Balada da Praça da Fruta

(a Carlos Querido)

João Cristo, sua cocheira

Onde o meu avô sabia

Que a burra trabalhadeira

Era a dez tostões por dia

Ficava ela a descansar

Nas cocheiras da cidade

Desconfiada do lugar

E moscas em quantidade

Minha tia Francelina

Nascida no Zambujal

Vinha vender obra fina

Os bichos do seu quintal

Numa carroça pequena

É que o seu mundo cabia

Sempre calma e serena

Dava-me um beijo e sorria

Exame era uma guerra

Bebemos uma gasosa

O grupo da minha terra

Não levou uma raposa

Nos armazéns do Chiado

Pronto-a-vestir é um fato

Nunca tinha reparado

Neste novo artesanato

Meu exame da terceira

Foi feito sem companhia

Em Abril, segunda-feira

Já não me lembro o dia

Chamado para a inspecção

Sou dado como capaz

Dentro duma contradição

Não sou guerra mas paz

Minha prima Deolinda

Professora de crianças

Na doçura que não finda

Dava-me muitas esperanças

Suas torradas matinais

A caminho do regimento

Davam-me forças especiais

Para marcha e movimento

Fosse das suas orações

Ou fosse da entrevista

Eu passei sem ralações

E fiquei em contabilista

Com três filhos crescidos

E acrescentado um neto

Compro beijinhos pedidos

E cavacas no Gato Preto

Praça da Fruta eterna

Onde o mundo nunca pára

És tão antiga e moderna

Porque és uma praça rara

Povoada por mil paixões

Todos nós mesmo distantes

Trouxemos nos corações

A força dos teus instantes

E mesmo na chuva londrina

Tomas, meu neto à escuta

Recorda Santa Catarina

E lembra a Praça da Fruta

32 thoughts on “Balada da Praça da Fruta”

  1. Fonix, Sr. José do Carmo Francisco obriga-me continuamente a quebrar promessas.
    Foi num longínquo dia de Abril de 1971 que um instruendo, devidamente uniformizado, do curso de sargentos do então regimento de infantaria das Caldas da Rainha entrou na Zaira (penso que era esse o nome)e perante a estupefacção geral pediu um suculento bife para fugir a pobreza do rancho. Quando terminou a refeição e pediu a conta teve a surpresa de saber que estava paga. O atrevimento/ignorância de entrar num local só frequentado por oficiais tinha-lhe proporcionado uma refeição grátis. Lá estavam o comandante do batalhão de instrução,um major de que já não me recordo o nome que foi o ofertante, e o famoso tenente Varela por quem eu esperaria em vão numa madrugada de Março de 74 algures entre Frielas e Loures a Norte de Lisboa. O 25 de Abril estava já ao virar da esquina para o descontentamento de muitos então e de muitos mais hoje.
    Sai mais uma lágrima de saudade.

  2. Notória, como sempre, a desarticulação do texto. A falta de coordenação, de unidade entre os «versos». Sílabas a mais, sílabas a menos. Uns versos rimam, outros não, embora a poesia nem necessssite de rimar para se escrever um bom poema. Tudo numa misturada intragável. Não conta só a boa intenção, as recordações do passado, a vida que foi e já não é. A poesia é muito mais do que um amontoado de palavras. Há que saber escrever. Caso contrário, aconselho o autor a guardar estes trabalhos na gaveta.

  3. O que jcfrancisco escreve ,prosa ou poesia e não só aqui , diz-me muito ,também faz parte de mim ,está tudo aqui ,não só na mente,mas à minha volta . Então hoje ,essa Praça ( há um ano ou dois ainda fiz parte de um grupo ,que representou uma pequena peça de teatro ,cujo ” centro ” era a Praça da Fruta e a Rainha,fundadora do Hospital Termal ) , a Zaira ,os que jafonso esperou em vão ( o major já morreu há muito ,o Varela está na mesma … ) ,o Regimento,o Carlos Querido …… posso dizer que me basta chegar à janela para sentir essa realidade ,que vem descrevendo ao longo dos anos .
    Saudade ,sei lá se é saudade ,mas que muito do que escreve mexe comigo ,lá isso mexe !

  4. JCFrancisco, foi você quem escreveu o poema?

    Deixe-me dizer-lhe o seguinte: a photo, a balada, compõem um quadro lindíssimo. Expressivo, com sentimento, não se lhe pode ficar indiferente.

