Vinte Linhas 442

Um homem veio de bicicleta chamar o meu pai

A chamada «fuga de Peniche», aventura extraordinária na qual um conjunto de militantes do PCP se evadiu do Forte de Peniche, aconteceu em 3-1-1960. Lembro-me bem: tinha oito anos e vivíamos no Montijo desde 1957. Na manhã do dia seguinte à fuga, um homem veio de bicicleta chamar o meu pai. Como motorista da Brigada dos Serviços Prisionais destacada para a construção do Palácio da Justiça no Montijo, competia-lhe levar um grupo de guardas prisionais na camioneta Merceds Benz para se juntarem a outros na perseguição dos evadidos, dos «malandros» como eram designados pela estrutura superior do EPL no Linhó. Os nomes desses militantes do PCP protagonistas da «fuga de Peniche» são os seguintes: Álvaro Cunhal, Joaquim Gomes, Jaime Serra, Carlos Costa, Francisco Miguel, Pedro Soares, Rogério de Carvalho, Guilherme Carvalho, José Carlos e Francisco Martins Rodrigues.

As pessoas da minha rua (Sacadura Cabral) lançaram o boato de que o meu pai tinha ido levar os guardas prisionais para o cruzamento de Pegões mas não era verdade; ele foi levá-los ao Linhó onde foram integrados por elementos da PIDE com vista à perseguição dos evadidos. Ir para Pegões à procura de alguém que tinha fugido de Peniche só mesmo para alguém que conhecesse muito mal a nossa geografia.

Nesse dia 4-1-1960 a deslocação da «brigada» foi mesmo feita a pé desde o Samouco até ao local da obra no Montijo. Razões mais importantes a isso obrigaram; coisa que nem os presos nem os guardas apreciavam muito. O jornal «Público» nada disse sobre a data tão redonda mas as acções ficam com quem a pratica. Coitados…

20 thoughts on “Vinte Linhas 442”

  1. Caro Zé do Carmo, o q conta aqui relaciona-se com o seu poema publicado na antologia de homenagem a Garcia Lorca? Calculo q, pelo menos, indirectamente haverá ligação.

  2. O que conto aqui passou-se em 4-1-1960 e a referencia ao «Inverno de 57» no poema para Garcia Lorca tem a ver com a nossa fixação no Montijo entre o Verão de 1957 e o Outono de 1960 quando fui fazer a 3ª classe a Santa Catarina. Aprendi a ler nos jornais que o meu pai trazia à noite e não deixa de ser algo comovente que o primerio grande jornal onde escrevi DIARIO POPULAR em 1978 era o mesmo onde aprendi a soletrar as palavras…

  3. Quanto mais leio sobre essa ‘fuga’ mais me convenco que a mesma teve o patrocinio da Pide e o beneplacito de Salazar. Doa a quem doer. Fuga de Caxias, idem, idem, aspas, aspas. Mas va la provar-se que o menino Jesus nasceu numa manjedoura.

  4. Que ninguém duvide dessa mais do que certa possibilidade de ajuda por parte da PIDE/DGS e da mão acolhedora e aconchegadora do anterior regime, pois após o 25 de Abril pude constatar in-loco a quantidade de grandes ex-ANP que se tornaram grandes militantes do PCP e do PS, e falo de acontecimentos vividos numa região particularmente comunista que é o Barreiro.
    Hoje mesmo temos autarcas que integram as listas da CDU do Barreiro, que eram conhecidas figuras da ala bufa do antigamente.
    Quem será que já se esqueceu de um conhecido comerciante bufo do Lavradio, cujo filho é hoje um grande autarca???
    Quem será que se esqueceu de um conhecido professor do Lavradio, que era ferveroso adepto da ANP, daqueles de sair de bandeirinha e tudo, para ajudar nas manif do senhor Presidente do Conselho e depois virou democrata do PS, falo claro do Prof. Silva.
    Devemos chamar os ‘bois’ pelos nomes, não é o Lopo???

