Balada do meu amor

(sobre um tema de Pedro Homem de Melo)

O meu amor anda em fama
Mesmo assim lhe quero bem

Saltam pedaços de lama
Não acertam em ninguém

E batem a todas as portas
Profetas de voz medonha
Á noite às horas mortas
Não se percebe a vergonha

Do Aljube ao Limoeiro
Vai a distância de um grito
No olhar do carcereiro
Está tudo o que não foi dito

Entre Peniche e Caxias
Não pude escolher prisão
Na pele negra dos dias
Brilha o fogo da paixão

Fosse da boca a vermelho
Ou dos teus olhos escuros
Minha vida foi um espelho
Partido contra os muros

Nas prisões sou condenado
Sofro estranhas sentenças
Procurei por todo o lado
Só encontrei indiferenças

Quando procuro nas ruas
Ou nas praças da cidade
A linha das mãos, as tuas
Com o suor da ansiedade

Quando te perco na escada
Do Metro ao fim da tarde
Sei que ninguém dá por nada
Mas nos meus olhos já arde

No desenho da procura
Do teu perfil desenhado
Nas paredes da loucura
Dum quarto abandonado

Onde o amor sem paciência
Não esperou pelo meu beijo
Talvez um caso de urgência
Na gramática dum desejo

O meu amor é teimosia
Nos dias dum calendário
São minutos de alegria
Numa cidade ao contrário

O meu amor anda em fama
Mesmo assim lhe quero bem

Saltam pedaços de lama
Não acertam em ninguém

3 thoughts on “Balada do meu amor”

  1. Dava um fado, ou dois ou três, agora que tanto se tem falado de Amália.
    Assim dá rima, apenas, e ritmo e não é pouco, jcf!
    Jnascimento

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