Vinte Linhas 256

Com que então «Digna-se estar presente» o Nobel

A Secretaria Geral do Ministério da Cultura enviou-me um convite no qual José António Pinto Ribeiro, o ministro da cultura, me convida para a inauguração da exposição «José Saramago – A consistência dos sonhos» organizada por Fernando Gomez Aguilera. Até aqui tudo normal. Mas a segunda parte do convite contém uma frase estranha «Digna-se estar presente o escritor José Saramago.» E digo estranha porque assim até parece que ele está num céu demasiado azul e demasiado alto de tal modo que se digna descer até nós. Vindo deste ministro que aparece a defender o acordo ortográfico como se dependesse dele a salvação do Mundo e que ainda há dias vi numa cerimónia protocolar na Biblioteca Nacional a impedir de modo hostil que um fotógrafo trabalhasse (fotografando o ministro) na entrega do espólio de José Cardoso Pires ao Estado Português, cheira um bocado a esturro. Ainda se o Nobel se dignasse estar presente para explicar porque fez desaparecer depois de 1992 os nomes das pessoas do Lavre que lhe contaram as histórias do livro «Levantado do Chão» e sem as quais o livro nunca teria sido escrito por uma pessoa que nunca viveu no campo mas sim na Penha de França… Além do nome da Isabel da Nóbrega, são estes os nomes suprimidos na dedicatória: João Domingos Serra, João Basuga, Mariana Amália Basuga, Elvira Basuga, Herculano António Redondo, António Joaquim Cabecinha, Maria João Mogarro, João Machado, Manuel Joaquim Pereira Abelha, Joaquim Augusto Badalinho, Silvestre António Catarro, José Francisco Curraleira, Maria Saraiva, António Vinagre, Bernardino Barbas Pires e Ernesto Pinto Ângelo. Mas não. Ele não se digna fazer isso. Tal como eu não vou lá pôr os pés. Safa!

51 thoughts on “Vinte Linhas 256”

  1. JCF, disse-te o Valupi, ao comentar um dos teus posts, «que devias olhar menos para ti». Eu dei-te o mesmo conselho por outras palavras. Mas tu pareces embicado em não entender e cais no ridículo. És lixado, pá! Mais uma vez cá te encontro com a senil vaidade do costume. repara lá, pá: «A Secretaria Geral do Ministério da Cultura enviou-me um convite no qual José António Pinto Ribeiro, ministro da Cultura me convida…» Em que é que ficamos, pá? Recebeste dois convites ou foi só um? O da Secretaria ou o do ministro? Tanta cagança, JCF! Por ventura tens ideia de quantos convites iguais ao teu foram enviados? Magine-se!
    E depois essa sanha antiga contra o Saramago. A história da Zabel e da dedicatória. E a outra, da tal famíla que lhe contou a história do “Apanhado do Chão” – traumente, também a escreveu, não? -, a quem ele também retirou a catrefa de nomes que te dás ao trabalho de enunciar. Quantas vezes nós já levámos com essas histórias contadas por ti aqui no aspirina, pá? Chega e pára lá o baile! O Saramago fez-te alguma,isso, vê-se que fez, e tu não lhe perdoas. Porque não contas antes essa história, pá? Essa sim, era inédita.
    Dizes que não vais lá pôr os pés. E ele ralado. Ou pensas que vai dar pela tua falta? Vens práqui chagar a gente, quem diz safa, sou eu. Livra!

  2. JCF
    O comentador anterior se calhar vai pensar que com esta quero apenas exibir-me. Mas não é nada disso. Há uns anos já acrescentados, o José Saramago esteve em Ponta Delgada numas jornadas literárias. Ele foi de uma simpatia extraordinária. Os outros que vieram do Continente também foram, sobretudo o Urbano Tavares Rodrigues, mas o Saramago fez questão de estar sempre comigo até ao fim do serão. Chegámos mesmo a descer à praia de S. Roque, apesar de já ser noite, e tirámos duas fotos. Uma acabei por enviá-la a um amigo espanhol que é seu grande admirador.
    Eu também tinha a ideia de que ele era inacessível, orgulhoso e tudo isso. Mas passou-me completamente. Até hoje e até prova em contrário.

