Um livro por semana 185

«A Carvão» de Fernando de Castro Branco

Fernando de Castro Branco (n. 1959) reúne nestas 313 páginas os seus cinco volumes anteriores e os recentes «Arte do espaço», «Marcas de verões partidos» e A carvão». Poesia que se organiza numa voz pessoal e muito própria, ramifica-se logo em duas direcções: Natureza e Cultura. A Natureza está em poemas como «Folha de gelo»: «As noites continuam a arrefecer no Planalto. Antigas / lendas descem pelas telhas e é necessário guardar o lume / inteiro para escrever esta folha de gelo». A Cultura surge nas referências ao Cinema, à Pintura, à Ficção ou à Poesia, tanto estrangeira (Neruda, Maria Zambrano, Ezra Pound, Rimbaud – entre outros) como nacional – por exemplo Ruy Belo, Duarte Faria, A.M. Pires Cabral, José Agostinho Baptista ou Sophia: «Em Creta haverias de falar da dura luz, da redundância / da sabedoria e de Sophia. Também da pureza das águas, / da transparência dos instantes, dos mil anos / das oliveiras e dos barcos. Ou a canção / do silêncio sobre os sepulcros / em forma de palácios».

Outras leituras são possíveis. O poeta parte do individual («Continuo alegremente a festejar dias de aniversário, há gente morta por todo o lado») para chegar ao colectivo: «Há tantos amigos tombados no fundo da memória / e assim os deixamos entregues a cicatrizes incuráveis / às laboriosas aves de rapina do remorso. Minha culpa / minha máxima e intransferível culpa».

(Editora: Cosmorama, Capa: Antoine Pimentel, Grafismo: Jorge Melícias)

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