    Mas com tanta sensibilidade articulada, tanta alma expressada, quanta desilusão quando manda não sei quem ir dar conselhos para a «tua rua». Sabe porquê?

    Porque quem analisa ou lê um poema, um texto, um conjunto de versos, e os pondera tão só na forma, se abstrai do conteúdo, não sabe o que faz, não sente, não vê, não tem emoção, não tem paixão.

    A poesia é simplesmente um expressar da alma, é extravazar até onde queremos ou podemos, o que sentimos. A Carmita, é isso, mesmo uma pita a precisar de uma maçaroca que a faça cantar. Ou então de um drunfo bem forte.

    O António Aleixo guardava rebanhos, e nada sabia de forma, mas que Poeta, não foi? As Carmitas vão sempre existir, porque simplesmente sem elas, não se pode reflectir sobre aquilo que nos colhe o bom sentimento, a beleza de uma rua, enfim, essas coisas todas, que sabe tão bem quanto eu, existem e se gravam nas nossas memórias.

  5. Não conheço o JCF pessoalmente, mas somos conterrãneos. Gosto do que escreve com tanta singeleza. Acompanho há muito e com muito interesse a sua “Estrada de Macadame”, na Gazeta. Sigo este blogue há bastante tempo e é dos meus preferidos, não só pelo JFC, como pelo Valupi. Agora, há uma coisa que não entendo e me faz profunda confusão: porque é que há por aqui tanta gente a ofender o JFC? A ofender de modo tão brutal e boçal? Não consigo entender tanta maldicência gratuita, tanto ódio nestes comentários e até mesmo crueldade…Será que JFC vos fez assim tanto mal? O que têm contra ele? Expliquem-me, porque me dói ver tratar assim as pessoas de bem. Visito este blogue frequentemente, mas é a 1ª vez que comento, porque já não aguento mais tanta pobreza de espírito por parte de alguns comentadores. É muito triste ver como a ofensa gratuita pulula pela blogosfera. É triste e tacanho…..

  6. Caros senhores: alguém leu Cesário Verde, José Régio, Sophia de Mello Breyner, Nemésio, José Gomes Ferreira, David-Mourão Ferreira, Manuel da Fonseca, Eugénio de Andrade, Natália Correia, Torga, entre outros, mesmo Ary dos Santos, embora seja mais conhecido como um poeta de canções? Acham que estes poetas não souberam transmitir nos seus poemas a sua sensibilidade, os seus sentimentos, a sua alma? Sem dúvida que sim. E de que maneira! Mas numa escrita cuidada, belíssima, porque forma e conteúdo, em poesia, são indissociáveis. A musicalidade, o ritmo, a suavidade ou a força de cada verso fazem o poema. O talento e a arte são um dom. Nem todos o possuem. É nesse contexto que rejeito a falta de arte e de talento de JCF. Só com sentimento e saudosismo não se pode ser poeta. E não me façam reproduzir aqui o soneto de Florbela!
    Na poesia dos poetas que cito acima e de outros, está lá tudo, além da forma: sentimentos, alma, corpo, espírito, emoções, paixão, arte, talento, dom. Num conteúdo harmonioso e estético, numa forma perfeita. A isso chamo eu ser poeta. O que JCF escreve nem sequer encaixa numa novíssima poesia portuguesa.
    António Aleixo era um poeta grande, um filósofo da poesia. Era um erudito, embora quase um analfabeto. Nada sabia de forma, mas nasceu poeta. Tinha a faculdade e o dom. Não precisava de mais. Pode ombrear com os grandes poetas porque o merece, por mérito próprio.
    Com rigor, métrica (mesmo na poesia dita moderna, livre), com concordância, arte e talento (e mesmo com alguma «oficina») é possível chegar ao coração de quem lê. O que não é, realmente, o caso de JCF. Um rol de palavras mal alinhavadas nada representa. Ou, então, os admiradores (raros) de JCF são muito pouco exigentes no que respeita a poesia. Contentam-se com muito pouco. Além de que um poeta não se expressa perante os seus leitores com a brutidão e a cretinice que já se tornou «o cartão de visita» desse senhor.

    tou-te a ber: Quando escreve que fica desiludido com «algumas expressões» do José do Carmo Francisco, não entendo como se refere a mim como: « A Carmita é uma pita a precisar de uma maçaroca que a faça cantar. Ou então de um drunfo bem forte»! As expressões do JCF, são básicas, rudes, mas não são ordinárias.