  3. Saramago deve ter-te ferido imenso! E a parte visível do teu ódio é tão intensa que deve ter-te ferido na vaidade. Hum… Será que algum dia ousaste mostrar-lhe os teus poemas e ele foi sincero?

  4. É bem possível que o JCF nos esteja a esconder passagens com potencial biográfico que explicariam a sua insistência em lembrar-nos das pinceladas de lexívia sobre os nomes dos verdadeiros heróis dum romanceco do Saramago. Agora que o peido do “dignar-se” é tipicamente português e aristocrático, disso não tenho dúvidas nenhumas, e até me faz ter saudades de salazarismos condenáveis com bastante azeite e um dentinho de alho.

    Por outro lado, a nobeleza que se mistura com estes vinagres para lhes dar mais destaque, não me aquece nem arrefece. Os doze judeus que ganharam prémios de literatura aos longo de noventa e tal anos (o resto foram ateus e comunistas com alguns cristãos dispersos e um mulçumano e hindu para enfeitar) ajuda-me a manter esse equilíbrio de temperatura.

    E depois as injustiças das nomeações sem sucesso de tanta malta que merecia ser galardoada. Como o Hitler, por exemplo, que foi seleccionado como merecedor para o nobel da Paz em 1939 e ninguém fez a vontade ao judeu que o propôs.

  5. Senhor, não me parece caso para se recusar a dignar o acontecimento com a sua presença. Acontece simplesmente que algum funcionário mais bizantino da Secretaria Geral do Ministério, entendeu colocar aquela fórmula do “digna-se estar presente”. Já terá levado nas orelhas. Merece isto um post?

  6. É bem a imagem da pequenez do portuga, este post!, como se o texto dum convite deste calibre fosse determinado pelo Ministro ou, sequer, por um qq Sedcretáro de Estado…às tantas é um texto formatado p qq ocasião do género…qt mais ser da responsabilidade do visado no evento!

    Em todo o caso, se o homem recebeu o Nóbel ñ foi, por certo, com a concordância do Estado, pelo q seria mt justo q…não se dignasse a comparecer a fantochadas destas…ou, na situação talvez mais de acordo com a realidade: que não se sacrificasse, dada a idade e o estado de saúde…mas, entre a ignorância e a má-fé do autor do post, venha o diabo e escolha!

    Já qt às restantes considerações, cheias de raivinhas mais ou menos destiladas em ‘venenoso ressabiamento’, bem q o autor do post poderia tentar ser mais subtil, tornando menos evidente a tal pequenez referida logo de início…

    [só uma parvoíce destas p me fazer soltar a tecla, de novo, por aqui, grrr…]

  7. E já agora…quem és este José do Carmo Francisco, raios?!?…já percebi q deve ser dos ‘jetoitos’,para receber assim covites tão solenes, mas…qual é a obra feita???…rai’s parta a minha ignorância…:=>

  8. Aquilo que eu sou e a minha obra poética não é para aqui chamada nem vem nada a propósito. A única coisa que interessa é que recebi um convite para a inauguração de uma exposição e uma expressão nele contida sugeriu-me um comentário sobre uma situação real nas edições actuais do livro «Levantado do chão». A dedicatória foi rasurada. Mais nada.

  9. jcfrancisco
    Abr 22nd, 2008 at 13:21
    Aquilo que eu sou e a minha obra poética não é para aqui chamada nem vem nada a propósito. A única coisa que interessa é que recebi um convite para a inauguração de uma exposição(…)

    Ok, já percebi o q é q realmente (lhe) interessa…a mim, no segundo coment, interessou-me assumir a minha ignorância…e daí? Em nada anula o q escrevi no primeiro coment, resultado das impressões q me foram sugeridas pelo seu post! Mais nada.

    [mas, como sou mt ignorante, continuo sem perceber o q tem a ver uma expressão idiota num convite formatado com ‘a situação real das edições do livro «Levantado do chão»…mas isso sou eu q sou mt ignorante, claro!]

  10. JCF, estou consigo na lembrança dos contadores de estórias vilmente ignorados pelo nosso Nobel. É uma questão menor? Será para quem só o seu umbigo interessa. A dignidade vive de pequenas coisas muito importantes. Nestes termos, a lembrança foi oportuna.

