Calvário / Hospital de Santa Maria

Sobretudo raparigas a caminho

da Faculdade de Letras e do Hospital.

Procuram as caras conhecidas

colegas de turma ou de lar

principalmente em Outubro

quando tudo está no princípio

não há ainda rotinas diárias

e os fins de semana

não são para estudar.

Olham o relógio mas é do trânsito

o maior atraso da sua vida.

Guardam desta confusão

uma relativa harmonia:

eléctricos, autocarros, táxis,

no atropelo ordenado do código

e das regras do trânsito.

Anos depois esquecem tudo

numa terra longe daqui:

darão aulas, irão à noite ao café,

beber uma respeitosa bica

com os maridos e os pequenos filhos.

Nada deixaram neste percurso

Também nada levaram

(São secos manequins).

22 thoughts on “Calvário / Hospital de Santa Maria”

  1. O rio é muito giro, lá para os lados da capital, logo que não venham uns abanões e tsunamis daí. Prefiro o Douro: é mais profundo e mais autêntico.

  2. Não sou estudante …nem manequim. mas deixem-me testemunhar o que li aqui.
    Só vos resta chamar-lhes “putas” será que estou certa?
    Se sim…quantos de vós têm lá filhas a estudar na Alameda das Universidades ou mesmo no Hospital de Santa Maria?
    este poste realmente dá-me nojo.

  3. É verdade, atenta, é um post de velho preconceituoso. São esses que se metem a coçá-la quando vêem universitárias a passar. Coitados…

  4. Reparaste mal porque se trata do Marquês de Pombal, local onde o dito autocarro passa entre o Calvário e o Hospital de Santa Maria. Ou passava quando o poema foi escrito em 1986. Além de tudo o mais vês mal – vai à Multiópticas que dá desconto conforme idade.

  5. jcfrancisco
    Desculpa!!!!!
    … apreciando a foto daqui……ao fundo está o rio. O Marquês fica ao fundo….logo cá em cima é o parque Eduardo VII.
    Será que só frequentas a estátua? deves ser uma puta reles….

  6. O meu pai e minha avó estão numa fotografia, nesse lugar.
    Ainda sem jardim, mas Lisboa pequenina vê-se bem.
    Não sei o que os levou a esse sítio, se calhar apanhar um naco de azul, ou uma brisa suave.
    Meu avô fotografava, o que nesse tempo era ousado e raro.
    Minha avó cobria o olhar com a rede do chapéu e meu pai, adolescente magro, vestia fato completo.O olhar era já intenso e melancólico.

    Ainda sem jardim, mas já era um lugar.

    Ó senhores críticos do Francisco, isto não é um poema, o que escrevi são palavras, só palavras, vírgulas e pontos sem final.
    Não sei, José, como tens fôlego e pachorra para te expores à maldade.
    Foge!

  7. Oh Clara não te preocupes. Parte do que aparece aqui é rebotalho humano, lixo social. Não me toca, passa ao lado. E não é «maldade» é estupidez. Não tem dimensão.

  8. Se a memória não me falha era (ou é?) o autocarro 38.

    “Nada deixaram neste percurso
    Também nada levaram
    (São secos manequins).”

    jcfrancisco, desculpa lá a minha rebotalhice mas isto é excesso de pretensiosismo da tua parte ou algum código de linguagem poética que me ultrapassa?

    E não era tudo sobretudos, também havia camisolões e kispos ; )

  9. jcfrancisco
    Mai 19th, 2010 at 13:18
    Oh Clara não te preocupes. Parte do que aparece aqui é rebotalho humano, lixo social. Não me toca, passa ao lado. E não é «maldade» é estupidez. Não tem dimensão.

    Lixo social és tu. O que não te interessa ler é porque é retardado, pois sim! Está certo Lollllll

  10. Oh burro eu disse «parte», não totalidade. Se te incluis no rebotalho é contigo. Se te incluis no lixo social é contigo. Não me tentes integrar – eu estou fora do teu pequeno mundo.

  11. Só consegues olhar para o teu umbigo devido à petulância, soberba e insolência que decidiste abraçar, jcfrancisco. Isso não é bom nem é mau. Não é nada. Como se não bastasse quase deixas a ideia que é tua missão transformar tudo e todos em seres que pensem como tu. Digo quase porque te falta ousadia para o assumir explicitamente.

    A maior parte dos elogios ao que fazemos só servem para nos aconchegar o ego. Pelo contrário, as críticas negativas são normalmente as que nos fazem reavaliar as nossas opções e convicções. São elas que são positivas e muitas vezes consequentes.

    Decididamente não aprecio a tua escrita por razões que já tive coragem de te enumerar. E é muito raro conseguir ler-te uma imagem de grande beleza ou originalidade. Das incongruências e contradições nem vale a pena falar.

    Há alguns dias, decidi provocar-te na expectativa que, com alguma racionalidade, me demonstrasses o erro da minha análise aumentando a consideração que possa ter por ti. Foi um equívoco. Ainda assim, o melhor para ti e para os teus. Comigo podes ficar tu descansado.

