Vinte Linhas 483

Príncipe Real – a CML esqueceu-se da capela mortuária

Hoje soube através de uma pessoa da CML em visita de supervisão ao espaço que a inauguração das obras de destruição do Jardim do Príncipe Real (intituladas como uma requalificação pela CML) está prevista para as 10 horas de amanhã, dia 22-5-2010.

Mas há um problema, aliás há vários problemas. Falta a capela mortuária pois todo o cemitério que se preze tem que ter uma. Ora aquele que foi o Jardim do Príncipe Real não vai voltar a ser jardim mas apenas um cemitério de árvores mortas.

Depois há o saibro que foi colocado no pavimento substituindo o empedrado e o asfalto. Todo esse saibro que já está a sujar os vidros dos automóveis e a entrar na garganta das pessoas, origina o pedido de um gelado. Mas o quiosque local deixa de poder vender gelados porque alguém na CML considera «inestética» a caixa dos ditos mas esquece-se (finge esquecer-se) propositadamente que foi a CML a criar a situação ao substituir o empedrado por saibro – tal como fez no antigo Jardim de São Pedro de Alcântara, hoje miradouro. Já sabemos que o saibro vai produzir pó no Verão e lama no Inverno. Já sabemos que o pintor Nagashima perdeu as que julgava suas árvores e agora anda a pintar nas Escadinhas do Duque. Ele que era privativo do Jardim e que já estava integrado desde 1998. Azar dele. Azar nosso. Azar de todos menos dos fulanos da CML que decidem mas não conhecem nada disto. O poder é mesmo assim. Leva tudo à frente. Actua como uma «quadrilha selvagem». Cria armadilhas às pessoas. Neste caso mata árvores em nome de uma falsa requalificação e proíbe os gelados quando sabe que o pó vai fazer nascer mais vontade de comer gelados às pessoas.

4 thoughts on “Vinte Linhas 483”

  1. Que terrível! E é mesmo capaz de ser assim, tenho que ir lá ver. É esta porra da facturação, da produtividade e da competitividade, a dar cabo da existência.

  2. passei lá a semana passada e realmente o jardim está uma sombra (sem sombras diga-se) do que era, em nome não sei de quê…

    talvez modernismos sá fernandinos…

  3. Não Sinhã, não tem camélias nem tem nada – é um cemitério. Até na música da «festa» deles (um saxofone, um piano e um baixo) só tocavam músicas pavorosas. Um cheiro a morte. Saí de lá a sete pés. Lá ficaram lambuzados no seu triunfo de destruição e morte, à sombra das árvores mortas. Como no livro de Mário Ventura Henriques.

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