  11. O pior é que eu já ouvi esta história uma dúzia de vezes só aqui no Aspirina. Parece obsessão. Ódio de estimação. Anda muita invejazinha por aí desde que o homem ganhou o Nobel e, naturalmente, se tornou menos acessível pró maralhal, como sempre acontece, forçosamente, com quem por alguma razão passa a estar na ribalta. Os nomes “rasurados” foram-no por vis razões? Tem a certeza? Ou é processo de intenção?

  12. Inveja não; de modo nenhum. Basta comparar as edições de 1980 e as de agora para perceber a diferença. Inveja não; repulsa. Os nomes desapareceram e o importante é o facto em si – desapareceram. Se as razões são vis – não interessa. Desapareceram e isso basta. Ele próprio dizia que sem eles não teria escrito este livro. Não é obsessão, vem a propósito do convite para a exposição. Não perceber isto é não perceber nada.

  13. Por acaso, conheci o Saramago em Reikyavik, a 11 de Setembro de 2003 – num dos auditórios universitários – com ele outros estavam, inclusive o Yann Martel, a apresentar a “Vida de Pi”. Como ando sempre com livros, por coincidência tinha o do Martel e dois do Saramago. No final da palestra estive cerca de 5 minutos com ele, recebi autógrafos e dei, uma vez que também levava comigo um dos livros que fiz publicar. Ele ficou bastante dignado, e pareceu-me bastante acessível… eu é que não estava para muitas conversas e retirei-me :)

  14. Cláudia, mas ele tem um meu – entreguei-o em Raykjavik ou Reikyavik, como preferirem. Encontrava-me lá para um “meeting”, com uma islandesa, e como elas são frias, resolvi levar uns livros, não fosse apanhar uma seca :) Vai dai, num certo dia, observo, num jornal local, que o Saramago encontrava-se por lá para o lançamento de um livro. Disse-lhe: “Bjork, tens que ir comigo a esta conferência, não posso perder uma oportunidade destas.”

    Assim foi, no dia 11 de Setembro de 2003, lá me encontrava na companhia da Bjork.

    Ele não deixou de ser ele, na polémica. Tinham assassinado aquela primeira ministra da Noruega, ou de um daqueles países nórdicos (agora não me lembro com precisão), e era suposto haver alteração nas apresentações (com ele encontravam-se outros romancistas e poetas), mas ele fez questão de cumprir a agenda – quis lá saber se uma ministra tinha sido assassinada. Para os da terra é que aquilo não caiu muito bem, até tinham colocado a bandeira a meia haste, uma vez que aquele país tinha fortes ligações com o da tal ministra. O que é facto é que a apresentação teve lugar.

    Como soube com antecedência que ele estaria lá, vasculhei na mala e apareceram dois: o Ensaio sobre a cegueira e o Ano da morte do RR. Também levava comigo o do Yann Martel – ao qual também ofereci um dos meus e recebi um autógrafo no a “Vida de PI”…

    E isto é mesmo verdade. Quer o Yann Martel quer o Saramago têm com eles o “Trespassa-se”, um livro de poesia que fiz publicar em 2001 – foi mesmo uma coincidência enorme tê-los encontrado, pois quando me desloquei, as intenções eram mesmo as que mencionei acima. Ele conversou comigo e achei-o simpático.

  15. Digna-se estar presente o escritor José Saramago.

    Tu não vês, jcfrancisco, de que se trata de uma fórmula quase convencional de escrita que não cola forçosamente à realidade? Maneira de falar, é um protocolo, uma convenção, um uso corrente. Tu querias que ele escrevesse o quê? O camarada vai estar aqui com a malta? Venham daí que ele vai estar no meio de nós?
    Deixa-te de pusilanimidades com formas convencionais de escrita, jcf.

