entra em casa alheia devia ser educado. Mas não, vem cá mijar, temos de ser compreensivos com esses genas ancestrais de marcaçaão de território, mas ainda assim um pessoa até esquece o tema do posto. Vá, leão!

    Quanto a isso do Saramago e do Levantado do Chão, perdoa e esquece. Por ti, por ele, por esses todos, tod@s merecem sossego. Eu não reli o L do C, mas li com todo o gosto O ano da morte de Ricardo Reis e agora nem sei se vou a Todos os nomes ou ao Caim ou ao Evangelho, só trabalhos, mas fiquei cheio de carinho pelo meu velhote com aquela hisstória do Olifante a caminho de Viena. Gostava tanto de ser cornaca. Mas enfim agora é outra coisa.

  16. é isso mesmo, letra estranha: não temos de retribuir com mijo o mijo que nos dão quando há tanta variedade de merda fresquinha e colorida para dar. até me cresce água na boca por essas expressões espontâneas, Zézinho.:-)

    (já agora, advogado de defesa, tu foste muito assertivo e criativo ao expores essa da acertividade):-)

  17. Isto é mais «advogado dos cães» expressão muito em voga nos anos 60 para referir um advogado da treta pois os cães não podem ter advogado – como não podem ter deveres não têm direitos. Então este palonço alinhavou algumas respostas minhas mas esqueceu-se de alinhavar antes os insultos todos miseráveis de quem aqui vomitou a sua grossaria, vileza e estupidez.

  18. É isso mesmo – os animais não podem ter direitos porque isso só seria possível se eles tivessem deveres. E não têm. Nós só temos direitos porque a cada direito corresponde um dever. Exemplo – bom nome; correcto comportamento em sociedade. Aprende-se em «Introdução do estudo do Direito»

  19. Declaração Universal dos Direitos dos Animais

    A Declaração Universal dos Direitos dos Animais foi apresentada pela UNESCO em 15 de Outubro de 1978. No entanto, a mesma nunca foi aprovada e não tem qualquer valor legal nem oficial, é apenas uma declaração de princípios.

    PREÂMBULO

    – Considerando que todo o animal possui direitos;
    – Considerando que o desconhecimento e o desprezo destes direitos têm levado e continuam a levar o homem a cometer crimes contra os animais e contra a natureza;
    – Considerando que o reconhecimento pela espécie humana do direito à existência das outras espécies animais constitui o fundamento da coexistência das outras espécies no mundo;
    – Considerando que os genocídios são perpetrados pelo homem e há o perigo de continuar a perpetrar outros;
    – Considerando que o respeito dos homens pelos animais está ligado ao respeito dos homens pelo seu semelhante;
    – Considerando que a educação deve ensinar desde a infância a observar, a compreender, a respeitar e a amar os animais;

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