Um livro por semana 285

«A Companhia dos corvos» de Joaquim do Nascimento

Depois das memórias da aldeia de Pereiros («Quotidianos de uma aldeia do Alto Douro» e «A casa e as sombras») e da revisitação ao inquérito do Ministro do Reino em 1758, Joaquim do Nascimento escreve a memória de um tempo (1963-1966) entre dois lugares – Lisboa e Inhaminga «uma vila de ferroviários localizada a cerca de 200 quilómetros da cidade da Beira na linha que, do seu porto, levava à Niassalândia». Partiram de Lisboa no Niassa: «Para Angola rapidamente e em força disse o cabrão do chefe, mas não criou condições para navegar, o filho da puta, com perdão da mãezinha dele!». Iam no Niassa «rapazes tontos, é verdade, mas foi sobre os nosso ombros que os bonzos do regime depositaram a responsabilidade de lhes guardar o Império e nós, convencidos, inchávamos o peito e fingíamos que acreditávamos».

Escrita em 2008, esta viagem ao passado não se escreve contra ninguém, limita-se a ser «uma mistura de imagens e de sentimentos que vêm à cabeça como acontece quando desfolhamos velhos álbuns de fotografias». Mas não esquece o amor das mulheres («trarão nos corpos um perfume forte a feno molhado e a flores de acácia e vão trocar connosco a alegria intensa de quem se quis, só por se querer, pois elas sabem e nós sabemos que o tempo urge e o dia seguinte pode ser o último«) nem a morte dos rapazes: «O camarada que decidiu acabar com a vida ficou sepultado em Inhaminga e ainda hoje me pergunto que razões o terão levado a suicidar-se assim na força da vida». De um lado o medo («Eu senti a cor do medo algumas vezes») do outra lado os aerogramas: «a comida podia inventar-se, podia esquecer-se, as palavras não, dos pais, das noivas, das namoradas, das madrinhas de guerra, dos amigos, da família, as palavras por nada deste mundo podiam ser substituídas ou adiadas, eram elas que nos ligavam aos afectos e ao mundo.» De um lado as rações de combate («o crânio que as inventou devia comer rações de combate durante toda a vida») do outro lado os corvos que dão título ao livro: «E não é que o sacana do corvo, com umas pedras de sal por cima, um pouco de piripiri, umas gotas de azeite, assado no ponto certo, me soube melhor que o arroz de cavala, sempre arroz de cavala que há muitos dias se comia no acampamento?»

(Editora Padrões Culturais, Capa: Stekloduv Fotolia, Paginação: Mário Andrade)

16 thoughts on “Um livro por semana 285”

  1. o cimento armado em otário pagou-te o almoço nas portas de santo antão e tu tentas indróminar os leitores com publicidade otária, é o chamado endosso ou osteoporose literária. uma caldeirada de corvos regada com morangueiro é o que ambos os três mereciam.

  2. Adiante!
    Obrigado, poeta, por ter entrado na prosa dos meus “Corvos” e por estar a apresentá-la aos seus leitores.
    Hoje os corvos que, nessa altura, já eram ícones da cidade de Lisboa merecem cuidados de espécie protegida, longe de mim acertar-lhes, ainda que continuassem a empoleirar-se nas árvores mais altas do Unango, Vila Cabral, e que eu tivesse fome.
    Crucitem em paz !
    Jnascimento

  3. Meu Caro Joaquim, é mesmo isso, «adiante!». Depois do carro do lixo chegam os cantoneiros da CML com as mangueiras para uma regadela exemplar. A porcaria vai para as sarjetas.

  4. o próximo número desta cena franciscana deve ser para apresentar os melros do escalracho e o subsquente, que vem a seguir ao joaquinze, será a andorinha da bécula, tamém conhecida por sinhã açordeira e assim ficará concluído o círculo pássaros, passarinhos, passarucos, aves de gayola e cucos.

  5. oh cimento! ganda capa, o garboso furriel miliciano em pose romântica, montado em unimog, cigarro em punho e g3 ao lado, emoldurado em corações verdes e outras algas. para ser perfeito só falta a tatuagem do batalhão de caçadores e o acompanhamento à viola do paco bandeira.

  6. que lindo – as palavras que ligam aos afectos e ao mundo. e o corvo assado, como se comer fosse, e é, digo-o eu, um ritual em constelação. :-)

  7. não mesmo. mas vou dizer te uma coisa, que espero que faças bem o quilo, a ver se deixas de meter nojo e largar gosma por onde passas: vou pedir a dois pretos, não é por serem pretos mas por se constar que têm a pila bem grande e grossa, que não se importem com mariquices, para as meterem no teu cu os dois ao mesmo tempo. se gostares, vais querer mais e desandar daqui com tanta ocupação; se não gostares, vais fugir para nunca mais voltares.

  8. tás tão romântica, oh bécula! atão se mandares os pretos embrulhados no wallpaper do teu blogue, nem são precisos os caralhos, que eu fujo para longe.

  9. «Partiram de Lisboa no Niassa: «Para Angola rapidamente e em força disse o cabrão do chefe, mas não criou condições para navegar, o filho da puta, com perdão da mãezinha dele!».

    Como é que gajos destes podem pensar que há leitores para este tipo de merdas «literárias»?!

    O «Adiante» devia ser um adiante para algo fértil e não para a trampa recorrente que por aqui chove, da autoria de ordinários como este besta do trambolho mor, vulgo, jose do carmo francisco, a ordinária da sinhã, que só pensa em pilas e quejandos, tal a fome dessa gaja que só fala disso.Os cantoneiros estão de plantão e bem tentam limpar a Merda e a escumalha que a assina.

    Olinda, és uma porca de língua, deves ter hálito a nhanha e deves ser um frasco que nem as rosa com espinhos conseguem disfarçar.

    Quanto ao autor da corvalhada, ó pá, lê o correio da manhã, faz sudoku, entretém-te, és tão bom que precsias que um caga tacos vaidoso e ignorante te promova numblogue, ó chaparro. Vai comer migas de merda, pode ser que pelo menos consigas fazer a ode ao cagalhão – a escrita, porque não deves ter peida para parir um peido bem puxado, tipo trovão, tás a bere, meu, à homem!

  10. Fogo, agora é qu eolhei para a capa, a porra parece outr porra comprada numa loja indiana ou chinesa, cum caraças, nem no bzar do chinês o incauto se sente atraído por festival de tão mau gosto.
    Mine, oh mine, what the heck is that?! ó trambolho, amanda aí pra tua descendente, pra tradução, mas só levas estas, não te dou mais, és burro e nãoposso depositar conhecimento em terra de diabo. Deus não gosta.

  11. ÓLINDA, pá, andas com fome, os grelos continuam espigados pra ti pá, e depois o alho francês é demasiado chique para uma beterraba nhanhosa como tu. pergunta ao governo como tapar o buraco, ou antes, à troika, pá, parece que eles têmumas ideias.

  12. “Para Angola rapidamente e em força disse o cabrão do chefe, mas não criou condições para navegar…”

    oh cimento! o que é que querias mais? patrocínio da tmn para fazer o festival napalm do sudeste africano com os b52 em cabeça de cartaz. wiriamu não te chegou para entrares no hit parade?

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.