  16. Os últimos anos da relação de Saramago com Isabel da Nóbrega (sem casamento) foram maus. Falta de dinheiro e de amor. Não se justifica que nas inúmeras reedições do livro se mantivesse a dedicatória, quando, pouco tempo depois, Saramago já estava casado com a Pilar.
    Escritores há que nos seus primeiros títulos tiveram a “bengala” de algumas palavras de apresentação (espécie de introdução) de autores consagrados. Todavia, e porque a sua obra alcançou sucesso e começaram a ser conhecidos, nas reedições seguintes optaram por retirar essas mesmas palavras. Não se justificava que após um percurso e um nome já feito continuassem a manter as palavras que acompanharam o seu livro de estreia. É normal e ninguém se melindrou com isso. Num caso e no outro, não há má fé nem «rasuramento», nem o «apagar de nomes». Não há ingratidão, mas apenas bom-senso.
    O mesmo se passa com a referida família. Houve um primeiro agradecimento aquando da saída de “Levantado do Chão”. Saramago fez um agradecimento público. Para quê repeti-lo nas reedições seguintes? Certamente que a citada família guarda exemplares da primeira edição! Os nomes estão todos lá. Se assim não fosse, como é que JCF teria acesso a eles – ainda por cima uma lista bastante longa?
    Também eu tenho o Saramago como pessoa amável e acessível. É claro que a distinção de um Nobel não é o mesmo que ganhar os «jogos florais dos lençóis Coelima»! Semblante sério e de não muitas palavras, sempre assim o conheci desde o 25 de Abril. Participámos, com outros autores, nas então chamadas «Assembleias de Moradores» dos bairros populares de Lisboa. Sempre se mostrou participativo e simples. O Nobel terá sido a gota de água. As suas atitudes e afirmações também não têm agradado a todos.
    Na entrega do Prémio José Saramago, foi de uma enorme gentileza para com os presentes. Tive oportunidade de conversar com ele e com a Pilar, lembrámos coisas passadas e falámos, principalmente, de plantas aromáticas, que ambos gostam de levar de Portugal para plantar no jardim, lá em Lanzarote.
    Se JFC insiste em denegrir o escritor apenas pelas dedicatórias suprimidas, penso que o assunto não merece o trabalho a que se dá. Para não falar na insistência no tema – por demais repetido.
    Agora o «digna-se estar presente», não passa de um pró-forma, do qual o Saramago não tem culpa. Tenho recebido convites do mesmo género, quando se trata da presença de pessoas ilustres. E o Saramago, custe a quem custar, merece essa «distinção», por mérito próprio. Sempre se trata de um Nobel!

    Elypse:
    Você, então, é que «não estava para muitas conversas e retirou-se»? Quer dizer, eclipsou-se!

  17. “pontos nos ii”, nesse contexto é óbvio que brincava.

    Tive grande prazer em conhecê-lo, ainda mais atendendo à circunstância em que tal se deu. Já aqui disse que ele foi bastante simpático para comigo, perguntou-me o que fazia por ali, se trabalhava e estudava. Disse-me qua ainda naquele dia se deslocaria para Inglaterra. Falou-me na Pilar, mulher pela qual se observa que tem grande carinho e respeito, etc. Para rematar: fiquei muito dignado que ele me dirigisse palavra e brincado comigo assim como eu brinquei com ele. A certa altura, quando lhe entregava os livros que mencionei para serem por ele rubricados, questionei-lhe: “Qual me aconselha que leia primeiro: o Ensaio ou o A de RR.” E antes que ele respondesse disse: “Se calhar é melhor ler o do Ano da morte de Ricardo Reis, não vá ficar cego com o seu ensaio”. Ele sorriu, e disse: “Luís, não quero crer que você fique cego.” Ia para me retirar, e ele pediu que aguardasse. Foi então que passei a uma breve conversa que muito me significou.

  18. Ó Zé do Carmo, inda bem que vomecê não é juiz, porra.
    “Se as razões são vis ou não, não interessa”.
    Essa agora!

  19. Claro que não; o que interessa é que ele apagou os nomes das pessoas que o ajudaram a escrever o livro e sem as quasi ele nunca o teria escrito. Os factos apenas os factos, o resto é enquadramento. Quanto ao juiz já lhe expliquei que sou Juiz Social. Num Tribunal de Menores. Desde 1993. Chega?

  20. Acho que vocês só falam daquilo que não interessa. Se falassem das obras dele, demonstrariam ponta de inteligência em vez de estatelarem episódios de novela mexicana.

