Vinte Linhas 443

Luís Freitas Lobo – uma monstruosa mistificação

Autor de «Os magos do Futebol» (Bertrand Editora) Luís Freitas Lobo escreve a páginas 214 deste livro: «Peyroteo foi o grande goleador da década de 40. Nascido em Humpata, em Angola, no ano de 1918, chegou ao Sporting em 1937, com 19 anos, ainda no tempo do Campeonato da Liga, o último.»

A mistificação monstruosa está nisto: nunca houve Campeonato da Liga. As Ligas foram torneios privados, experimentais e particulares disputados entre 1934 e 1938 nos domingos deixados livres pela disputa do Campeonato de Portugal. Esse sim, esse é que atribuía o título de Campeão de Portugal. Explicando melhor: privados porque se entrava por convite. A Académica ficou duas vezes em último (1934/35 e 1935/36) mas foi convidada para os torneios seguintes. Depois experimentais porque se tratou de uma experiência nova em Portugal: um torneio em que eram atribuídos pontos por vitória ou empate. A tradição desde 1921 era os jogos serem a eliminar começando em 32 avos de final até à final. Tal aconteceu desde 1921 até 1938. Por fim particulares porque nada tinham de oficiais: as equipas entravam por convite da organização e as datas eram designadas nos domingos deixados livres pelo Campeonato de Portugal.

Acontece que os jornalistas do Benfica aproveitaram o facto de o Benfica ter vencido 3 desses 4 torneios para fingirem que não houve Campeonato de Portugal nesses anos e adicionarem assim mais três campeonatos à lista. Freitas Lobo, com aquele ar doutoral e enciclopédico não podia entrar nisto. Nesta monstruosa mistificação. Mas entrou. Tentei contactá-lo através do jornal A BOLA desde 3-11-2009 mas nada respondeu.

9 thoughts on “Vinte Linhas 443”

  1. Só mesmo um doente da bola se preocupava com isto, ao ponto de chamar “monstruosa” a esta suposta “mistificação”.

  2. Caro JCF,

    Sem espinhas. É assim mesmo como escreve e bem, aliás o próprio Peyroteo refere-o no livro onde nos relata as suas (dele) memórias [para quando quando uma reedição? é um livro fantástico escrito pelo, talvez, melhor futebolista (atleta) português de sempre].
    Escrito por… não encomendado a jornalistas, como agora se faz.
    Quanto ao «campeonato da liga» tem toda a razão, quanto ao livro de Peyroteo (presumo que conheça) é um pena só estar disponível em alfarrabistas amigos.

  3. E algumas décadas depois, temos a Taça da Liga, não se entra por convite, mas sabe-se desde o início quem são os finalistas (na primeira edição correu mal, mas não acredito que o incidente se repita). Não tem regulamento que se entenda, como já se viu este ano e no ano passado, não há avaliação de árbitros, e do que já se viu vale tudo, desde que na final estejam dois dos três clubes do costume (não dá mesmo para irem os três?). Depois, na final, tanto faz.

  4. Meu Caro Pedro Oliveira
    Considero que é um livro a reeditar pelo seu valor de depoimento. Talvez contactar o seu filho (homónimo) que é advogado na nossa praça de Lisboa. Chama-se mesmo Fernando Peyroteo.
    Meu Caro Pedro Rodrigues – É assim mesmo, é mesmo assim. Custe o que custar e doa a quem doer eles ganham a Taça da Liga.

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