Vinte Linhas 455

«Padre Cruz – um salvo-conduto do Dr. Afonso Costa para ninguém o prender…»

O Padre Cruz (1859-1948) nasceu há 150 anos. A efeméride foi comemorada aqui em São Roque com uma missa solene transmitida pela TVI. Há muitas histórias do Padre Cruz como aquela do barbeiro perto da igreja da Conceição Velha onde o Padre Cruz cortou o cabelo, não pagou porque tinha dado o dinheiro aos pobres mas, passado pouco tempo, a barbearia encheu-se de fregueses como antes nunca tinha acontecido. O barbeiro já tinha ouvido falar dele por trazer sempre uma carta do Dr. Afonso Costa para ninguém o prender. Esta história da carta do Dr. Afonso Costa tem uma origem curiosa. Depois de 1911, com a «Lei da Separação», surgiram muitos problemas para os Padres. Numa localidade perto de Torres Vedras o Padre Cruz estava a pregar mas acabou preso pelo Regedor local que o enviou para Lisboa acompanhado de um polícia mas o Ministro da Justiça mandou-o em paz. Tempos depois à porta do Limoeiro, depois de visitar os presos, o Padre Cruz ficou detido e incomunicável durante nove dias. Como o mundo é pequeno, o mordomo do Patriarca tinha um familiar licenciado em Direito e que conhecia o Dr. Afonso Costa da barra dos Tribunais. Pediu-lhe que contactasse o Ministro da Justiça e este ordenou uma investigação para se descobrir onde parava o Padre Cruz – estava numa enxovia imunda no Limoeiro. Para evitar males maiores foi o próprio Dr. Afonso Costa que escreveu pelo seu punho um «Salvo-conduto» em favor do Padre Cruz. Este mandou colocar um caixilho no documento e andava sempre com ele. No meio das maiores confusões, passava sempre e nenhum polícia o impedia de ir às cadeias ou aos hospitais visitar os presos e os doentes.

6 thoughts on “Vinte Linhas 455”

  1. Ficam questões por esclarecer. Será que o Barbeiro quis mandar prender o Bondoso Padre Cruz por não ter dinheiro para pagar o caldinho e o “salvo-conduto” funcionou? Porque passaria o MJ Afonso Costa o tal documento, ele que foi apelidado de “mata-frades” por ter feito aprovar a citada «Lei da Separação»? Ou esta história vem provar que desde sempre dar uma palavrinha ao filho do mordomo que tem um amigo na Justiça (ou na politica) que é parente do filho do ministro ainda vale “salvos-condutos” para se sair, ou não entrar, no Limoeiro?

  2. conheço e aprecio ambas as personalidades referidas…
    não conhecia a historia, mas aceito-a
    e reforça-me a ideia de que as pessoas quando são boas
    sempre se encontram num caminho de justiça
    e solidariedade social
    abraço

  3. Eu vivi no Montijo em 1957 e ainda existia uma poderosa memória do Padre Cruz que era de Alcochete e tinha falecido em 1948. Como sabem a distância é de apenas 5 quilómetros por isso eu convivi com as pessoas que o tinham conhecido bem de perto. Não precisei de o conhecer para o perceber – ou julgar perceber no esplendor da sua bondade.

  4. Jácome, “mata-frades” foi como ficou conhecido o Joaquim António de Aguiar, por ter extinguido as ordens religiosas e confiscado os seus bens, muito antes de existir o Afonso Costa e num regime muito diferente.

  5. O Jácome falhou em toda a linha mas não se podia esperar mais de alguém que começa o seu texto com «ficam questões por esclarecer». Quem é que ele julga que é? O centro do Mundo? O vértice da Humanidade? Ora bolas. A história é mesmo assim e ou acredita ou não acredita. Para mim tanto faz, basta ser uma história com piada, tendo como protagonista um homem (Afonso Costa) cujo retrato em ponto grande estava em Fátima numa loja de um senhor meu conhecido. Mata frades era o outro…

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