  21. «Temos mais é que estar calados», ó Elypse, quem é que disse!? Não vês que o baile continua?

    Dado o teu curriculum, quando apresentares algum livro teu não te esqueças de escrever no convite, «digna-se estar presente JCF»! Vale mais um poste teu que toda a obra do Saramago, pá! Essa de seres juiz também já tinhas informado a malta. Presunção não te falta, vê se te enchergas, pá. Olha que nem os bons deste blogue cagam tantas postas de pescada como tu. És enviuzado como um burro, chiça! Não te entrou na tola os comentários já feitos, a lição que deves tirar daí? E essa raiva incontida e tão à vista…Vai-te lixar, pá!

  22. Bom, se o Zé do Carmo é juiz, mesmo social, estamos pior ainda.

    Você ainda não percebeu que as “razões” determinam os “factos”? Que as razões também são “factos”? Qual enquadramento qual caraças!

    “Se as razões são vis ou não, não interessa”!
    Essa agora! Essa agora! Essa agora! Mil vezes essa agora!

  23. Desculpe lá, ó Nik, mas você é que trouxe pra qui essa do “vil” e pelos vistos é o unico que continua a chupar sem parar nessse rebuçado. O JCF não usou o termo. E vil vai de coisa sem importância a abjecto e torpe, escala enorme.

    Se você fizer uma pesquisa nos blogues de divulgação da moral para bem da fraternidade lusa, irá descobrir que há outras coisas condenáveis que não denotam vileza. POr exemplo, apanhar gambozinos ao candeio ou andar em Lisboa e não ver carros eléctricos, ter-se a mania que se é muito esperto, vaidade, oportunismo, etc. etc.

    Vamos lá, não se enterre em mais vilezas e peça desculpa ao senhor…

  24. Só para esclarecer o que significa, na realidade, o título de juiz social que o JCF, porque o é, teima tão empenhada e pomposamente em divulgar e repetir.
    O exercício do cargo de juiz social constitui um serviço público obrigatório, sendo considerado como prestado na profissão do respectivo titular e dá direito a ajudas de custo e indemnização por despesas de transporte e perdas de remunerações que resultem das suas funções.
    Os juizes sociais que hão-de intervir nas causas da competêcia dos Tribunais de Menores são nomeados de entre os cidadãos residentes na área do Município do respectivo Tribunal.
    Nada mais do que isto.

  25. “Se as razões são vis – não interessa”. JCF, 22 Abril, 16.55.

    Este crótalo deve ser daquelas cobras que não vêem nada de dia.

  26. senhores:
    Tenho estado a gostar muito, no geral. Quero dizer-vos que me roí de inveja com a parte dos autógrafos e sobretudo com o pormenor do privilégio da conversa personalizada, tipo falada, com perguntas e tudo, se estuda, se trabalha, mostre o seu, olhe o meu, assine aqui, com a própria mão, incrível, inesquecível! Achei tal benção um delírio, uma dádiva do destino que enriquece o percurso de qualquer um.
    Já quanto a comentar fiquei hesitante, confesso, pensei se teria alguém famoso, assim, que eu tivesse algum dia visto de perto ou, num deslumbre de glória, apertado até nas minhas a sua famosa mão. Pensei e nada. Estive para me retirar sem pio, mas lembrei-me a tempo. Ora sentem-se e ouçam. Se fazem favor, evidentemente.
    Foi nos anos 80, isso eu sei, não em qual; uma viagem do Benfica à Califórnia e a Toronto para o torneio do Blizzard, uma espécie de ATL de verão para o clube fazer uns tostões, que julgo ainda existir. Seis dias de levanta e aterra, sorrisos e bacalhaus aos emigrantes, fotos de grupo e jantaradas, três jogos e duas taças pelo meio. Eu, repórter maçarico, ia no embrulho por causa de uma reportagem/documentário para os 80 anos do clube, e com o barulho das luzes (e o meu sex apeal, digo eu), passava por mais um dos ‘gajos do Benfica’ para o povo deslumbrado com os craques, (o que na circunstância me bastava para ser feliz, confesso, a idade, enfim..).
    Na chegada à Califórnia houve o primeiro banho de multidão. Eram uma centenas de Manéis e Marias, muito Joe e muita baby, novos e velhos, de cachecol e bandeirinha, que apertavam a comitiva à medida que esta desaguava no lounge do aeroporto e brandiam os livrinhos e papelinhos para o autógrafo da ordem. Os craques da altura, o Filipovic, o Álvaro Magalhães, o Shéu e outros eram os mais solicitados. Mas, danado para arrancar para o hotel, o próprio Erickson se ria quando via até o roupeiro do clube, um castiço baixinho chamado Zé Luís, ser agarrado para um autógrafo e puxado para uma e outra fotgrafia. Por isso não foi escândalo nenhum quando este vosso amigo aqui deu por ele sem chance de fuga a uma dúzia de manápulas que exigiam o seu abraço de saudade lusitana e admiração benfiquista, mais o autógrafo da ordem para recordar o dia em que o Benfica cá veio, pá, tenho até os autógrafos dos gajos, pá! E lá autografei como pude, fui abraçado e espremido e retratado em polaroids para a posteridade. Houve quem estivesse mais de cinco minutos comigo, e se despedisse com lágrimas de gratidão pelo autógrafo. A cena repetiu-se sempre que foi impossível fugir, e não adiantava querer explicar: ninguém queria más notícias, fantasias não se estragam.
    Pronto, sei lá, quis que os senhores soubessem esta minha história. Afinal, um destes dias podem ter um “meeting”, com uma islandesa, e como elas são frias, sempre têm uma aventura para contar e meter conversa, em vez de levarem uns livros que façam a pobre apanhar uma seca.

