Um livro por semana 242

«O Reverendo Cura Simão Henriques» de Joaquim do Nascimento

O Marquês de Pombal lançou em 1758 um inquérito a todos os Párocos (ou curas, vigários, reitores, priores e abades) com 60 perguntas abarcando desde qual o bispado e comarca da povoação ao número de vizinhos, desde os frutos da terra à sua feira ou ao seu correio. Sem esquecer os rios e serras do lugar. Pelos Pereiros respondeu ao Marquês o Reverendo Cura Simão Henriques. Joaquim do Nascimento transcreve o original e faz, em forma de comentário, uma ponte entre o passado e o presente. Vejamos como: «Em Junho de 1758, os Pereiros tinha 77 vizinhos, isto é, 77 fogos, como se diria em linguagem actual, e os seus habitantes eram 203, 11 deles de menor idade, o que dá uma média ligeiramente superior a 2,6 habitantes por fogo». (…) o povo dos Pereiros já tinha a configuração urbana actual, como pode deduzir-se da afirmação de que a igreja ficava no centro da povoação, como hoje ainda acontece». (…) «a gente dos Pereiros vivia do que produzia nos terrenos já então cultivados, principalmente centeio e trigo e, em menor quantidade, azeite e vinho, algumas castanhas colhidas nos castanheiros que por ali abundavam e, pelo que refere o Cura, já podemos ver como era frugal o passadio dos nossos conterrâneos». (…) «Eu tenho uma explicação complexa para o desaparecimento dos castanheiros que atribuo directamente ao aumento de produção do vinho fino, vá lá, do vinho do Porto, depois da criação em 1756, da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, também chamada Real Companhia Velha. Este aumento exponencial da produção do vinho trouxe com ele a procura de novas terras para plantar vinha mas também a necessidade de fazer novas vasilhas, pipas, tonéis e cubas». O volume transcreve na íntegra as respostas do Cura dos Pereiros e convida os leitores a descobrirem outros documentos que revelem novos aspectos da história do lugar.

(Editora: Padrões Culturais, Foto: Ana Paula Nascimento, Capa: Mário Andrade)

4 thoughts on “Um livro por semana 242”

  1. Obrigado pela referência, José do Carmo Francisco, em meu nome e em nome da gente da minha terra.
    Ainda lhe hei-de mostrar os Pereiros, tendo por guia as palavras do Reverendo e havemos de ir ao rio Torto, no caminho para Ourosinho.
    Verá como é fresca a água da Fonte-da-Aldeia, ao cimo da povoação.
    Abraço amigo
    Jnascimento

  2. Isto é como no futebol – os bons encontros dão bons resultados. Oxalá venha a descobrir os Pereiros saltando das páginas do livro para a vida real.

  3. fogo, fogo, o zeca galhão vai á água fresca, vai contaminar a coisa, pá, devias ser interditado á entrada pá, os direitos da água não te admitem nu pédasso, meu, viu, palhação. si reduza á sua mediocridadje, viu meu besssta, fica quietjinho áí e não tinja á água com suase impureza, mácacu.natureza si zanga, si virrre vócê, viu?

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