Vinte Linhas 448

Tenho na memória um certo Lusitânia – Samora Correia

Li num texto de Joel Neto que o Lusitânia vai acabar, não um Lusitânia qualquer que os deve haver muitos pelas comunidades portuguesas, mas o Lusitânia dos Açores. Assim de chofre é como quando me disseram que o Diário Popular ia acabar. Um choque brutal porque quando morre uma instituição à qual estamos ligados morre um pouco de nós. O Diário Popular foi o jornal nacional onde me estreei em 1978; com o seu desaparecimento perdeu-se o melhor de mim que ao longo dos anos escrevi nas suas páginas honradas. Sobre o Lusitânia dos Açores faço apenas duas aproximações. Ouvi uma vez o grande Mário Lino (que veio da Horta para Angra por 15 contos) dizer com sentido de humor que no Faial teve a sua Instrução Primária, no Lusitânia fez o seu Liceu e no Sporting teve a sua Universidade do Futebol. Nunca esqueci esta comparação que diz bem da importância deste Clube fundado em 1922, delegação nº 14 do Sporting Clube de Portugal. Foi 38 vezes campeão distrital e 16 vezes campeão açoriano além de campeão insular em 1963/1964 jogando em Angra e no Funchal. Foi o primeiro clube dos Açores a disputar um campeonato nacional no ano de 1978/1980. A segunda aproximação é esta: corria o ano de 1989 quando fui primeira página no Diário Insular por um livro meu apresentado pelo poeta Álamo Oliveira. A outra metade da primeira página foi uma foto do Lusitânia – Samora Correia do domingo à tarde. Lembro-me bem de ter visto o jogo e de me ter parecido ao longe um Sporting – Boavista por causa das camisolas. Não quero acreditar; parece que ainda lá estou a ver o jogo com os soldados a devolveram as bolas mais altas que chegavam ao seu quartel.

6 thoughts on “Vinte Linhas 448”

  1. é sim…
    um clube histórico para açorianos
    e tb para gentes sentem o associativismo, qualquer que seja,
    como fenomeno desnvovimentista das mentalidades, gentes, terras
    projectos…
    é um pouco da nossa alma que se vai
    nestes pequenos grandes projectos que “terminam”
    “acabam”…
    hovesse alternativas “maiores”
    e tudo seria normal…
    haverá?
    abraço

  2. é o principio do fim do associativismo, pelo menos da forma como o conhecemos, JCF.

    nos próximos anos muitos clubes fecharão portas, especialmente aqueles que tem vivido acima das suas possibilidades. é uma pena, pois além de estarem enraizados com as gentes das suas terras, desaparece com elas a alegria, o orgulho e a história das próprias pessoas…

  3. JCF:
    Não duvide que é o que vai acontecer à maior parte dos clubes de futebol Português. Se não é o poder local, as Juntas de Freguesias e Câmaras Municipais, intervir com os seus apoios, adeus maiorias de equipas. Só quem não quer ver é que se acredita no contrário. Tirem o Porto, Benfica e Sporting e façam uma estimativa do número de espectadores. Vão ver que dá para rir.
    Estão a vender um produto de má qualidade, e ainda o vão vendendo, porque à partida, o comprador não sabe o que vai comprar. Já me aconteceu esta época ir assistir a jogos e ao intervalo me vir embora tal o mau trato que estavam a dar à bola e o meu clube estava a ganhar.
    Há muitos anos o Alfredo Farinha preveniu para o que está a acontecer, com a criação das Sads. Por força desta, o futebol passou a uma luta pelo vil metal e não pela verdade desportiva. Nessa altura passavam-se coisas esquisitas mas, comparadas com as de hoje, essas eram contos infantis.
    Fazem-se orçamentos descomunais sabendo-se à partida que não são para cumprir. Veja o que se passa na segunda Liga de Futebol. O primeiro classificado tem os ordenados em atraso uns poucos de meses. Depois a meio da época ainda se vão reforçar. Que verdade desportiva pode haver. Os clubes que querem cumprir com as suas obrigações, à partida sentem-se lesados. Repare na Naval 1º. Maio, que segundo dizem falsificou as contas que tinha de apresentar.
    Há uns meses o jogador Emanuel, do meu clube, Sport Clube de Freamunde, disse esta coisa extraordinária, “há muito tempo não sabia o que era receber a tempo e horas e para mais ter parte do ordenado adiantado.” Tenho a dizer que este jogador se transferiu este ano para o meu clube, vindo Varzim Sport Clube, e a sua idade é trinta e tal anos.
    Por isso não me admira com as equipas a fecharem as portas, assim como não me adiro do mesmo vir a acontecer com o Sport Clube de Freamunde. As direcções ou Sads que façam os orçamentos comparativos com o seu real valor e assim podem fugir ao fechar de portas.

  4. «Mariola» não sejas burro, quando escrevo grande Mário Lino trata-se do grande jogador e treinador Mário Lino. Nada tem a ver com o outro assunto.

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