Vinte Linhas 494

Dissertação breve para o olhar de Marta

Há, no olhar de Marta, a sombra das partituras da música das ondas do mar, compassos felizes que, sempre de sete em sete, organizam novas melodias. Nos poucos metros quadrados de um escritório, o olhar de Marta prolonga o rumor da água, o som do vento, a luz da espuma, o doirado da areia sem fim.

No tempo agressivo desta rua (Bombeiros, Polícia, Viaturas oficiais) o olhar de Marta organiza, por cima das sirenes, uma gramática de harmonia. Porque o olhar de Marta delimita a Rua do Alecrim como as fronteiras de um país ou de um quadro. À direita, como por milagre, os cacilheiros surgem colados às telhas dos prédios do Cais do Sodré. Do lado mais próximo do perímetro do olhar de Marta estão os carris molhados há minutos pela chuva inesperada de Junho. Parecem duas linhas de um caderno de apontamentos onde os olhos de Marta fazem a nova pontuação do lugar.

Mas há sempre algo de nebuloso no fascínio dos olhos de Marta. Não são as pestanas nem as sobrancelhas, não é o rebordo ciliar nem a pupila, não é a íris nem as pálpebras mas é o conjunto no seu todo, é uma espécie de perfume, é o seu porte solene e quase altivo sabiamente misturado com a humidade da ternura que faz do seu olhar uma enseada de sossego e paz à beira de um mar de conflitos.

No bulício desordenado da cidade, o olhar de Marta agrupa, constrói e ordena de novo o ritmo do Mundo. Entre a Rua da Misericórdia e o Largo Camões, entre a Rua do Alecrim e o Cais do Sodré fica o mundo de Marta, um mundo delimitado pelo esplendor da luz. Digamos, a concluir, o Mundo assim como num quadro de Silva Porto.

9 thoughts on “Vinte Linhas 494”

  1. Vamos mudar de conversa. Isto é bem mais interessante:

    Freiras cultivavam canábis no convento
    17h49m

    Duas freiras foram detidas em Masaka, no Uganda, por alegadamente terem cultivado canábis no quintal do convento onde vivem.

    As duas freiras foram detidas pela polícia local, que, numa busca ao convento, encontrou plantas de canábis disfarçadas numa plantação de bananas.

    Uma das freiras resistiu à detenção, acusando a polícia de invasão de propriedade por entrar no convento sem permissão.

    Apesar de não terem divulgado as suas identidades às autoridades, mais tarde, as duas freiras foram identificadas, segundo o site “The New Vision”, como sendo as irmãs Nanteza e Rita.

    O comandante da polícia do distrito de Masaka, Titus Byaruhanga, afirmou que a sua intenção não era prender as duas freiras, mas que se viu obrigado a isso pela resistência que apresentaram a prestar depoimento às autoridades.

    No seu depoimento ao comandante da polícia, a irmã Rita afirmou que o canábis não se destinava à venda, mas sim ao tratamento de animais, em particular, porcos.

    As duas freiras foram libertadas após prestarem depoimento e pagarem a fiança. Serão ainda presentes a tribunal.

    A polícia de Masaka deteve também dois homens que apuraram estar ligados à plantação ilegal de canábis.

  2. Mais intressante porquê ?
    Mais interessante para quem ?
    Sobre o olhar de Marta que eu não conheço, acredito no que diz o poeta, como acredito no rio ao fundo, líquido do olhar de Marta e desta chuva de Junho.
    Jnascimento

  3. Talvez essa rua do alecrim seja a mesma pela que baixava o meu amigo Ricardo Reis quando se hospedava no hotel Bragança, onde mais tarde se reuniria com Fernado Pessoa, precisamente no ano da sua morte?

  4. Lisboa não interessa! Os turistas amam o Porto e todos afirmam que a beleza do Porto não chega aos calcanhares de Lisboa, nem entendem o porquê de tanta promoção à capital quando há uma cidade tão bela ao norte do país. Benditos os voos low cost da Ryanair que desviam os estrangeiros da capital!

    E VIVA O PORTO!!!

  5. Não interessa a quem? A pobres como tu? Se não percebes o texto nem a foto, se não tens capacidade para comentar, desiste mas não andes a chatear. Desanda!

  6. Pendón Bermejo

    Por aquel postigo que nunca fuera cerrado,
    vi venir pendón bermejo con trescientos de caballo;
    en medio de los trescientos viene un monumento armado,
    y dentro del monumento viene un ataúd de palo,
    y dentro del ataúd venia un cuerpo finado.
    Fernan d’Arias ha por nombre, hijo de Arias Gonzalo.
    Llorábanle cien doncellas, todas ciento hijasdalgo;
    todas eran sus parientas en tercero y cuarto grado;
    las unas le dicen primo, otras lo llaman hermano,
    las otras decían tio, otras lo llaman cuñado.
    Sobre todas lo lloraba aquesa Urraca Hernando,
    iy cuán bien que la consuela ese viejo Arias Gonzalo!
    Por qué lloráis, mis doncellas? Por qué hacéis tan gran llanto?
    No lloréis así, señoras, que no es para llorarlo,
    que si un me han muerto, ahí me quedaban cuatro.
    No murió por las tabernas, ni a las tablas jugando,
    más murió sobre Zamora, vuestra honra resguardando;
    murió como un caballero con sus armas peleando.

    Romance de Fernan d’Arias

  7. José Francisco, és mesmo um coça-quilhões. Hás-de levar para a cova fama e o leque da tua feira de vaidades. Vai coçando as berlengas enquanto podes…

  8. Faltou um dado importante: a foto é de António Brito. Esqueci-me de referir logo de entrada. Peço desculpa.

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