  27. “Este crótalo deve ser daquelas cobras que não vêem nada de dia”

    Acertou em cheio, Nik, mas só para confirmar a paranóia que o tem afligido ao longo destes comentários – que não é “vil”, vamos lá, mas muito condenável em termos do desmazelo semântico-jurídico que afecta a eficiência dos ficheiros da sua biblioteca intra-cranial. O JCF só usou “vis”, e eu reparei nisso como toda a gente, porque você fez-nos o favor de começar a roer esso osso duro no comentário precedente. Só isso. Se ele tivesse usado umas aspazinhas é como se o dito dele tivesse saído da sua boca. Comprenda?

    Aliás você, grafonola hiperbólica com motor de arranque politicamente independente, tem muito a mania de exagerar de acordo com o evangelho da sua necessidade em parecer iluminado e proprietário das refinarias democráticas. O último tiro para o ar que saiu da sua pistolinha foi o de “ter visto esta história uma dúzia de vezes só aqui no Aspirina”.

    Não sei se a memória me falha, mas, pelas minhas contas de somar, esta história foi aqui referida como post não mais que três vezes pelo JCF, duas ao correr da pena e esta mais pormenorizada que acordou vários humores em ninfas e faunos habituados aos protocolos sem significado nem ofensa dos velhos e tradicionais secretários dos ministérios.

    Agora diga-me lá quem é que anda armado em licanço.

  28. Pois pois… Foi aquela música maluca das gaiatas de foles na Juventude da Galiza sobre o lançamento do livro do Adalberto Alves, o João d´Ávila a dizer poemas, a Luísa Amaro e o António Eustáquio a tocarem e a gaita de foles a tocar mais alto. Falo das coisas sempre a propósito e neste caso era a integração em Espanha preconizada pelo filho do subchefe da PSP e muito comentada no «aspirinab». Só não se lembra quem não tem memória ou como diz Carlos Garcia de Castro «todos se lembram mas ninguém recorda».

  29. Para, mais uma vez, tentar amesquinhar o Saramago, JCF não lhe diz o nome, mas chama-lhe «filho do subchefe da PSP». E depois, pá? O que é que tem isso? Lembra-me a fábula do “cordeiro e do lobo”. É pá, és mesmo rancoroso e vil.O crótalo ainda não te conhece bem. Ele que vá à merda!És recalcado e de má índole. Safa! Conta é a razão porque odeias o Saramago. Conta,pá, se tens tomates! Mas tu não tens nem um raminho de salsa.Livra! E o teu pai, pá, quem foi ele? Não me digas que foi preso pelo subchefe da PSP, e por isso o teu ódio repetido até à exaustão pelo filho? Metes nojo e devias era ter vergonha, que é coisa que não sabes o que é. Vai-te lixar, mais a tua vaidade senil e à tua inveja!

