Vinte Linhas 456

A eterna luta entre o pó e a posteridade

Há 32 anos, quando comecei no «Diário Popular» não imaginava como tudo isto é efémero. Os jornais são como as pessoas; também morrem. De repente lembro-me de alguns onde colaborei desde 1978 e que deixaram de se publicar: «Diário Popular», «Diário de Lisboa», «Gazeta dos Desportos», «A Capital», «República». Mas se recuarmos 70 anos vemos nove jornais diários que não resistiram: «Jornal do Comércio», «O Comércio do Porto», «O Primeiro de Janeiro», «O SÉCULO», «Novidades», «República», «Diário de Lisboa», «A VOZ», «Diário da Manhã». Só ficaram o «Diário de Noticias» e o «Jornal de Noticias». A BOLA MAGAZINE, de onde foram recuperadas para o meu livro «As palavras em Jogo» estas entrevistas e a memória, também só vive hoje na memória afectiva de quem a guarda e nas prateleiras das hemerotecas. Há 370 anos nasceu a primeira Gazeta que dentro de meses pode dar origem a algumas efemérides. Somos os bisnetos desses obscuros redactores e somos os remadores dessa barca onde se procura vencer o pó do silêncio e alcançar a posteridade possível. O Mundo é uma terrível fábrica de esquecimento; compete a todos e a cada um de nós fazer com que o esquecimento seja uma injustiça. Ao procurar saber mais do jornalismo de há 70 anos apareceu em O SÉCULO de 1941 uma referência a José Bento Pessoa. Pois o nosso figueirense foi em 1897 o vencedor do I Campeonato de Espanha em bicicleta disputado em Ávila na distância de 100 quilómetros que fez em 3h 42m e 31s. Ele é uma relíquia do Desporto Português. Este livro não aspira a tanto; pede apenas um pouco de atenção ao leitor comum e um lugar no futuro Museu do Desporto.

4 thoughts on “Vinte Linhas 456”

  1. excelente evocação de jornais com quem crescemos
    em certa altura ardinas haviam
    gracejavam
    lisboa capital republica popular…
    mas as edições da tarde…
    que saudades….
    aos domingos a trazerem os resultados da bola
    e umas reportagens e fotos muito “pobres”
    q a malta sorvia com ansiedade…
    enfim vidas que se vão vivendo…
    abraço

  2. Eu era puto mas ainda me lembro do Mundo Desportivo, da Plateia…mais tarde do Portugal Hoje (uma aventura socialista) do Diario (PCP) do Dia…rewind…da Crónica Feminina…

  3. «MFerrer» tente compreender que não se tratou de esquecimento, simplesmente eu tinha que ter duas referências – 1978 (quando comecei) e 1941 (quando se festejaram 300 anos do primerio jornal em Portugal). POrtanto quando falei dos «meus» jornais onde escrevi e que já morreram não podia ter falado no «Diário Ilustrado» pois ele em 1941 ainda não existia e em 1978 já não existia. Também não falei do «Norte Desportivo» que não era diário. E uma curiosidade – naquela lista de 1941 o «meu» Diário Popular ainda não existia. Foi fundado em 1942… Um abraço para vocês

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