  5. Não estava à espera de provocações mas isto acontece. Quem anda à chuva molha-se. Mas considero miserável este tipo de comentários. Não faz qualquer sentido esta demagogia troglodita. Estamos em 2010, tenham um pouco de juizo e de bom-senso. Safa!

  6. Meu Caro JCF,

    Quando voce abre a boca nesta materia da marmelada anti-fascista, ou entra insecto ou sai…bom, dejecto, para prestar homenagem a si e ao seu amor pela rima. Provocar seria insinuar que o seu pai andava a trabalhar para a bofia, baseado nos dados que nos deu, coisa a que eu nunca me atreveria por pensar que isso afectaria o bom funcionamento do seu pancreas.

    Voce ainda tem muito que aprender. Uma delas, so como exemplo, e a de que ha mais cafeina no cha que no cafe.

    Joao Massapina,

    Isso que nos conta, e em que acredito porque ha pior, nem e preciso testemunhar. Basta presumir. Ate o Valupi, com a ajuda dos corolarios.

  7. O meu pai foi um motorista eventual que trabalhou alguns anos para os Serviços Prisionais sem qualquer vínculo. Transportava com a sua camioneta a cal, a areia, a pedra, os tijolos e outros materiais para o palácio da Justiça do Montijo e é nesse contexto que conto o que se passou em 4-1-1960. Nada mais. Não sejas provocador. Quanto a eu «ter que aprender» não duvido mas só posso aprender com quem sabe mais do que eu. O que não é o caso.

  8. És mesmo tolo JCF, safa! Aí o Massapina sabe do que fala, porque o pai dele era da PIDE, embora do pessoal menor.

  9. Tu «Guarda diurno» não és, nem sequer és tolo porque o que tu dizes vale menos do que o peido de um cigano. O que eu conto é o que eu vivi no Montijo nesse ano e não admito que nenhum pobre diabo me venha com parvoíces. Vai-te espojar para outro lado, burro!

  10. Por Amor de Deus, JCF, seja comedido. Agora tambem ja e racista? Agora um peido dum cigano ja nao vale tanto como um peido dum frequentador do jardim do Principe Real? Porte-se como gente, meu amigo, senaso para a discussao.

    E veja o que encontrei num blogue. Vai saber-lhe que nem gaitas – mais ainda que a colher de sopa depois do jantar com vinagre e mel (fifety fifety) dissolvida em agua para amansar excrecoes pancreaticas:

    ”SÃO JOSÉ ALMEIDA – CRÍTICA AO III VOLUME (PÚBLICO, 8/12/2005)
    QUANDO CUNHAL TENTOU ENGANAR A PIDE

    Ao declarar ser sua intenção proceder de acordo com a Constituição e as leis em vigor, está expressa a intenção de não participar em quaisquer actividades consideradas por lei como delituosas. Mais precisamente, é sua intenção afastar-se de todas as actividades de natureza política e afastar-se, portanto, de “ligações” e “contactos” com quaisquer pessoas que, para isso, o pudessem solicitar.” A passagem citada, em que Álvaro Cunhal aparece como tentando enganar a PIDE e convencê-la de que se afastaria da actividade política, de modo a conseguir a sua libertação – noutro momento admitiu emigrar para o México ou o Uruguai -, pertence a um auto de declarações de Álvaro Cunhal à PIDE, datado de 2/11/1959 e que vem citado no III volume da obra Álvaro Cunhal Uma Biografia Política O Prisioneiro (1949-1960), da autoria de Pacheco Pereira, recentemente editado pela Temas e Debates.”.

    E digo eu, com a provocacao (que voce me imputa) do costume:

    Tentou enganar a PIDE’?!!!, (Santa Maria, Mae de Deus, blablabla! bla bla!),O queh? a dois meses duma ‘fuga’ que estava sendo preparada meticulosamente ha perto dum ano e que incluia a criacao de boas relacoes artificiais com carcereiros e obtencao em troca de certas ‘regalias’!! Essa nao cabe nem na tola do jornalista menos preparado nos confins das bercas lusitanas!!!