  30. Não percebes nada disto… Por ser um menino da Penha de França é que ele esteve cinco meses a viver no Lavre a ouvir as histórias do livro. Por isso escreveu na dedicatória «sem eles não teria sido escrito este livro». Não se poede discutir sem saber. Não sabes. Mão percebes. E falas em «ódio». Não nada disso. E «amesquinhar» como se fosse possível não perceber

  31. Olhá, Zé do Carmo, eu, se fosse juiz social, condenava-te a uma semana de gaita de foles galega, 24 horas por dia, em prisão de alta segurança. Pena remível mediante acto de contricção circunstanciado e pedido de desculpas público ao velhote que honra Portugal.

  32. Coitado do JCF, não há dúvida de que está senil e esclerosado. Como é possível, depois destes comentários todos, continuar a dizer da tal família, aquilo que, afinal, em dedicatória o Nobel agradeceu: «sem eles não teria sido escrito este livro»!
    E os outros livros, também deve agradecer à família do Lavre tê-los escrito? E o que é isso, de o Saramago «ser um menino da Penha de França» como tu dizes com o teu costumado recalcamento, pá? Que eu saiba, o Saramago é ribatejano. Nasceu numa aldeia chamada Azinhaga, na Golegã. Veio para Lisboa com poucos anos, porque os pais «emigraram» para a capital, mas sempre regressou por muitas e demoradas temporadas à sua aldeia. És mal-dizente por natureza, pá! Mas conta, conta porque tens tanta sanha ao Saramago? Disse-te com certeza algumas verdades e tu não lhe perdoas. Mas conta, anda, conta lá o que se passou. “Não sejas mau p’ra mim”, porra! E já agora, acrescento queste tipo é do mais chato e nhurro que conheci. Safa!

  33. ó rvn, dói-te algo, só pode…

    cada um sabe o que certas passagens significam ou não – e a que aqui narrei, significou-me.

    mas, já agora, sem islandesas: por acaso tive o prazer e a honra de privar com o Mário Cesariny de 2001 a 2003 – várias foram as vezes que ascendi ao quarto/sala da Basílio Teles em Lisboa, para conversar.

    mas antes, já conhecera o Miguel Torga, que recebia parte do seu correio através da livraria Almedina, cá em coimbra. como não sou jornalista, nem nenhuma personalidade relevante para o meio, deves entender, ou deverias, que tenho tido passagens e vivências, no mínimo, curiosas. a troco de frequentar a casa do Cesariny, vi-me um dia a apertar uma mão para além da mão – encontrei-me com o joão soares, na altura presidente da câmara de lisboa.

    e mais não forneço, porque tenho mesmo um romance autobiográfico que um dia deste está “cá fora” – depois, talvez te digne o privilégio de uma entrevista

  34. no texto de há pouco houve um acidente – caiu e era a frase como se fosse possível não perceber que «mesquinho» é o gesto de apagar; não o gesto de chamar a atenção para o apagamento. Essa é que é a questão. Não perceber isto é não perceber nada. Fecho por hoje os taipais; não há pachorra para isto.

  35. Elypse,

    Aceita cumprimentos e uma explicação, peço-te.

    Não deves levar demasiado a peito a chalaça desajeitada que te escolheu e usou como ponto de partida e inspiração. Não houve, asseguro-te, intenção de agredir ou achincalhar, foi outra a motivação. Que, para ser absolutamente franco, nem tinha até sequer a ver contigo em especial, logo tu que comentaste à margem destas raivinhas de dentes que empestaram a caixa de comentários deste post com o fedor inconfundível da retinta baixaria. Talvez por isso eu, reagindo por instinto, larguei a poiazita de non sense. Que de certa forma te visou, é certo, mas foi dano colateral, homem! Um saide iféquete, se é que me faço entender, de resto nem por isso totalmente imerecido, se pensarmos naquela tua disfunção eréctil com as islandesas que tentas resolver com livros, apesar de já existir medicação própria e indicada para o problema. Mas enfim, cada um é como cada inqual e nessas coisas…

