Vinte Linhas 553

Memórias de Irene Lisboa em Arruda dos Vinhos

No sábado passado fui a Arruda dos Vinhos integrado no Grupo da Associação Cultural Aldraba. Recebidos por Paulo Câmara, o homem da cultura no Município local, tivemos nele um cicerone qualificado na visita à Igreja Matriz. Mostrou tudo além do portal manuelino e lembrou a mão em falta (da imagem da padroeira) que foi para a Índia com um dos governadores-gerais, natural destas terras. Seguiu-se um passeio pelas ruas estreitas do centro urbano, escolas, casas, lagares de azeite desactivados, muros e pedras envelhecidas, silenciosas e anónimas. Depois fomos à Biblioteca Municipal de Arruda e almoçámos muito bem no restaurante Nazareth. Muito boa comida e excelente cenário. Seguiu-se a visita à Adega Cooperativa de Arruda onde provámos um magnífico vinha abafado. Mas no regresso a Lisboa pela nova auto-estrada vim sempre a pensar no livro «Esta cidade!» de Irene Lisboa, autora nascida no concelho de Arruda no ano de 1892. Há a edição moderna da Presença mas tenho à mão as palavras da página 35 desta edição de 1942: «Neste meio tempo veio ao mundo o terceiro neto da Adelina. A mãe tinha estado tão mal do último desmancho que teve medo e deixou ir para a frente esta barriga. Foi um rapaz e o pai que já tinha duas raparigas ficou todo contente. Quando a Adelina foi a minha casa deu-me parte destes casos e disse-me que o genro queria agora receber a sua Isilda; como ele era desvorciada…e que depois iam à terra. Parece que os bimbos dão lá muita importância a estas coisas! E acrescentou: a mim serviu-me de muito ser arrecebida… Fiquei com uma filha nos braços e um tostão na gaveta da cozinha. Nunca mais me hei-de esquecer! Nem mais um real».

10 thoughts on “Vinte Linhas 553”

  1. A Câmara estraga-vos com mimos, jcf.
    Nada que você não mereça !
    Mas abafado, poeta ?
    Antes um vinho novo, a espichar de vida e de cheiro !
    Não era feia, Irene Lisboa, de cabelo à “garçonete”, era o tp de Beatriz Costa.
    Um abraço
    Jnascimento

  2. Essa do «estraga com mimos» era do outro, o dos supositórios pequeninos que dizia «Ai doutor não, assim estraga-me com mimos». Mas o vinho marca «D. Elvira» é bem licoroso e não abafado. Assim sim, meu caro J. Nascimento. Um abraço JCF

  3. Já agora, quem é que pagou a conta no restaurante, «onde almoçaram muito bem»? E as passagens até Arruda dos Vinhos? O senhor jcFrancisco não foi com certeza! Tenho reparado nestes frequentes «passeios». Em tempo de crise, não está nada mal. As Câmaras parecem abonadas. Tudo isto com o dinheiro de quem? Dos munícipes, naturalmente. E pensar que por este Portugal há quem não tenha um cêntimo e dê graças a Deus por existir o Banco Alimentar Contra a Fome…

  4. Ó sua cavalgadura eu não tenho nada que lhe responder mas – como é mais que óbvio – fui eu que paguei tudo incluindo as portagens. Nem podia ser de outra maneira sua parvalhona. A Camara Municipal apenas disponibilizou o guia. Grande besta…

  5. Queres tu dizer que o guia era, tão-só, o vereador da Cultura da Câmara Municipal de Arruda dos Vinhos?! E no final da almoçarada dividiram a conta e o guia, isto é, o vereador, pagou a parte dele?! Sabes, é que estou ainda lembrado daquele teu post em que te queixavas de que uma outra Câmara ainda não te tinha pago as despesas com uma passeata igual… E aproveito para lamentar os termos injuriosos que empregaste na resposta à comentadora. Deves estar à espera de seres eleito o Nobel da Ordinarice.

  6. Escreveste: «Recebidos por Paulo Câmara o homem da cultura do Município local». Ora, a estes «homens da cultura dos Municípios locais», dá-se o nome de vereadores, ou não?!

  7. Trabalha na Biblioteca, é lá que tem o gabinete. Os vereadores são mais políticos, muitas vezes nem são da área. Queres saber mais? Procura no «site» da ALDRABA, ok?

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.