Vinte Linhas 343

«Tribunais Políticos» entre 1926 e 1974

Os processos dos chamados «crimes políticos e sociais» e os ditos «crimes contra a segurança do Estado» que foram julgados em Portugal entre 1926 e 1974 pelos Tribunais Militares e pelos Tribunais Plenários, são o ponto de partida para este trabalho de Irene Pimentel, João Madeira, Luís Farinha e Maria Inácia Rezola com a coordenação de Fernando Rosas.

São 3975 réus julgados entre 1933 e 1945 e 3888 réus julgados entre 1945 e 1974, 61 por cento dos quais são oriundos do mundo operário (indústria, transportes, agricultura) emparceirando numa espécie de frente popular com aqueles sectores que eram a base do republicanismo radical (pequenos industriais, comerciantes e proprietários) e os empregados dos serviços das cidades – caixeiros, funcionários públicos e empregados de escritório.

Os advogados de defesa destes réus são em número notável e algo inesperado: 320 no período inicial de 1926 a 1945 e 386 a partir dessa data até 1974. Os juízes entre 1945 e 1974 são ao todo 81 e a justiça democrática saída do «25 de Abril» foi muito lenta e generosa para com eles. Várias das mais sinistras figuras dos Tribunais Plenários terminaram gloriosamente as suas carreiras nas cadeiras prestigiadas do Supremo Tribunal de Justiça. E nunca pediram desculpa às suas vítimas.

Esta edição com 663 páginas do Círculo de Leitores e da Temas e Debates integra no seu final uma lista tão completa quanto possível dos réus julgados nos tribunais do Estado Novo. Alguns dos processos foram distribuídos às diversas comarcas do país e o seu rasto perdeu-se no escuro dos arquivos.

9 thoughts on “Vinte Linhas 343”

  1. Penso que neste caso não foi uma questão de esperteza mas sim de conjuntura. No meio da confusão instalada não pediram desculpa e forma subindo, subindo.

  2. A tirania sacode até a respiração mais pacata. Por cá, a história registra perseguições e crimes desde a zanga do filho com a mãe, início de construção nada católico para um país de fátimas e de nunes, assim ou com outro nome. Sempre o pé descalço à beira de um arco íris, receita engajada e espalhada pelas encruzilhadas quando se pretende afogar uma esperança, uma réstea de punho, um cantar de amigo, o simples estrebuchar do sonho, de qualquer sonho. Querer melhorar a condição de vida tem sido, ainda é, no ver-parvoíce da politicagem, real ou armani, delito a ser severamente punido. Abram alas, o círio avança…
    Os tiranos têm mil anos, outros mil virão. No cadafalso da nossa indignação, valha-nos os deuses, há reserva de cestos. É saber aproveitá-los!

  3. Ó jcf, então tu colocas os assalariados agrícolas como pertencendo ao mundo operário? Tch… tch… tch…
    Fazia-te bem uma ronda pela História a perceber por que razões o PCP nunca permitiu que o MPLA pudesse designar-se como partido comunista e só muito a custo permitiu que se chamasse partido do trabalho.

  4. E tu Zeca Diabólico escusavas de entrar por maus caminhos. Finges não saber que sempre foi usual a expressão operário agrícola ao laod de trabalhador rural assalariado rural e antes era maltês. A propósito de maltês: cuidado porque para parvalhoto só te falta o til.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.