Sonho de mulher na cidade de cimento

Teu corpo é uma planície pequenina
Onde eu sou um lavrador à procura
De fazer com a língua na tua vagina
Sementeiras de paixão e de ternura

Faço dos meus lábios uma charrua
Bem levada pela força dum tractor
E à noite quando vem a luz da Lua
Teu corpo é uma seara só de amor

Na tua boca-vulcão sugas o lume
Aceso na pele dos meus sentidos
Enlouqueço a pensar no perfume
Nos dias longe de ti tão perdidos

A tua boca é uma oitava maravilha
Pois concentra como em ninguém
A força impetuosa de uma filha
E a serena sabedoria de uma mãe

Exemplo duma força da Natureza
Teus lábios são ondas de humidade
Onde eu fico submerso na certeza
De que afinal existe a felicidade

Podes pensar aquilo que quiseres
Não sou ninguém na voz do mundo
Única entre milhões de mulheres
Aqui te deixo o obrigado profundo

Por teres trazido à tona destes dias
A espuma branca da hora perfeita
No relógio já parado das profecias
Só tu tens o perfil da mulher eleita

Trazida pelo destino num momento
De encontro numa pequena superfície
Tu trouxeste a uma cidade de cimento
Todo o esplendor da terra e da planície

16 thoughts on “Sonho de mulher na cidade de cimento”

  1. JCF, não costumo comentar, só leio. Mas hoje calha. Não te deixes influenciar com os postes supostamente artísticos da Susana e que não pasam de reles. Ó pá, é lixado! Fizeste figura de urso com este poema, ir atrás dos outros não é sensato, continua com o teu estilo com pureza, alguma ingenuidade e o teu quotidiano. Gosto mais da tua prosa, das crónicas. Não precisas entrar em vale de lencóis para contares o que fazes «com a tua língua na vagina não sei de que gaja», não temos nada a ver com a tua vida sexual, pá. Dou razão ao Sá, o que uma mulher mais mostra é o menos desejado. Como homem é o que sinto ao ver a foto “artística” do aspirina, não me digas que o blogue virou porno!?

  2. José Do Carmo

    Não é por mal, mas comecei a rir-me à leitura dos primeiros versos. É que lembrei-me de uma quadra marota que se canta aqui no Minho, ao desafio:

    Sou o lavrador da Maia
    Que lavra com três arados
    Quando meto um ao rego
    Ficam dois dependurados

  3. é impossível não esboçar um sorriso, com comentários destes, muito mais pornográficos que o poema…

    acho que a vagina podia ter sido substituida por outra palavra, menos técnica, mais “campestre”…

  4. Mal de mim se fosse uma «Maria vai com as outras». Nunca o fui em trinta anos de vida literária e não era agora que ia começar a ser. Mas quem anda à chuva molha-se. O poema (obviamete) não foi escrito agora mas foi agora colocado no nosso Blog. Apenas isso. Mas há malta que não percebe isso como não percebe outras coisas. Albarda-se o burro à vontade do dono…

  5. Não se albarda nada, JCF. Se o poema é antigo porque é que não o publicaste antes? Tiveste mais que tempo, já te leio aqui há bué e não digas que não foi por arrastamento do poste lindo!!! da Susana, ai não que não foi. Ficaste armado em bom e vai disto. Pensas que ficas mais modernaço assim e é um engano.Tu é que pensas que a malta não percebe. Quem não percebe és tu.

  6. Só não percebo é a mania dos pseudónimos, os nomes escondidos. Isso não percebo. O resto percebo: tenho um percurso, uma biografia, uma bibliografia, uma obra publicada e a morte em preparação.O resto é conversa e vai com o vento.

  7. Que tens «um percurso, uma biografia, uma bibliografia, uma obra publicada…», nós já sabemos e não tens que te repetir até à exaustão. Já reparaste que te gabas de mais? O que está em causa é só um poema e tu foges ao assunto com alguma arte saloia. Também tens a «morte em preparação»? Não penses nisso, pá. Todos nós temos. Nem consegues ser original. Só gosto das tuas crónicas. Vê se escreves, mas nada de porno. Para porno vou a outro lado.
    Não gostas de pseudónimos, dizes tu? Tens razão, eu também não gosto.

