Balada da Serra dos Candeeiros

Grande parte da minha vida

Feita de paz e sem guerra

Foi numa casa construída

Com pedras daquela serra (Mote)

Na Serra dos Candeeiros

Parava o vento do mar

Eram lentos os carreiros

Com os olhos a cantar

Traziam pedras gigantes

Para a mão dos britadores

Fazer em poucos instantes

As pedras dos construtores

Os pedreiros sujos de cal

A pegar no fio de prumo

Que traça numa vertical

Lugar do fogo e do fumo

Sem desenhos ou papéis

Nascia a planta dum lar

Quatro canas dois cordéis

São os limites dum lugar

Na Serra dos Candeeiros

O azeite era o mais puro

Os ventos tão verdadeiros

A cantar por sobre o muro

Vinha a água das cisternas

Sempre boa e sempre fria

Sem as técnicas modernas

A limpeza era uma enguia

Vinha o leite já fervido

Vinha o queijo saboroso

O dia era mais comprido

Tudo era mais vagaroso

A pedra que me defende

Do Verão e do Inverno

Não se paga nem se vende

É um valor forte e eterno

5 thoughts on “Balada da Serra dos Candeeiros”

  1. A Serra dos Candeeiros e a torre altaneira da igreja de Sta. Catarina. É engraçado, nasci mesmo entre as duas (Benedita).

  2. Não te quero obrigar a tomares um calmante, porque a tua saúde está acima de tudo, mas acreditas mesmo que exista algum Morricone entre o Minho e o Algarve preparado para arriscar Música numa balada dessas?

    Posso dar-te um link dum vídeo dum gajo que declama Ovídio. Estás interessado?

    Fica em paz na ausência de guerra e não me chames maloio porque é falta de educação.

  3. Obrigado Teresa pela leitura e comentário. Sempre fui uma pessoa diferente em relação a rivalidades locais – nunca me pareceu que as terras ao lado da minha fossem piores, são apenas diferentes. Para mim Turquel, Benedita, Carvalhal e Vimeiro são boas terras com boa gente. Engraçado que a primeria memória da Benedita é de eu com a minha mãe pedirmos um copo de água e darem-nos um copo de água-pé… Era mais barato porque a água vinha de cisternas, a única parte da casa que estava sempre fechada à chave.

  4. JCF, agora por causa da história das rivalidades, lembrei-me dos meus avós, quando nos contavam das verdadeiras batalhas campais entre a população da Benedita e Santa Catarina, para determinarem a “linha de fronteira” entre as duas freguesias (algures nas primeiras décadas do séc. passado). Ríamos até às lágrimas, quando eles nos descreviam como as pessoas se armavam com tudo o que tinham à mão, enxadas, sachos,ancinhos, foices, etc. para se degladiarem uns aos outros; não raras vezes com maus resultados. Felizmente, hoje já não existem essas rivalidades e damo-nos todos bem com os nossos vizinhos. Essa história da água-pé, por um copo de àgua, não conhecia, mas não me admira nada que assim fosse, pois a água era um bem muito precioso e não pela escassez, mas pelo trabalho que dava trazê-la para casa, carregando com cântaros e baldes do fundo dos vales onde estavam as fontes e os poços.

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