Um livro por semana 188

«Vozes do Ventre da Lua» de José Miguel Noras

Depois do efémero da publicação no jornal «LAMEGO hoje», 38 textos surgem agora em livro num registo mais permanente. Livro não é jornal; sabe-se. O título justifica-se numa ideia do autor: «Se o paraíso não for na Terra, como assinalou Herculano, então o Douro só poderá ser comparável ao Ventre da Lua.» Como exemplo do tom e do timbre destas crónicas cita-se uma parte do texto do autor sobre Alexandre Herculano (1810-1877) intitulada «um escritor entre aspas?»:

«Quem entrar na capital do Ribatejo, pela Calçada do Monte, depara com uma placa toponímica assinalando tratar-se da Rua Alexandre Herculano. Logo a seguir fica o Mercado Municipal, da autoria de Cassiano Branco. Ainda antes de chegar à Sé Catedral, há um monumento a Alexandre Herculano, virado para Vale de Lobos, onde o escritor viveu e morreu. As inscrições desta estátua enfatizam a homenagem do povo de Santarém ao autor de O Monge de Cister, promovida em 1935. Estranhamente, sob o nome da Rua Alexandre Herculano, a placa toponímica ostenta a palavra «Escritor», assim mesmo: escritor entre aspas! Este vulto do liberalismo, além de escritor, foi poeta, teatrólogo, jornalista, historiador, deputado, presidente de Câmara, bibliotecário, soldado, publicista, agricultor, especialista em azeites, etc., etc. Reduzir a dimensão de uma vida plena e preenchida como a de Herculano, à sua faceta literárias, já seria um atrevimento. Apresentá-lo como «escritor» entre aspas é puro «delírio cultural» – dirá a voz da crítica».

(Editora: O MIRANTE, Prefácio: José Saramago, Capa: Casulo de Xico Lucena)

3 thoughts on “Um livro por semana 188”

  1. Sei que vou estar interessado, pelas referências a Santarém onde trabalhei,
    pelas referências ao Douro, onde nasci e onde volto, de vez em quando, num combóio ascendente, entre S. Bento e Pinhão, de preferência a vapor do meu afecto,
    e pela gente de “O Mirante” que eu li e apreciei semanalmente quando fomos vizinhos.

    No Pinhão, no exiguo Largo da Estação, vai estar à minha espera a Carreira da Viúva que o Autor, se sabe do Douro, não pode deixar de conhecer.
    Jnascimento

  2. P.S.
    Herculano também teria sido benvindo ao Douro e, se o tem subido, teria descoberto o sítio mais adequado para fazer azeite virgem.
    Jnascimento

  3. Interessante, a capa. A escultura está ao contrário ! (Francisco Lucena “Casulos Embrionários”). Penso que foi adquirida pela C. M. Maia.

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