Balada nocturna para Eduardina

Viola-da-terra, menina

Nas mãos de Hélio Beirão

Cria na voz de Eduardina

O rumor duma canção

Na Rua dos Navegantes

Como na Horta, cidade

São as coisas importantes

Que criam maior saudade

Entre igrejas e conventos

Entre ermidas e mercados

Ficam no pó dos momentos

Os teus passos registados

Nas janelas dos solares

Na Ribeira da Conceição

Nos mais diversos lugares

Angústias em construção

Viola-da-terra, menina

Mas mãos de Hélio Beirão

Cria na voz de Eduardina

O rumor duma canção

Das Angústias, freguesia

Pode nascer um compasso

Com palavras de alegria

É esta canção que faço

Jardim Florêncio Terra

Num coreto silenciado

Uma voz em pé de guerra

Procura por todo o lado

Qual é o exacto lugar

Onde fica a sua canção

Será na Rua do Mar

Ou na Rua de S. João

Viola-da-terra, menina

Nas mãos de Hélio Beirão

Cria na voz de Eduardina

O rumor duma canção

9 thoughts on “Balada nocturna para Eduardina”

  1. Poetas e pensadores são poemas… harmonizações sonoras deleitosas para a alma… apesar dos ouvidos enrudecidos pelas estropolias fabris que ressoam na cidade. Que fazer? Escutar com deleite ou balburdiar sem destuar? Que dilema!

  2. Nada vibrou em meu coração, entorpecido, apagado, sem pulso. Tomara escrever de garganta solta e alavancar harmonias dissonantes, mas trago o coração morto, a voz embrulhada, o pensamento fosco.

    Uma pedra enxotada por quem a amou.

  3. Alavanca, mulher, que o teu alavancar nem sempre traz desgraça. Já o coiso dizia que atrás de uma montanha está outra.

  4. Foste tu que mataste Lira, do Carmo ?
    Plangente rima,
    Toada para Eduardina, a Bela, nas mãos de Hélio Beirão. E Florêncio Terra ?
    Viola-da menina-terra !
    Jnascimento

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