Igreja de São Roque

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As asnas são feitas de carvalho das Ardenas
E julgo-me dentro de um navio ao contrário
O som dum coro entra pelas frestas pequenas
Saio daqui fascinado à procura do dicionário
Mais de quatrocentos anos resistiu a estrutura
Desde tremores de terra às invasões francesas
Lá em baixo no largo o trânsito é uma loucura
A meio da tarde com buzinas e luzes já acesas
Uma vez por ano abrem as portas do passado
Forte sensação de respirar a memória da vida
Entre o lado da madeira todo bem aparelhado
E o som da música de Bach em ensaio repetida
Ficar aqui para sempre no forro de uma igreja
Horas perdidas junto ao tempo, dia após dia
Monteverdi e Bach são cantata que se festeja
Na beleza das vozes neste tempo de harmonia

9 thoughts on “Igreja de São Roque”

  1. Um dos mais espantosos templos lisboetas com um interior lindíssimo e riquissímo que vale a pena conhecer (veja-se a capela mandada fazer em Itália por D. João V) e que contrasta com a limpeza e ascetismo das linhas das igrejas resultantes da contra-reforma.

  2. hum?

    grande parte do pau-brasil tirado da mata atlântica está em portadas e vigamentos dos conventos, igrejas e palácios de Portugal. Eram árvores enormes…

  3. A mim disseram-me que o carvalho é das Ardenas e julgo que pela data da construção da dita igreja de S. Roque ainda não estava vulgarizada a entrada de «pau brasil» nas asnas das igrejas de Portugal. Foi durante a visita guiada no dia do aniversário do Museu, dia 11 de Janeiro.

  4. jcfrancisco,

    Há uns tempos, publicaste um texto em que falavas dum individuo que costuma estar no Lg. do Carmo. É um artista, com um traço interessante, que faz pequenas gravuras com aqueles que são alguns dos símbolos mais representativos da cidade de Lisboa.

    Só para dizer, que alguém, não sei quem, está a organizar-lhe uma exposição numa das universidades de Lisboa (suponho que Belas Artes). Ele não conseguiu pormenorizar mais.

  5. Esse indivíduo é o Ruslam Botiev, veio da Mongólia e diz todso os dias «Bom dia Portugal!». O seu local de trabalho é o largo do Carmo junto ao quiosque quase em frente à Escola Veiga Beorão onde eu estudei. Um dia destes tenho que lá passar para saber mais pormenores…

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