Graça/Prazeres

Por aqui vivi outras manhãs

a caminho dum emprego pontual

arrepiado à porta da PIDE

duas vezes por dia todos os dias.

Mesmo ao domingo por aqui passava

Para o cinema ou para o futebol

havia uma linha pela Rua Augusta

e ia até ao Rossio – só ao domingo.

Assembleias Gerais na Voz do Operário

Alguns mortos queridos nos Prazeres

Eu próprio que morri aos poucos nesta linha

E até Fernando Pessoa tem uma paragem

porque a aldeia dos sinos da minha aldeia

é aqui e não como eu vi nos livros escolares

uma aldeia vulgar como o romantismo queria.

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José do Carmo Francisco in «Transporte Sentimental»

Edição da Câmara Municipal de Lisboa

O quadro anexo é da autoria de J. B. Durão

e está na Galeria All Arts Gallery

na Rua da Misericórdia 30 ao Chiado

10 thoughts on “Graça/Prazeres”

  1. O comentário mais engraçado sobre este quadro aqui reproduzido veio de uma criança de 3 anos e meio, o meu neto Thomas Francisco. Por uma curiosa e feliz coincidência eles recebem correio ao sábado em Londres e ele recebeu um exemplar do postal que me foi oferecido na All Arts Gallery na Rua da Misericórdia nº 30. O comentário foi este: «The tram is moving!». O que diz bem do «movimento» que o autor lhe transmitiu. Tiveram que explicar à criança que aquilo não era um filme mas sim um postal. Na sua ingenuidade disse tudo: o 28 parece que está em movimento. Que melhor elogio a um quadro?

  2. Isto não é um comentário, não sejas maldosa. Se tivesse sido outra criança contava do mesmo modo. A piada está no olhar da criança e só honra o autor do quadro. Trata-se de um equívoco feliz. Dizer «The tram is moving!» é o melhor elogio. Quanto ao poema está num livro editado pela Camara Municipal de Lisboa (TRANSPORTE SENTIMENTAL) e vai ter apresentação pública no proximo dia 27-2-2010 na LIvraria Fábula Urbis, atrás da Sé de Lisboa, pelas 19 horas. É mesmo à beira do 28. Disse maldosa mas nem sei se te chamas mesmo Maria. Fiz ontem 59 anos, já escrevo em jornais desde 1978, publico livros desde 1981, mal de mim se me perturbasse com os poucos comentários. O meu caminho está feito…

  3. As peneiras do costume: o Thomas, o quadro, o movimento, a galeria, as caganeiras. No post abaixo li a brutalidade com que este gajo responde a quem faz comentários às porcarias que escreve. A Cláudia deu razão ao comentário assinado por JMM, que o pedante agride verbalmente. Cavalgadura será ele, o carroceiro. Alguma vez alguém vinha ao Aspirina rebuscar um poema dele?! Ele é que se fez convidado, como é seu costume. O fulano, sempre em bicos de pés e a furar onde pode, não perde uma, basta ler o nojo que escreve aqui, sempre a auto-promover-se. Chama burro aos outros quando ele é que não passa de um verdadeiro asno. Olha lá ó pacóvio, como tu costumas dizer, vai mas é vomitar as caganças à porta do teu prédio e depois engole o vomitado, gabarola!

  4. Sim, não contente com a promoção/divulgação em proveito próprio repete, de maneira petulante, onde e quando o livrinho vai ser apresentado.
    É lamentável, servir-se do comentário de uma criança para repetir-se na presunção, sem ter em conta o ridículo a que se expõe.
    Vou apanhar o 28 e lá estarei, sem falta. Atrás da Sé pelas 19 horas, na Livraria Fábula Urbis.
    Já agora, o Tomás fez o comentário em que ano?

  5. Embora leitor do Aspirina B, não tenho o hábito de fazer comentários, mas não resisto a deixar hoje aqui uma “adenda” ao que escreve JCF. O livro em causa, Transporte Sentimental, foi publicado em 1987, tem apenas 28 páginas, com 10 pequenos poemas e 8 textos com meia dúzia de linhas. É verdade que qualidade, não quer dizer quantidade. Sem ofensa, talvez não seja o caso. A obra parece-me modesta no conteúdo. Veio parar-me às mãos porque sou bancário aposentado e o livrito teve o apoio do Grupo Desportivo do Banco Português do Atlântico. Espero que JCF não diga como é seu costume “que tenho é inveja”. Depois de ler o poema e os comentários fui à procura do livro, que está na minha frente. Diz que os poemas são dedicados a Armando Silva Carvalho, Fernando j. B. Martinho e Pedro Támen.

  6. O neto um dia vai sentir vergonha ao ler as caganeiras do avô. E vamos lá ver se estes comentários não vão servir para outro rol de prosápias agoniativas do tipo. Tudo lhe serve para o auto-elogio e a auto-promoção. Estamos sempre a levar com as postas de pescada do gajo post sim, post sim, sempre a melgar, sem um pingo de vergonha nas trombas. Belo comentário o de cima. Thoma(s) e embrulha. Caraças, nunca li tanta merda de vaidade junta!

  7. Manel e Maria e Eduardo é tudo o mesmo «mail» é (portanto) o mesmo parvalhão. Esse livro que refere está esgotadíssimo e a Câmara Municipal de Lisboa promoveu uma nova edição. É esse novo livro que vai ser apresentado em 27-2-2010. Um coisa curiosa é a opinião do Fernando Venâncio em 7-12-1993 no «JL» sobre o «Transporte Sentimental», bem oposta a este «pobre». Vejamos: «E a propósito: quem, de entre os hodiernos poetas, é o «nosso» Cesário, aquele que fará corar para sempre esta nossa cega geração? Será ele José do Carmo Francisco, esse dum esplêndido «Transporte Sentimental»?

  8. Com o estilo pobre e arruaceiro do costume, escreve JCF que «Manel e Maria e Eduardo é tudo o mesmo «mail» é (portanto) o mesmo parvalhão». Ataca também os comentadores deste blog onde escreve (mal), sem respeito pela liberdade de expressão, quando criticam a sua vaidade e falta de modéstia desmedidas. Não somos, é evidente, a mesma pessoa. JCF atira tiros para o ar. Mas dou razão aos outros comentadores: Eduardo Almeida (?) com o seu elucidativo esclarecimento, e ao Manel (?) que acertou ao adivinhar que JCF iria aproveitar-se, mais uma vez, dos comentários para se auto-promover.
    Sobre Fernando Venâncio (que respeito e admiro), lembro o que escreveu aqui, no Aspirina B, em Maio de 2008: «…quem pode segurar o JCF quando tem uma pérola autobiográfica a comunicar?» Ou o que escreveu em Junho de 2009: «…por todos os coros celestiais: pára, duma vez, de trazer sempre a terreiro, como trombetas da tua glória, esses nomes alheios. Sê humilde, porra.» Hoje, «a terreiro», veio o seu próprio nome. Dei-me ao trabalho de pesquisar comentários de FV feitos ao senhor José do Carmo Francisco e encontrei muitos mais no género destes.
    Gozei de uns diazinhos de férias, e como a chuva e o frio não dão alternativa, eis a razão de perder o meu tempo com este assunto.

  9. Como diz o Vasco Santana no filme «A canção de Lisboa» quando passa o homem da hortaliça: «É burro e é estúpido!». É preciso ter lata para fingir que são três (além do JMM) quando vem tudo da mesma sarjeta – o mesmo «mail». Eu vi antes de deitar para o lixo.

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