Vinte Linhas 454

O maloio, o lapão, o saloio, o labrego, o lapuz e outros malcriados

Utilizo com muita frequência o Dicionário da Língua Portuguesa da Sociedade de Língua Portuguesa, edição de 1986 coordenada por José Pedro Machado.

A propósito do termo «lapão» que utilizei em anterior comentário a uma nota de leitura, o mesmo dicionário refere-o como «Termo de Leiria». De facto em Leiria era usual chamar-se «lapão» a um trabalhador rural no sentido em que este, vindo à cidade, não dominava a gramática daquela civilização. Como tal não sabia sequer como dirigir-se às pessoas dos diversos serviços (Finanças, Câmara Municipal, Grémio da Lavoura e outros) havendo mesmo quem na cidade de Leiria utilizasse um termo mais forte – lapãozão. Explica o dicionário acima referido que «lapão» é labrego, campónio e lanzudo. Mas então «labrego» é rude, rústico, camponês, aldeão, malcriado, grosseiro e ordinário. Já «lapuz» surge como bruto, campónio, labrego, rude e grosseiro. E «saloio» é aldeão, grosseiro e rústico. Mas há um segundo sentido no termo «saloio»: pode ser ardiloso, manhoso, finório e velhaco.

Quanto a «maloio» o termo é definido no dicionário como saloio, campónio, labrego e lapuz. Assim sendo, quando escrevo «maloio», estou a acertar em cheio pois este termo acumula o sentido de quase todos os outros da mesma família.

Recordo muitas vezes uma frase da minha avó em Santa Catarina nos meus tempos de férias grandes entre 1957 e 1961: «Nunca dês parte de fraco, não sejas maloio!» Ora tendo eu nascido no distrito de Leiria, cidade onde fiz as admissões à Escola Técnica e ao Liceu, esta frase prova que o termo não é só de Leiria mas sim de todo o distrito.

7 thoughts on “Vinte Linhas 454”

  1. Estas correspondencias, equivalencias e variedades sinonimicas assentam como luvas nos militantes dos partidos politicos, sem distincoes, diferenciacoes ou excepcoes, mas aqui neste blogue ninguem se ira picar ou ofender, ou mostrar o cartao do partido, nada disso, porque somos todos independentes, liberais, isentos, democratas a prova de bala e cuspidela, direitos e verticais – porque curvos, sim, so mesmo na anatomia da nalga e da mama e ninguem tem culpa de ter nascido assim.

  2. O que me surpreende e continua a surpreender é como num blogue com um certo cariz político como este, as questões dos mais de 500.000 desempregados, da dívida do país e das famílias, do déficit, da fraca competitividade etc, não fossem abordados. Algum pudor, sentimento de culpa, une certaine gêne?

    A política e a reflexão política tem de ter alguma tracção com a realidade, e esta é a realidade do país. A isso chama-e lucidez.

    E as respostas até agora têm sido muitíssimas fracas. Noto com algum regozijo que a teoria da pesada herança está mais ou menos ultrapassada. Culpabilizar Durão ou / e Santana Lopes pelos males actuais começava a ser ridículo.

    A reflexão (?) passou a culpabilizar a Grave Crise que o mundo atravessa. Superficialmente a explicação pode parecer satisfatória, mesmo se não aponta caminhos para o crescimento e o pleno emprego. No entanto, um mínimo, e sublinho mínimo, seria reconhecer que Portugal entrou na Grave Crise, com muitas debilidades. E estas debilidades estruturais que este governo não enfrentou estão agora ainda mais visíveis.

    Não é preciso ser genial para aumentar os impostos e assim diminuir o deficit. Qualquer idiota sabe fazer isso. Mais difícil é diminuir a despesa e aumentar a competitividade das empresas. E isso não foi feito…

    Finalmente, e isso deveria preocupar muita gente, tenho amigos socialistas, militantemente socialistas, que neste momento estão de acordo com esta visão. A questão dos negócios do PS e dos Chefe é periférica para eles. Eles percebem algo que falta aqui. O futuro será pior para todos nós e não há propaganda que consiga esconder este facto…

  3. Meu caro José do Carmo Francisco:

    Estes “maloios” podiam aceitar o percurso que sugere pelo sentido das palavras, os cinco sentidos delas, e, ao menos ao domingo, deixavam o “lucido” em casa a salvar o mundo, até segunda.
    A chuva, lá fora, nem está tão brava assim, nada que não se aguente com um gorro na cabeça.

    Jnascimento

  4. oh lúcido, que fez o governo ppd/cds para reduzir o défice ou o endividamento? por acaso fez a reforma da segurança social? por acaso fez alguma reforma? por acaso fez alguma coisa? diz-nos lá, então, um investimentozito que tenha trazido para portugal. ou só conta a incorporação das pensões da cgd, a venda da rede fixa, a retenção abusiva de iva dos exportadores e os créditos vendidos ao citigroup?

  5. E o Jnascimento que não viesse acudir! Quem te dá o direito de chamar maloios à malta, pá?! Ganda maloio és tu, ó lambe-botas! E tu, porque é que não desapegas e vais dar um giro e ao menos ao domingo não chateias a gente, ó lapão? E são estes comunas da merda que falam de poleiro. Cagam na malta porque têm o papo cheio. São eles que têm a lata de atacar os lúcidos deste país. Ganda cambada!

  6. Ó pá, ó rapazes, não apertem tanto com o Nascimento; se querem bater batam em mim. Não façam danos colaterais – como se diz em linguagem militar. Não vale a pena bater em dois, batam apenas em um. Eu não escrevo contra niguém; apenas dei conta de que as palavras também são gente – nascem, vivem e morrem como nós.

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