    Teresa: para as suas perguntas não encontra melhor resposta do que ler os posts do JCF e respectivos comentários.

  7. Concordo consigo Maria Teresa. Unicamente não comento e critico a forma como alguns se dirigem a JCF porque sei que a seguir vem uma chuva de chorrilhos à minha pessoa. Dou valor às recordações de JCF e, quem teve uma vivência rica na sua meninice e juventude é que pode se referir a ela com sentimento de alegria e saudade. Bem-haja os JCF deste País por nos trazer à lembrança certas recordações.
    Gosto de o fazer para me esquecer do negativismo que grassa no País. Ligamos a rádio é só notícias a dizer mal, vamos para os canais das televisões idem aspas, aspas, na imprensa escrita a mesma coisa, há interesse em provocar este tipo de notícias. Tenho pena dos vários comentadores e escrivas, coitados, tem de se prestar a isso se não o seu posto de trabalho é posto em causa.
    Por isso é que certas vezes escrevo a dar conta do bom que se faz na minha terra. Mesmo com o País em “crise” respondemos com a nossa alegria, que são as nossas festas e a nossa maneira de ser. Envio certas notícias do blogue Freamundense, para mostrar a nossa forma de vivência. Pena os “derrotistas” não terem vindo para ver como a juventude e restante população revive e se orgulha das suas festas e manda a tristeza ir dar uma volta. Que vá para a terra desses derrotistas e maldizentes. Passamos bem sem eles. JCF que nunca lhe doa os dedos para nos presentear com as recordações e saberes.
    Quem é rico nas tradições populares vive num condomínio aberto. Quem é pobre nessas tradições vive num condomínio fechado. Que é como quem diz vive isolado. E quem assim é. É solitário e invejoso.

  8. Alguns comentários fizeram-me recordar uma situação passada, há cerca de vinte e tal anos, na Régua, quando ainda era aluna e vinha passar alguns fins de semana à minha terra. O comboio que me trazia do Porto à Régua não tinha ligação directa com a camioneta que passava na minha aldeia, o que me obrigava a intermináveis esperas. Para matar o tempo, deambulava pela marginal, observava os trabalhos de dragagem no rio Douro para o tornar navegável e entretinha-me a observar as pessoas que, tal como eu, por lá passavam a tarde. As vendedoras dos famosos rebuçados da Régua não me deixavam indiferente. Eram três, vestidas de bata branca, cada uma com a sua cesta de vime no braço onde colocavam os saquinhos de rebuçados. Enquanto aguardavam a chegada de clientes, duas conversavam animadamente e a terceira mantinha-se (ou era mantida) a alguma distância. Quando se aproximavam veículos à procura de estacionamento, uma das “rebuçadeira” (sempre a mesma) levantava-se e corria em direcção ao veículo, de braço no ar a perguntar, em jeito de pregão: Ó menina(o)leva rebeçados? Quando paravam vários veículos, instalava-se a confusão porque as outras duas vendedoras tentavam a sua sorte junto dos potenciais clientes. Então, a primeira vendedora ficava furiosa, chegando até ao insulto às duas colegas quando estas conseguiam vender os ditos rebuçados. A vendedora mais activa considerava que os clientes eram só seus, uma vez que ela era a primeira a levantar-se e a oferecer os saquinhos de rebuçados aos clientes.
    Numa das tardes em que esperava pela chegada da minha camioneta resolvi provocar as “rebuçadeiras”: abeirei-me delas e, propositadamente, não reagi aos apelos que me eram dirigidos pelas vendedoras mais activas. Dirigi-me à que raramente tinha oportunidade de fazer negócio e que era, também, a que se mantinha à distância das outras. Pedi-lhe que me vendesse alguns saquinhos, deixando as outras duas roídinhas de inveja. Continuei a observá-las enquanto me afastava delas e reparei que agora as três dialogavam animadamente. O que verifiquei na situação descrita, encaixa na expressão: “passar de besta a bestial”.
    Regozijei-me de, pelo menos, durante todo o tempo que permaneci na Régua ter contribuído para que aquelas duas mulheres respeitassem a terceira. De facto, e apesar de não ser especialista em Sociologia, considero que a distância entre o besta e o bestial é muito ténue e pode estar à distância de um ou de dois comentários da blogosfera.