    José Francisco do Carmo

  8. jcfrancisco, várias vezes te li a censura ao uso de pseudónimos em blogues (pelo menos, que não sei se também os vituperas noutros domínios autorais). Como é essa a minha opção, gostava que explicasses o que é que não estás a perceber. Quem sabe, um de nós os dois poderá vir a perceber, quiçá a entender, muita coisa.

  9. É fácil de perceber. Ninguém se chama «poesia porno» ou «zeca diabo». Custa-me argumentar com alguém que se esconde atrás de uma máscara. Comecei a escrever em jornais no ano de 1978 e nunca me escondi, sempre dei a cara por aqui que mal ou bem assino. Não censuro, tenho dificuldades em lidar com…

  10. De uma coisa me posso gabar – seguramente. Trata-se da boa vontade e da simpatia da Susana. Sem ela os meus textos não estavam aqui e eu teria voltado à minha condição de «sem-abrigo informático». Depois do Fernando Venâncio que me convidou devo à Susana esta aventura que estou a viver. É só disso que me posso gabar.

  11. Mas também ninguém se chama “Maria Valupi”, escritora por quem me apaixonei e por isso (mas não só) lhe vesti a máscara. Se o “poesia porno” passar a assinar “José Silva”, ou outra coisa qualquer que lhe dê na gana e te pareça nome de baptismo, deixarás de ter dificuldades na argumentação? Isso é uma ingenuidade num espaço público de anonimato inerente como é um blogue.

    Quanto à insinuação/afirmação de que o uso de pseudónimos equivale a perder a face, o “nunca me escondi, sempre dei a cara”, farei um diplomático silêncio.

    Aproveito para agradecer à Susana os trabalhos que tem tido com os teus textos, e com muitas outras coisas que já fez em prol do Aspirina. Mas agora fico eu sem perceber o que tem isso a ver com a questão que te coloquei.

  12. Tem tudo a ver porque sem a amabilidade da Susana nem sequer havia «questões» colocadas. A vida é a arte do encontro e do desencontro. Felizmente para mim a Susana tem sido impecável mas por exemplo no lançamento do livro do Fernando Venâncio não nos encontrámos – aí houve um desencontro. Não se esqueçam que eu sou de outro tempo; quando comecei a escrever os jornais eram feitos a granel de chumbo e as fotos eram zincogravuras pesadíssimas. Foi há 30 anos, não foi ontem.

  13. E tu a dares-lhe,JCF. Agora é «comecei a escrever em jornais no ano de 1978». Já repetiste este género de coisas vezes sem conta, o próprio Fernando Venâncio te criticou muitas vezes por causa disso e de vires para aqui falar de coisas pessoais. Fizeste que não era nada contigo e sempre fazias por lhe agradar, reparei nisso muitas vezes, que alguns leitores não são burros. Baixavas a pala, não respondias e seguias para não seres o tal «sem abrigo informático». Às vezes mais vale, pá. Agora baixas-te à Susana, tu o dizes sem querer «sem ela os meus textos não estavam aqui», a confissão é tua. Primeiro o Fernando Venâncio, agora a “patroa” Susana, foi por isso que para lhe agradares e no seguimento da foto porno dela publicaste o teu poema porno. Mais vale assinar com pseudónimo do que dares a cara e mostrares ser um subserviente como tu. Também és contra o Fernando Pessoa, o Miguel torga ou o Eugénio de Andrade, entre outros? Pá, vai-te lixar!
    Já estou como o Valupi, tens a certeza «que sempre deste a cara»? Acredita que vou passar a ler-te com menos agrado, o caráter não condis com as tuas crónicas.

  14. jcfrancisco, somos todos de outro tempo. Se lês blogues, se comentas em blogues e se publicas em blogues, então és igual a qualquer outro, a qualquer um dos que aqui se encontram e desencontram. Quando muito, terás até a vantagem de ter mais experiência, de poderes comparar os canais e de aplicares as lições de sempiterna sabedoria que terás, acredito, adquirido no prolongado trato com jornalistas, leitores e problemáticas de interesse público.

    Aconselho-te a olhares menos para ti e mais para o que te rodeia.

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