Um livro por semana 183

«Tanta gente em mim» de Vítor Serpa

Vítor Serpa (n.1951) estreou-se na ficção com «Salão Portugal» (2007), contos sobre o Bairro da Ajuda. Este livro parte à procura não do local mas do nacional: «Portugal continua a ser um país de angústias e de problemas adiados».

Em 1975, do encontro entre Elsa e Manuel, nasce Pedro: «Sou filho de uma revolução. Não de um herói.» Em 1962 Constança nasce em Luanda da ligação entre uma professora de História e um empregado de escritório que vai em 1975 para Braga e queima uma sede do PCP: «Rebentei com eles, todos os que lá estavam.» Já Inês é fruto do namoro de Cármen com Paulo nas campanhas de dinamização cultural do MFA de 1975 em Miranda do Douro: «Descubro um país que Lisboa nem supõe, sequer, existir». Na Tunísia Pedro encontra por caso Constança e leva-a para o seu quatro de hotel mas no outro dia acaba acusado e detido perante o desaparecimento dessa colega de excursão. É o pai de Inês, sua namorada informal, que como advogado o vai tentar safar desta situação insólita tanto mais que foi o pai de Constança que matou em Braga o pai de Pedro. Mas ele desconhecia: «O absurdo afinal existe».

Tal como na tragédia «A Castro» há neste romance um triângulo amoroso: Pedro, Inês e Constança. Tal como no filme «Casablanca» Constança sente-se no lugar de Ilsa Lund perante Rick Blaine que é aqui Pedro. Sobeja o marido de Ilsa no filme; sobeja Inês no livro de Vítor Serpa. E fica a moral da história: «Nós somos como as folhas. Vamos para onde o vento manda. A culpa é do vento. Não é nossa.»

(Editora: Dom Quixote, Capa: Rui Garrido, Foto: André Alves)

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