Um livro por semana 169

«Divina Música – Antologia de Poesia sobre Música»

O Conservatório Regional de Música de Viseu celebra o seu 25º aniversário com esta edição organizada por Amadeu Baptista, São 130 poetas de diferentes espaços geográficos: Portugal, Angola, Brasil, Moçambique, Cabo Verde e Timor Leste. De «A» a «Z» surgem registos poéticos tão diversos como os seus nomes e origens: Adalberto Laves, Alexei Bueno, Ana Hatherly, António Osório, António Rebordão Navarro, E.M. Melo e Castro, Fernando Echevarría, Fernando Grade, João Camilo, João Candeias, João Rui de Sousa, José Luís Peixoto, José Mário Silva, Maria Teresa Horta, Nicolau Saião, Ruy Ventura, Vergílio Alberto Vieira e Zetho Cunha Gonçalves. Na impossibilidade de os citar todos fica uma lista como sugestão de procura. Duas notas: o meu poema na página 106 foi repescado do «aspirinab» e cito o poema «Iannis Xenakis – sugestões» de Levi Condinho:

«Contra a gaguez dos deuses que nos confundem / erguem-se as ásperas vozes ossificadas / de dentro das pedras talhadas a pique / nas rebeldes falésias sobranceiras ao mar / pedras brancas habitadas por seres de eras submersas.

são coros cavados sobre peitos de cobre / metais que respiram no coração das lâminas / ecos sobre ecos sobrevoam vales ácidos / em busca do segredo das sibilas / ou do signo das maresias loucas incidindo sobre as têmporas / tambores de bronze conclamam as grandes aves das alturas/ as casas da música são brancas de ferir a areia / e o Homem desafia os deuses no gume do meio-dia – arrepio telúrico na arquitectura vermelha do Sol –

grande é esforço das ondas / no árduo combate às alcateias cegas / que o deserto transporta no seu ventre.

no topo da cidade a árvore gigante / reflecte-se no vidro – efémero triunfo das alquimias / onde a Razão namora o lagarto solar».

7 thoughts on “Um livro por semana 169”

  1. Olá, meu caro:
    Tb. é bom que o mundo continue, independentemente da política !
    Ontem subi o Chiado e pensei em homenagear Cesário, dedicando a si, JCF, um poema que há-de começar assim:

    “Chovia como nos velhos tempos,
    Uma chuvinha tola neste mês de Março
    Subia eu preguiçoso o Chiado,
    De gabardina azul comprada no Grandela ”

    Aceite a quadra e um abraço amigo do
    Jnascimento

  2. TOCADOR DE FLAUTA

    I

    Toca, tocador de flauta, toca!,
    E enche de melodia
    O espaço entre a terra e o céu.

    (Toca, tocador de flauta, toca,
    Porque se não tocares,
    Toco eu!)

    II

    Tu não sabes,
    Tocador de flauta,
    Como é suave
    E doce
    O corpo da mulher
    Que aperto nos meus braços
    Nesta dança instintiva.

    Toca, tocador de flauta, toca,
    Que este momento vale uma vida!

    III

    Toca, tocador de flauta, toca!,
    Que a música
    É a única linguagem
    Entendida
    Pelos homens
    E pelos deuses.

    Toca, tocador de flauta, toca!,
    E enche de alegria
    Esta tarde de verão.

    Até à harmonia plena.

    Até à exaustão.

    in FRAGMENTÁRIA MENTE de Manuel Barata

  3. Por mais que se diga, o JCF continua a não ter um pingo de vergonha. Porque este post é mesmo vergonhoso. Ainda pensei que o fulaninho se limitava a citar apenas os autores que constam do volume. Ingenuidade minha. A obra serviu às mil maravilhas para pôr em destaque o seu poema. Por favor, tenham atenção à página 106! É lamentável que tanta falta de ética deslustrem uma obra que merecia mais respeito. Vaidade e auto-promoção eis o que ressalta deste texto. Eu estou lá e nunca, por nunca ser, seria autor de um post como este. Vergonhoso, repito.

  4. Que grande cavalgadura!!! Nem percebeste que a referência é ao «aspirinab» onde o organizador do volume veio buscar o meu poema – poderia tê-lo feito em muitos outros volumes já que são constantes as referências à música e aos músicos na minha poesia desde 1981. Mas foi precisamente no Blog «aspirinab» que o organizador foi fazer a recolha. Tenho poemas por exemplo na antologia «Poezz» Poesia e Jazz mas não só. Não percebes nada disto! Grande burro…

  5. E a réplica do jcfrancisco serviu, atenção, para todos nós ficarmos a saber que tem poemas na antologia «Poezz» Poesia e Jazz mas não só…

  6. Não sejas parva. Não serviu nada porque esse livro já existe desde 2004 e estamos em 2010. Das duas uma – ou sabes ou não sabes. Edição da ALMEDINA.

  7. ESte JMM escreve «Eu estou lá» mas não diz a página. Esconde a mão e atira a pedra. não percebe nem quer perceber que o Amadeu Baptista foi buscar o poema ao único local onde ele foi divulgado – «aspirinab». Pois se ainda está inédito em livro… E pretende dizer que é vergonhoso eu no aspirinab referir o facto de um poema de um livro ter sido escolhido do aspirinab. Vergonhoso é um parvalhão dizer qeu «está lá» mas não diz a página. Assim toda a gente que lê pode pensar que é tudo mentira e ele não passa de um pobre de espírito e de um mentiroso ainda por cima cobarde. Cobarde miserável.

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