  9. Clara Rocha, Silvina Rodrigues Lopes e António Cândido Franco aprovaram com alta nota uma dissertação de mestrado sobre a minha poesia na Universidade Nova; o autor é Ruy Ventura. O Dicionário de Literatura Jacinto do Prado Coelho regista um verbete sobre os meus livros. Ao pé destes factos nada valem os pinotes, os urros e o pó levantado pelos asnos.

  10. Carmita, não me leve a mal, mas “só com sentimento e saudosismo…..”, basta o sentimento, para se ser poeta, todo o resto vem por acréscimo. Depois não há que fazer comparações, cada artista tem o seu estilo muito próprio, repare na quantidade de portugueses que odeiam simplesmente a escrita de Saramago e o seu estilo, por isso, e desculpe mais uma vez contrariá-la, não me parece uma questão de ser ou não exigente: ou se gosta ou não se gosta. Quer-me parecer, pelos seus comentários, sempre tão agressivos que terá alguma “malapata” pessoal com JCF, e se assim é, resolva-se em privado, não denegrindo em público alguém que parece ser uma pessoa correta e bem formada e que bem ou menos bem, vai dando algum contributo para a cultura deste país de iletrados. Quanto a “cretinice e brutidão”, gostaria de ver exemplos concretos.

  11. Sr. Manuel Pacheco, o senhor é o comentador mais sensato e lúcido deste blogue (gosto muito dos seus comentários). e estou plenamenete de acordo consigo: as memórias são fundamentais para todos, impressas com sentimento e saudade (sem saudosismos), melhor ainda. E são importantes , não só para os mais velhos, como para as novas gerações. Alguém tem que as preservar, certo? a minha filha, que tem 18 anos, sempre gostou de me ouvir contar-lhe as histórias e acontecimentos da minha juventude. É verdade, Sr. Manuel Pacheco, o nosso país está cheio de derrotistas e maldizentes e, há que contrariar esta situação. Por isso , que nunca doam os dedos nem a voz às pessoas de boa vontade.

  12. JCF, não me parece que seja obrigado a provar algo a alguém. Continue o seu bom trabalho e siga em frente. Já agora, e como vivo nesta bela cidade de Caldas da Rainha, esta “Balada da Praça da Fruta”, tocou-me especialmente.

  13. Carmita,

    «Um rol de palavras mal alinhavadas nada representa. Ou, então, os admiradores (raros) de JCF são muito pouco exigentes no que respeita a poesia. Contentam-se com muito pouco.»

    Isto é apenas um pouco do «disparate» que encarrilou numa caganeira altíssima.

    Vou-lhe dizer o seguinte: tenho várias velocidades, e todas elas são válidas para os contextos em que as aplico. Apenas eu as controlo e com elas me comunico com o semelhante. O que é ordinário para si pode não o ser para mim. Ordinário, deselegante, invejoso, desmesurada e incrivelmente arrogante são os seus comentários.

    Quem é? Pois que se acha dona da leitura dos autores que menciona? «Alguém leu»? Como ousa fazer primar uma pseudo – informação de deslumbrada académica, frustrada atrás de uma mesa sem cadeira, sobre o que os «outros» aqui referem, incluindo eu?

    Quem é a sua parca pessoa para dizer que os que apreciaram o escrito do autor se «contentam com muito pouco?»

    Pois eu contento-me com o que o meu intelecto e coração mandam. Não os esforço, não os envaideço! Mostre-me o que sabe de poesia? Rimas, versejos, enjambement e «não sei o quê mais?»

    ORDINÁRIA é a sua intervenção. Mais ordinarice existe na sua postura que no pior palavrão que eu possa aqui proferir…e agora vou mandar-lhe estoutro: vá catar piolhos no monte, inspire-se, guarde uns bezerros, durma ao pé deles, quem sabe o «milagre» de um dia a põe tão «empirica» mas sobretudo dotada, como acontecia com António Aleixo.

  14. Carmen, resumindo, os textos de JCF estão desprovidos de literariedade. Podem abarcar várias funções, mas a função poética encontra-se ausente em tudo quanto escreve.