  12. A sério, meus senhores, eu sou nova aqui e não compreendo.
    Tenho um blogue com mais duas pessoas, http://marcadagua-pt.blogspot.com
    Nunca aconteceu nada que se pareça. As pessoas são educadas, mesmo discordando.
    Já conheço o José há muito tempo e considero-o uma pessoa sensível, com muitos amigos e respeitado.
    Sobre a sua obra poética: tem uma linguagem muito próxima do quotidiano, coloquial, cheia de ternura magoada.
    Se as pessoas não apreciam, digam, mas com elevação.
    Lamento.

  13. Só uma pessoa de baixo nível chama aos outros “lixo social”. Um pedinte, um toxicodependente, uma prostituta serão, para este senhor “lixo social”? Estará habituado a tratar os outros de modo tão desumano? Parece-me que “lixo social” será ele, sem dúvida! Lixo que não serve para ser reciclado! Será pouco dizer-se que é petulante, soberbo e insolente. É ascoroso, isso sim!

  14. Continuo sem perceber. A net e o anonimato cobre muitas frustrações.Se o senhor pensa tão mal dessa pessoa, por que não revela a sua identidade? Acha bem?
    Se o José é assim tão asqueroso, diga porquê e identifique-se. Eu gostava de saber.
    Sinceramente, se ele é um perigo social, identifique-se e avise as pessoas com factos.Para nos defender, obviamente.

    Meu caro José, acho que não me vais tornar a ver por aqui. Cumprimentos a todos.

  15. Clara, se tiver tempo leia algumas das respostas do «José» dirigidas às diversas pessoas que fazem comentários ao que ele escreve. Merece a pena, ficava a conhecê-lo melhor. Admira-me não ter reparado nas respostas que o «José» faz acima, rotulando os outros de burros, rebotalhos e lixo social. Acha isso digno de uma pessoa «sensível», que escreve poemas «cheios de ternura magoada»? Não me parece! A frase «eu estou fora do teu pequeno mundo», mostra como o «José» se sente superior aos outros – sem ter motivos para isso. Ninguém elogia os seus escritos, exactamente por ser intratável, agressivo, malcriado e, sobretudo, muitíssimo convencido de que é uma pessoa notável no nosso mundinho intelectual e literário, um grande poeta, uma figura pública. Como o pobre está enganado! Bom, e a Clara também…

  16. Senhor FC:

    Aceito os seus comentários, porque não me insultou, agradeço.
    Continuo sem perceber por que não se identifica. Isso é que não me serve.
    Se estou enganada, lamento. Saberei estar atenta.
    Todas as pessoas têm lados bons e maus e todos somos precisos.
    Se o José reage assim, o que também não seria necessário, se calhar é porque se sente insultado.
    Tudo isto não me parece digno de gente inteligente.
    Desejo felicidade a todos e a si também.
    E não voltarei a escrever aqui.

  17. É o adjectivo certeiro: amargurado, pois. Mesquinhos que não respeitam os outros, seres humanos, ao ponto de lhes chamar lixo porque classificam um texto de porcaria, estão limitados a tentar a felicidade debicando-se neles próprios. A bosta, como bem percebeste, referia-se ao texto e não a ti. Mas esta paranóia vigente de confundir a palavra com o ser limita-nos o discernimento.

    A questão é que todo tu és fanático e é isso que te tolhe a espontaneidade e beleza. O fanatismo alimenta-se de preocupação permanente e angústia e mesmo as explosões de alegria que pode suscitar são eivadas de stress e tensões internas.

    É escusado virares costas e fingires que não ouves, jcfrancisco. Relaxa, desfruta todo o teu empenho e resultados com calma. Vais ver que não dói nada. E essa venda que colocas a ti próprio de que os outros que não te gabam, ou que não gostam da tua escrita, são todos uma porcaria, não te vai resolver problema nenhum. Retiro-me imediatamente das tuas caixas de comentários mas podes estar certo que enquanto não mudares de postura estás sempre sujeito a que alguém te venha aborrecer porque ultrapassou o limite admissível de pachorra para te ouvir tratar mal os outros.

    Deixo-te entregue às sombras de Pessoa, esse escriturário alcoólico que, reconhecerás, não é mau diabo.

    “A água de aqui é boa, não é?
    Se é! Quantos vinhos que julguei melhores bebi!
    A água de aqui — a verdade!
    A verdade não — a melhor aparência dela…”
    Álvaro Campos

    “Falaram-me os homens em humanidade,
    Mas eu nunca vi homens nem vi humanidade.
    Vi vários homens assombrosamente diferentes entre si.
    Cada um separado do outro por um espaço sem homens.”
    Alberto Caeiro

    “Como uma criança antes de a ensinarem a ser grande,
    Fui verdadeiro e leal ao que vi e ouvi.”
    Alberto Caeiro

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