Vinte Linhas 487

Mêda, Trancoso e Foz Côa – As gaforinas de Susana e os selos da Lituânia

O barco vai de saída do cais do Pocinho até à foz do rio Côa. Ouve-se a música de Fausto a empurrar a bandeira verde do município de Foz Côa. Afinal Vila Franca das Naves e Escalhão ficam a poucos quilómetros por este rio acima. No usufruto da velocidade, as gaforinas de Susana dançam com o vento que liga o pó da pedra dos socalcos à humidade da massa líquida do rio. Na cadeira ao lado, Amadeu Baptista procura que não se percam na espuma breve os selos da Lituânia, os mais difíceis de juntar. Vinho fino, amêndoas e figos secos dão forma alegre à mesa das palavras. João d´Ávila trouxe Mário Cesariny, Almada Negreiros, Fernando Pessoa e há-de convocar Pedro Homem de Melo à noite no Clube Trancosense. Fernando Castro Branco, Jorge Velhote, Maria Estela Guedes, Nuno Dempster e Aurelino Costa trazem nas suas vozes e poemas a geografia e as memórias dos seus lugares de origem e de pertença: Porto, Bragança, Britiande, Ilha de São Miguel, Viseu, Lamego, Póvoa de Varzim, Trondheim. Amadeu Baptista guarda, cioso e atento, os selos da Lituânia para que o vento do Douro não os espalhe na água acabada de acordar pelo barco da poesia e das artes plásticas.

Jorge Maximino é o capitão desta nau de sonhos onde cabe sempre o inesperado: seja a música de Simão Mimoso, sejam as leituras de Carlos Pedro. Nos próximos dias 4 e 5 de Junho chegam aqui os filmes. Partem os poetas e aparecem os realizadores: Manuel Mozos, Jorge Murteira, Jorge Pelicano e Rosa Silva. No comboio entre Celorico da Beira e Santa Apolónia às memórias da fraternidade entre os livros e as pessoas juntam-se as imagens das gaforinas de Susana e dos selos da Lituânia de Amadeu Baptista.

4 thoughts on “Vinte Linhas 487”

  1. Boa estadia, pelos meus sítios !
    Se procurar bem, já deve encontar cerejas.
    E os seios de Lituânia.
    Jnascimento

  2. A menina simpática do Hotel de Trancoso onde fiquei e me serviu hoje uma deliciosa omoleta de fiambre com batatinhas fritas e uma taça do bom vinho do Douro, é natural da uma bela terra lá para os lados dos Pereiros. E andei numa carrinha da empresa da viúva Carneiro, um mini-bus. Não tive tempo para as cerejas porque andei numa roda viva entre Mêda, Trancoso e Foz Côa.

  3. Espero que lhe tenha recitado a “A Balada da Carreira da Viúva”, ao ouvido.
    Ela agradecia e, arfante de viuvez, desceria ao Doiro, amanhã cedinho, remoçada.
    Já agora, o vinho da Meda, da Adega Cooperativa, não é de desprezar, mas melhor ainda era o do Poço do Canto, ali bem perto.
    Com um abraço
    Jnascimento

  4. Caríssimo amigo, José do Carmo Francisco.

    As viagens, acima de tudo, servem para nos encontramos connosco. A experiência resultante desta viagem permitiu-nos, igualmente, o conhecimento de outras pessoas que, navegando pelas águas da poesia e da arte, nos enriqueceram com a partilha das suas vivências e as suas amizades.
    Pela cedência dos textos para a leitura, o meu Bem-haja.

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