    Ironias à parte, achei carregado o ambiente que encontrei à chegada. Muita palavra biliosa e intenção a condizer. Ter-se-à soltado um reflexo antigo, então: lembro-me de ser garoto e, se os meus pais estavam a discutir, recorrer ao disparate com estrondo para mudar o foco da atenção geral. Repreender-me unia-os, aparentemente, chamava-os à causa comum.
    No caso presente nem foi preciso um disparate meu, bastou-me caricaturar esse (na minha opinião) disparate generalizado do embasbacanço saloio com a celebridade, esse deslumbre exagerado com a mera vizinhança de uma qualquer ‘figura pública’. Claro que não seria bem o caso da Kátia Marlene que não se lava hà três meses porque os DZRT assinaram autógrafos na sua mama esquerda. Falávamos de Saramago e da tua mão direita, presumo. Só isso, nem que fosse apenas na tua perspectiva, mudava logo tudo à partida. Para mim é que não. Por isso o meu exagero fez o resto. E pronto.

    No hard feelings, certo?

  36. Elypse e RVN
    Não percebi a momentânea zanga. E gostaria de chamar a atenção para o caso do meu amigo JCF. Se o Saramago tivesse apagado a dedicatória inicial (daquele que é o seu livro de que ainda mais gosto) por julgar que as pessoas nomeadas não mereciam o seu talento, o JCF teria toda a razão. Mas penso que não terá sido este o motivo. Eu lembro-me de ver, creio que já depois de ele ter recebido o Nobel, uma reportagem na RTP em que José Saramago visitou algumas das pessoas que constam dessa dedicatóaria. E foi visível o carinho mútuo, que me pareceu absotumante sincero de parte a parte.
    Uma curiosidade: fui muito amigo de uma senhora de Alcácer do Sal, que morreu nova, que conhecia algumas das personagens que o Saramago trnsfigurou (pouco) como personagens do romance.

  37. daniel,
    correcção obrigatória: ‘zanga’ coisa nenhuma. Nem arrufo chegou a ser. Foi um broft. Isso, um broft. E o que é um broft? Nada, coisíssima nenhuma. Pois foi isso mesmo a nossa ‘zanga’.
    Abraço, ó da Maia.

  38. Daniel de Sá,

    não me zanguei com ninguém. longe disso. apenas vou dando opiniões com pormenores de uma realidade que fui vivendo. claro que algumas delas, ao contextualizá-las por aqui, têm o propósito da “provocação” e tertúlia…

    e já agora – gosto de ti – abraço

  39. Caro Daniel de Sá: eu sei, basta ver o que escrevi no «Diário Insular» em 2002 sobre o tema. Uma vez ele recebeu um enorme ramo de flores numa determinada Câmara Municipal alentejana e passou pelo Lavre para ir colocar esse ramo de flores na campa do João Basuga, único filho rapaz de João Basuga, protagonista do livro. Isso não invalida que haja razão para assinalar o desaparecimento da dedicatória exactamente pelo motivo à vista: aquela era uma das dedicatórias que «nunca» poderia ter desaparecido pela sua própria natureza e articulação.

  40. Elypse
    Sinceramente, já cá estás também no cantinho dos afectos. E gosto igualmente daquele teu blog. Pena o tempo não dar para nos passarmos por todos os que valem a pena.
    Nota: Aqueles sonetos para que o RVN chama a atenção foram os tais que apareceram em vários blogues como sendo da própria Natália Correia. Ou a imitei bem (o que seria óptimo) ou quem os leu não percebeu as diferenças nem ligou à assinatura.
    Um bom dia de Abril. Lembro-me das pedras da calçada onde tinha os pés quando soube da boa nova.

  41. Nada a dizer … dos cnteúdos.

    … mas não era suposto uma pessoa – arrepiada – pela boçalidade deste ministro vir – no mínimo – pensar numa forma de lhe dizer para a “PT que o Pariu” se anda – estérico- a deendr o Acordo Ortográfico.
    Vale!

    á agora o poema do Daniel sá … sofre um pouco do mal dos poetas que por aí andam —- AMADORISMO — uma das razões pelas quais ministros como estes são possíveis.

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