  15. Até poderemos estar perante um poeta de água doce, mas, carago, desde quando a arte tem que ser necessariamente bela?
    Pelas reacções de alguns comentadores, os versos até que provocaram alguma emoção estética…

  16. Maria Teresa:
    Obrigado pela forma como vê os meus comentários. Gosto de ser um entre tantos mas por vezes não resisto à maneira como certos comentadores se manifestam.
    Recordar é viver várias vezes – o que passamos e o que vamos recordando do que ficou na nossa memória. Por vezes contava aos meus filhos e agora aos meus netos e eles julgam que estou a contar histórias da carochinha. Não acreditam que para comermos uma peça de fruta – maçã, pêra ou uvas – as tínhamos de as ir roubar e sujeitos a sermos apanhados pelo dono e ali levar umas valentes sapatadas ou chicotadas. Hoje, até estragam essas peças de fruta. A abundância é tanta que dá para isso. Ainda tenho o hábito se deixar cair um pedaço de broa ou pão lhe dar um beijo e voltá-lo a tragar. A miséria era grande.
    Na escola primária não se podia juntar meninos e meninas. Havia a escola masculina e a feminina. Quando era no mesmo perímetro havia o muro a separá-las. Parecia o muro da vergonha. Onde se via uma rapariga até às tantas num café – pelo menos nas aldeias – eram logo apontadas de mau porte. Qual o pai que autorizava uma filha a usar calças. Era um vendaval de repreensões e não saía de casa. Com respeito aos rapazes era diferente, gozávamos de mais autonomia. Às vezes em conversas com pessoas do sexo feminino fazem esse reparo o que costume retorquir que a culpa é da própria mulher – nossas mães – que não obrigavam os filhos a fazerem o mesmo que as filhas.
    Com tudo isto gosto mais deste tempo. A juventude é mais alegre, mais participativa, embora haja alguns excessos. Quando saí da escola – fez cinquenta anos no dia onze do corrente – passados oito dias comecei a minha vida profissional. As necessidades eram tantas que não dava para nos pôr a estudar e uma grande maioria tinha capacidade para ir longe com os seus estudos. Salazar era assim. Gostava de governar com o povo ignorante. Por isso hoje ainda pagamos a factura do analfabetismo.
    Censuro e fico admirada quando alguém vem repreender e censurar quem na vida não teve as mesmas oportunidades. Dá-me vontade de retorquir com a frase de um deputado de esquerda que um certo dia foi repreendido por outro deputado de direita, dizendo: o senhor não sabe fazer uma oratória mais valia estar calado. Ao que o deputado de esquerda respondeu: ilustre senhor doutor, tenho a informá-lo que enquanto o senhor doutor andava pelas universidades, eu, batia com o meu costado pelas prisões do regime. Não foi por roubar ou matar, foi por lutar para ser como o senhor doutor. Não nasci num berço de ouro e é isso que nos distingue.
    Não gosto dos perfeccionistas, quase sempre são apelidados de cientistas malucos. Gosto mais dos terra a terra.

  17. Teresa e Pacheco – vejam a curiosidade. Outro dia num casamento, na minha mesa a pessoa mais falada foi o Pacheco pois tem nos seus ex-subordinados uma plateia de admiradores. Estávamos entre Mafra e Torres Vedras mas a localidade mais falada foi Paços de Ferreira, logo seguida de Freamunde. O Mundo é mesmo pequeno e somos todos mais ou menos primos. Um abraço ao Pacheco, à Teresa e a todos(as) os(as) que aqui chegam por bem

  18. Ciao Claúdia,

    Manda das tuas, que eu também gosto das ler e são muita bem enfardadas. É de partir-me a rir, mas com espontaneidade.

    Estou à espera da outra, a que tem nome de cadelinha caniche. A gaja mandou-me para o Bolhão.

  19. Manuel Pacheco: A miséria era grande mesmo. Eu sei como era, ainda vivi alguns anos no salazarismo ( a Revolução apanhou-me na adolescência). Mas, sem querer entrar em saudosismos bacocos ou em histórias de “no meu tempo é que era bom…” (que não era), sem querer ir por aí, sempre lhe digo que, na verdade, o importante é mesmo que se vá passando aos mais novos as memórias de outros tempos, como viviam os seus pais, avós, bisavós; perceberem essencialmente, que a qualidade de vida que hoje usufruem (universidade, casa, conforto, automóveis, tecnologias, etc.), se deve muito á tenacidade e ás privações de seus pais/avós. Seria um tema interessante de discutir, que daria assunto para um blogue inteiro, mas de facto, aqui não é o local. O Manuel tem um link, para o que penso, seja um blogue próprio, mas não consigo aceder.

