Balada do licor da quarta classe

Mal chegado de Lisboa

Bebi sem que esperasse

Num balcão de Foz Côa

O licor da quarta classe

Com amêndoas e figos

Entre pipas de vinho fino

Desenha mapa de amigos

Num coração de menino

Que todos vão guardar

Dentro da adulta idade

Os rios foram para o mar ´

Essa é a única verdade

Quarta classe data sabida

Na vida feita caminho

Há uma frase sentida

Já és um homenzinho

Nesse licor de Foz Côa

Que nunca tinha bebido

Há a marca duma pessoa

E um espaço percorrido

Disse adeus a Trancoso

Deixei na Meda verdades

Num comboio vagaroso

Desenho duas saudades

A Menina de Vilarouco

Princesa nesta paisagem

O sorriso nunca é pouco

No calor duma viagem

O licor da quarta classe

Memória, fim da infância

Entra sem que o sonhasse

No mistério e na distância

6 thoughts on “Balada do licor da quarta classe”

  1. O licor da quarta classe, só por si e por aquilo que representa em nós, ainda que com pouco álcool na sua composição, é capaz de nos transportar a um estado de pura embriaguez pela saudade e pela doçura.

  2. Obrigado pela leitura, valeu a pena escrever esta ladaínha para ter este leitor. Mas sei que há quem leia e não queira comentar… Um abraço

  3. Hoje encontrei nos Restauradores um jovem jurista que leu este poema e telefonou ao pai para confirmar o que era isso do «licor da quarta classe». Depois fomos beber um «pirata». Quando a Clara escreveu «Foge José!» não estava a pensar nestes encontros, só viu o lado mau, o rebotalho.

  4. Continuas na tua: quem não gosta do que escreves é logo rotulado de rebotalho! O facto do jurista ter perguntado ao pai, não quer dizer que tenha gostado do teu texto. Se a vaidade tivesse asas, há muito que não te víamos por aqui!

  5. Queres a «cartilha maternal» para aprender a ler de novo ? Olha que isto não é «conversa da treta». Estás enganado. Não sou Zezé nem Toni. Sou outro.

  6. Pois não, esta é “uma conversa da merda”. E és o outro, o Xico esperto que pensa que os outros são parvos.

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