Vinte Linhas 499

Câmara de V. F. Xira ou Estradas de Portugal não podem tapar uma memória

Faz hoje 26-6-2010 sessenta anos que Carlos Pato morreu em Caxias vítima do desgaste de muitas horas de «estátua». Tendo nascido em São João dos Montes em 21-12-1920, aderiu ao PCP em 1937, foi atleta e dirigente desportivo, foi empregado do Banco Nacional Ultramarino e desenvolveu larga actividade política e associativa tendo chegado a presidente do Ateneu Artístico Vila-franquense de 1945 a 1949.

A sua morte pela PIDE nada teve de acidental pois tratou-se de um homicídio preparado ao longo de 13 meses de prisão, passou por largas dezenas de horas de «estátua» e concluiu-se com a recusa de lhe ser prestado qualquer tratamento médico.

Na sua morte Carlos de Oliveira escreveu: «Mais vivo porque sofreste / a morte não veio, foi-se / A eternidade constrói-se / na beleza com que viveste». José Gomes Ferreira, por sua vez, escreveu: «Volta-te e olha para a terra / – a carne da tua sombra / de flores acesa. / Céu para quê? / O céu é para os que esperam / E tu morreste por uma certeza!» Já Sidónio Muralha tinha escrito: «Largos versos irrompem do teu silêncio de granito / e tu vives inteiro em cada grito / tu que foste maior que todas as poesia».

A homenagem da família e dos muitos amigos realizou-se no Clube Vila-franquense tendo a Comissão Concelhia do PCP promovido uma romagem ao cemitério para colocação da coroa de flores no jazigo onde repousam seus restos mortais. Foi guardado um minuto de silêncio seguido por uma calorosa salva de palmas. Antes de regressar a Lisboa passei pelo Largo Carlos Pato e fiquei revoltado com a Câmara por autorizar placas indicativas (Arruda, Torres Vedras) que tapam o seu nome e a sua memória.

4 thoughts on “Vinte Linhas 499”

  1. Só para completar um dado que ficou no tinteiro: Carlos Pato é o segundo a contar da esquerda. Peço desculpa a todos, falhou essa informação no texto sobre os célebres passeios culturais no Rio Tejo…

  2. Obrigado pela referência, JCF… de facto, porque o branqueamento da História procede através da negligência da memória.
    Um abraço.

  3. Percebo a homenagem, mas parece-me um pouco enodoada pela fotografia, com esse velhote a tirar macacos do nariz, não acha o meu amigo? O realismo do instantâneo, talvez…

  4. Pois é. A rapariga da Camara não conhece, nem talvez queira conhecer. Provavelmente para ela, antes e depois do 25 de Abril são pouco mais do que datas de calendário que “se lhe varreram da memória”!

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