  20. Cito Maria Teresa: a qualidade de vida que hoje usufruem (universidade, casa, conforto, automóveis, tecnologias, etc.), se deve muito á tenacidade e ás privações de seus pais/avós.

    E achas que essa qualidade de vida, essa mina de diamantes faz a felicidade de alguém? Acaso estão eles a agradecer isso? Faço parte da geração seguinte e acho mais importante uma família, uns pais presentes do que todas essas bagatelas tão valorizadas pela tua geração.

  21. Essa tua geração pensa na carreira, na subida ao céu, nos bens materiais, depois pensam na reforma e como usufruir ao máximo. Valorizam a casinha, o carrinho, a familiazinha de fachada, claro, e com a bênção do pároco, convém, e lá vai a vida correndo, num mar de rosas, de fachada, sempre de fachada; os filhos vão para a faculdade, depois vêm os netinhos, tudo corre bem, tudo sempre muito bem. Enfim, portuguese beauty…

  22. E o que passa por trás da fachada? Vemos uns filhos que odeiam os pais e estão longe de lhes querer agradecer os ditos cujos bens materiais que nunca fizeram a felicidade de ninguém porque enquanto voavam atrás das ilusões pós-revolucionárias, descuidaram a educação dos filhos. O filho tem uma dúvida? Toma lá um bem material. Um filho está com medo? Toma um bem material. Um filho hesita no caminho a tomar? Toma lá um bem material. Depois, vêm as drogas, também bem material e vêm as receitas médicas a tentar salvar o menino, toma um bem material. Material world…

  23. “O Mundo é mesmo pequeno e somos todos mais ou menos primos”:
    Realmente o Mundo reserva-nos surpresas admiráveis. Aonde julgamos que estamos seguros, que ninguém nos conhece, há sempre algo que vem desfazer essa segurança. Há quem tenha medo dos chips porque eles vão pôr a nu a nossa privacidade e ela é tão visível que à primeira conversa com quem julgamos um estranho, esse, tem conhecimentos por mero acaso da nossa pessoa. Para isso contribui estas pequenas coisas que é o computador, a internet e a blogosfera. Faz de nós, uns simples curiosos, uns comentadores e uma roda de amigos que talvez nunca nos venhamos a conhecer. Há uns anos quem pensava que isto era possível?
    Por isso há os invejosos que julgam que o mundo é só deles. E continuam a pensar que tem de ser assim. Como disse, gente invejosa, não podem ver uma pessoa com a camisa lavada. Sentem logo inveja. Deviam fazer o possível e impossível para lavar a sua e depois fazer a comparação com a dos outros para ver qual a mais branca. Assim o algodão não enganava.
    Quanto ao falar bem de mim julgo que é favor da parte deles. Sou uma pessoa com vários defeitos e julgo que não tinha jeito para fazer amizades na vida profissional. Tentava ser o mais justo possível e alguns viam nisso a minha verticalidade. Talvez esse (s) fosse (m) dessa casta. Mas não eram muitos. Preferia ser assim, mesmo sabendo que criava animosidade. Nunca gostei de bater nas costas de alguém assim como não batessem nas minhas. Gostava mais dos que me contrariavam.

  24. Teresa:
    Não tenho nenhum blogue porque não me julgo capaz de o alimentar diariamente. Penso que quem os cria deve de ter algo todos os dias para informar, conversar e debater com os seus comentadores. Deve ser acima de tudo bastante culto, género Valupi. Escrevo uns textos no Aspirina B, do que me vem à cabeça e para isso o Valupi acedeu-me um espaço ao qual fico agradecido. A maior parte do que escrevo é a lembrar a minha vida, as minhas memórias. Nunca devemos ter vergonha de dizermos o que fomos e o que somos. São estes nacos de vida que julgo que vale a pena revelar. Há quem goste e quem desgoste mas não podemos agradar a todos. Se não for bem escrito, se a pontuação não for a mais a correcta o que interessa é que compreendam o que quero revelar. José Samarago começa certas frases com letra maiúscula depois das vírgulas e mesmo assim foi novel da literatura.
    Quanto ao aceder aos meus textos aqui vai a referência:
    A blogosfera a quem a trabalha.
    Vinte linhas 390.
    Filho de gente pobre.

