Memória justificativa dum título

Quem nas direcções trocadas me lembrou
Entre afazeres e normas e um governo
Talvez se tenha esquecido logo a seguir

A luz não chega a todos os recantos
Nem torna visíveis objectos e nomes
De quem desaparece noutra direcção

Aos sábados à tarde então passam jornais
Nos passeios eles estendem-se a dormir
Cansados de gritar a loucura do telex

Volto, sempre, à poesia como regulador
Escondo nas palavras o nome que procuro
Talvez brilho, talvez mãe – leme de luz

5 thoughts on “Memória justificativa dum título”

  1. Poema da MENTE
    (Affonso Romano de Sant`Anna)

    Há um Primeiro-ministro que mente ,
    Mente de corpo e alma , completa / mente
    E mente de maneira tão pungente
    Que a gente acha que ele , mente sincera / mente ,

    Mais que mente , sobretudo , impune / mente …

    Indecente / mente .
    E mente tão nacional / mente ,
    Que acha que mentindo história afora ,
    Vai nos enganar eterna / mente

  2. SONETO QUASE PERFEITO
    (José Régio)

    Surge Janeiro frio e pardacento,
    Descem da serra os lobos ao povoado;
    Assentam-se os fantoches em São Bento
    E o Decreto da fome é publicado.

    Edita-se a novela do Orçamento;
    Cresce a miséria ao povo amordaçado;
    Mas os biltres do novo parlamento
    Usufruem seis contos de ordenado.

    E enquanto à fome o povo se estiola,
    Certo santo pupílo de Loyola,
    Mistura de judeu e de vilão,

    Também faz o pequeno «sacrifício»
    De trinta contos – só! – por seu ofício
    Receber, a bem dele… e da nação.

    (Escrito em 1969. Substitua-se os contos por euros!)

  3. Isto não são comentários – são provocações. Inoportunas e descabidas. Tudo fora do contexto. Não estraguem nem sujem o que está. Vão marcar passo para outra companhia, tropa fandanga!

  4. Ó zéxe não fiques zangado com as pequenas provocações, são apenas outras formas de poesia – tão digna como a tua, só que dotadas de uma eloquência política “prosaica” e, tens de reconhecer, actual e à medida deste blogue de cães amestrados: espaço prolífico em discurxos panegíricos e laudatórios absolutamente entediantes e pindéricos. Pergunta lá ao VAL se ele não se sente feliz em atrair a poesia que te oferecemos graciosa e generosamente?

    Cumprimentos e, já agora, gostei mesmo do poema. Thanks. Mas não te admires se te cair mais caca em cima, porque o teu zeloso e bovináceo colega tem o dom de aspirar sofregamente o bedum e cagar tudo à volta dele. Opções. Né?

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