Vinte Linhas 445

Para a FIFA Thierry Henry não vai ser punido

A comissão disciplinar da FIFA decidiu não punir o jogador francês Thierry Henry pelo lance em que, por duas vezes, ajeitou a bola com a mão para a servir a um colega, Gallas de seu nome, que rubricou o 1-1. Com este golo duas vezes ilegal, a equipa de futebol da República da Irlanda foi afastada do Mundial de 2010 na África do Sul. Não deixa de ser repugnante que a decisão tenha por base um argumento falacioso: «nenhum texto jurídico suporta uma sanção». Para além da péssima tradução – «support» não é o mesmo que «suporte» mas sim «apoio ou base» – a grande verdade ninguém da FIFA a afirma: foi o árbitro que não escreveu no relatório aquilo que se passou de facto e que milhões de pessoas viram em todo o Mundo.

Há muitos anos, no clássico Good Companions, Priestley explicou a razão pela qual o público inglês adora o futebol. A razão, segundo ele, é esta: «O futebol reúne arte e conflito, duas fortes motivações humanas desde que o Mundo é Mundo». O presidente da Federação Francesa de Futebol ficou feliz com a frase da FIFA («não se trata de uma ofensa grave») e até já se saiu, ingénuo e parvo, com um desejo («Só espero que seja o fim da história») mas a verdade é que, se para a FIFA Thierry Henry não vai ser punido, para milhões de amantes do futebol em tudo o mundo ele nunca vai ser perdoado. Tal como, 43 anos depois, ninguém perdoou ao árbitro suíço e ao fiscal de linha soviético que sancionaram um golo fantasma na decisiva Inglaterra-Alemanha Ocidental de 1966. Thierry Henry também não vai ser perdoado no coração de todos os que amam o futebol. Pode a FIFA fazer o que quiser em nome do Direito; a Justiça já foi feita.

8 thoughts on “Vinte Linhas 445”

  1. JCF:
    Ouvi num programa de comentário desportivo ( dia 25 na SIC Notícias, se não me falha a memória) o insuspeito sportinguista Dias Ferreira, no contexto da proliferação no youtube das escutas efectuadas a Pinto da Costa, dizer o elementar, perante um Guilherme Aguiar visivelmente perturbado, nervoso e agressivo, particularmente para um Silvio Cervan demasiado macio e ducado para um programa “de contencioso”:
    “A divulgação é uma velhacaria, o conteúdo parece-me sem substância para sustentar um acusação credível, etc….mas “eles” não têm vergonha?”.
    Pois é: não têm mesmo.
    Um dos maiores dramas do “Ser Humano” é a consciência “pesada”, o seu sentido de responsabilidade por actos e omissões.
    Neste caso em concreto, bastaria Thierry Henry exibir, publicamente, um pedido de desculpas pelo gesto praticado, para eu não o censurar. Não foi ele o responsavel pela elaboração das normas que regem o edificio desportivo.E é suposto que tendo cometido uma infracção, essa fosse sancionada pela equipa de arbitragem. O que não sabemos é quanto a sua consciência lhe pesa ( se é que pesa)…
    Caso diferente é o outro: nenhum arrependimento, antes arrogância, perante uma realidade que desmascara, de forma evidente, a promiscuidade que existia entre dirigentes, árbitros, agentes, forças de segurança, prostitutas, etc.
    E o cúmulo da hipocrisia: serem vitimas de uma armadilha montada por Luís Filipe Vieira. Pois é: ter vergonha é o minimo olimpico que se exige… talvez Edgar Morin tenha a resposta sobre estes “Seres”…

  2. Henry pediu desculpa.E encarou a possibilidade de deixar de jogar pela seleccao francesa.Pedir a Henry que imediatamente a seguir a marcacao do golo tivesse o discernimento para pedir ao arbitro para o anular, e ignorar completamente o seu estado emocional naquele momento, e o que e a dinamica de grupos numa equipa de desportos colectivos que esta a um passo de se classificar para a Taca do Mundo.Enquanto a FIFA quiser manter o”conflito” e nao mudar as regras do futebol estas situacoes vao manter-se.

  3. O futebol é a simulação da vida e por isso um enorme recipiente de forças projectivas.Um jogo simples, nós contra os outros, a “justiça/punição” é imediata e quem for melhor ganha (merito pessoal e colectivo não sujeito a interferências sociais)etc… tudo concentrado em 90 minutos. Idealizar para o futebol um comportamento ético diferente de qualquer acto normal do dia-a-dia é um contra senso, a imperfeição existe, a benefício de tantas religiões, livros de auto-ajuda e outras industrias baseadas na redenção.
    O Henry foi decente e “confessou” a culpa…e o Maradona ainda anda por aí…

  4. Por favor, não sejam hipócritas…O Henri pediu desculpa, até disse que achava que o jogo devia ser repetido. Quem pode atirar a primeira pedra, quem poide ter a certeza que não teria metido a mão? Porque não dizem o mesmo do Maradona? Ou do Vata (lembram-se como é que o “glorioso” foi à final da Taça dos Campeões? Porque não atribuem o título de campeão de há 3 anos ao Sporting, que segundo a vossa lógica só não o foi devido a um golo marcado escandalosamente com a mão pelo Paços Ferreira?

    Antes do Irlanda-França já tinha havido jogos e erros. A Irlanda não estaria em posição qualificável sem um penalti escandaloso, absolutamente inventado, que lhe foi atribuído em jogo anterior…

    Ataquem a FiFA, o Platini, quelm quiserem, mas o Henri não. Ele fez o que qualquer jogador faria…e admitiu que o tinha feito. Não falou na “mão de Deus” ou em “uma parte do meu corpo”…

  5. Não sei se pediu desculpa e em que contexto mas o impacto terá sido muito inferior pois quem viu o jogo não viu a «desculpa»…

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