    Ademais, um kirilenko qualquer, ex-oficial do KGB, teve o cuidado de incluir nas suas memorias uma mencao as toneladas de papeis transferidos da Antonio Maria Cardoso para os arquivos de Moscovo, durante a epoca de desassossego e incerteza logo a seguir ao 25 de Abril. Os bufitos, coitaditos, lixaram-se, sempre assustados quando viam um lampiao. Agora dos BUFOES, e da grande camarilha de fraque e labita, e dos grandes ‘herois’ de grilheta e que ninguem sabe nada nem possivelmente ira saber.

    Outra vez: modere essa linguagem.

  11. O ‘guarda diuno’ para parvo nada lhe falta, e se analisarem bem o que escreve, chega-se a conclusão de que já esta doutorado nessa materia.
    Se fosse melhor informado, e não tão aparvalhado nas opiniões; percebia que existem pessoas que foram verdadeiros anti-fascistas, mas nunca necessitaram de se colocar em cima de caixas de sabão para parecerem mais altos aos olhos dos outros.
    Consulte a historia sobre a ditadura, na Torre do Tombo, e acredite que vai ter muitas surpresas em relação as ‘tonterias’ que escreve, incluindo as que a mim dizem respeito em termos familiares.

  12. JCF, meu dilecto amigo,

    Passou-me citar-lhe um pormenor interessante relacionado com a ‘fuga de Peniche’: o seu adorado futebol. Que linda oportunidade que voce perdeu para alindar o post recordando os melhores jogadores da altura nessa area e quantos deles teriam reconhecido os fugitivos!

    Joao Massapina,

    Aproveitei para dar uma olhadela rapida aos seus blogues, que achei bastante bons e engracados. No seu escrito sobre a questao da reducao das unidades oncologicas refere o numero de ‘40.000’ novos casos de cancro por ano em Portugal. Ser-lhe-ia posssivel deixar aqui o link ou nome da revista, jornal ou livro donde retirou essa estatistica.? Grato.

  13. Essa de tentar chamar «dilecto amigo» é mesmo uma miserável provocação. Não te conheço de lado nenhum e depois de uma provocação sobre a fuga de Peniche não vem nada a propósito. E depois o Futebol não é adorado coisa nenhuma: sou co-autor do livro «Glória e Vida de Três Gigantes», sou autor de «O Desporto na Poesia Portuguesa» e de «Pedro Barbosa, Jesus Corriea, Vitor Damas e outros retratos». Poemas meus são estudados nas Universidades de Veneza e Pádua. Vai-te catar!!!

  14. Prezado JCF,

    Na verdade, nao tentei nada, ja reparou, chamei mesmo e nao volto atras nem que voce meta um anuncio no DN a desmentir as nossas relacoes amistosas. Por outro lado, tambem sei que nao corresponder e evidentemente um direito seu, mas nao altere o que digo com sinceridade arrancada do peito, especialmente porque sei que e uma pessoa injustamente submetida a caprichosa ditadura da insulina com o adicionado risco de outras syndromes ainda mais graves se instalarem no seu debilitado organismo. Espero que nao.

    E folgo saber que os seus poemas sao alvo do estudo dos alunos de Padua e Veneza. Nunca essa lanca tinha sido arremessada por si neste campo de batalha de inveja e vaidade. E realmente de fazer cair tomates de alegria a qualquer um, mesmo que nao seja seu amigo como eu!

    Passe bem, seu vate.

  15. Não por ti (não mereces) mas por outras pessoas que possam aqui ler, vai uma informação: nem inveja nem maldade – a cadeira chama-se «Il linguaggio del calcio come cultura» e tem sido regida pelo professor Silvio Castro.

  16. Os dados são públicos, e foram divulgados em vários órgãos de comunicação social, nomeadamente no D.N., J.N., Correio da Manhã e Publico, tal como consta do post, que tal como vem citado recebeu informações da Coordenadora Nacional para as Doenças Oncológicas, e também do presidente do colégio da especialidade de Oncologia da Ordem dos Médicos, meu bom amigo, e ex-colega Deputado (embora de bancada parlamentar diversa) na Assembleia Municipal do Barreiro, Dr. Jorge Espírito Santo.

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