  25. tou-te a ber

    Para si, aquilo que escrevo no meu comentário, são «…disparates que encarrilam numa caganeira altíssima». O seu caso é mais grave: sofre de uma diarreia purulenta e crónica a que nem o Imódium pode pôr fim. Você não tem conhecimentos nem a noção exacta do que deve ser um bom poema.
    Nas restantes palavras que me dirige: «…vá catar piolhos no monte, guarde uns bezerros, durma ao pé deles (…) frustrada, invejosa…», deve ter-se inspirado no «estilo literário» do JCF. Estamos conversados.

    Teresa:
    Diz que o JCF «lhe parece uma pessoa correcta, bem formada». Mais à frente: «…cretinice e brutidão, gostaria de ver exemplos concretos.» Só posso dar-lhe o conselho anterior: leia os posts de JCF e logo verá porque cria tantas antipatias entre os comentadores. Caso contrário, leia o comentário acima do seu. Diz tudo: da sua vaidade sem limites, da sua impertinência, do seu desprezo pelo seu semelhante: «…ao pé destes factos nada valem os pinotes, os urros e o pó levantado pelos anos,» Dos nomes que este senhor petulantemente cita, apenas falta falar das respectivas «capelinhas»!
    Escreve também a Teresa: «…que lhe parece que existe uma «malapata» pessoal com JCF». Só o conheço deste blog. Chega-me e basta-me! Por aqui, é bem conhecida a sua falta de educação e de modéstia, ao julgar-se acima de tudo e de todos. Sem ter razões para isso. Muito mais se as tivesse!

  26. Ó CARMITA

    Incultas produção da estupidez,
    Expõe a nossos olhos, esta Carmita,
    Vejo-as com mágoa, e com piedade,
    Pelo carrancudo e rábido ciúme da «ditosa»

    Note-se no veneno dos seus ditos
    A imensidade da sua maldade,
    Que lhe interessa a forma do autor,

    Se ele não quer dar forma ou a deu como entendeu ao que gentilmente partilhou connosco?

    Você canta com dependência,
    Dependência da inveja, do ciúme, da maldade

    E claro, da caganeira que não consegue suster

    Veja lá se gosta deste poema que lhe dedico?

    Comeu grão ou feijão? Isto já começa a cheirar a merda e da grossa.

  27. Olhe, Geração Seguinte, revoltarmo-nos contra os nossos pais, é natural, acontece com todos em determinada altura da vida (eu também me revoltei com os meus, e muito); agora, revoltar-se contra uma geração inteira que diz “de fachada”, que valoriza apenas os bens materiais, etc, etc, generalizar assim as coisas, já não me parece muito correcto. Acusar toda a geração anterior à sua pela sua insatisfação não é justo, e sabe porquê?: Porque nem todos “voámos atrás da ilusões pós-revolucionárias, descuidando a educação dos filhos,”, nem todos compensámos as nossas falhas com bens materiais, nem todos valorizamos assim tanto “a casa e o carrinho, a familiazinha de fachada” e muito menos a “bênção do pároco”. Eduquei a minha filha sempre na base do carinho, compreensão, diálogo e valores espirituais, sem recompensas materiais por tudo e por nada; hoje orgulho-me da educação que lhe dei e da filha que tenho. E, como eu, muitos e muitos pais da minha geração. E, acredite, fazemos muitos sacrificios pelos filhos, sim, sempre no sentido de lhes proporcionar bem-estar. Um dia quando for pai/mãe, (deduzo que não seja), vai compreender o tal conceito de tenacidade e privações. Quaisquer pais minimamente conscientes (na minha opinião) têm nos filhos a sua prioridade absoluta. Deduzo pela sua revolta, que não teve pais muito presentes. Lamento.

  28. Ó Manuel Pacheco! “Para ter um blogue é preciso ser muito culto”?????Já se deu ao trabalho de reparar na miséria blogosférica que para aí anda? Sim, eu sei, não é exemplo para ninguém e entendo perfeitamente a sua relutância… mas só no sentido de haver quase esta obrigação de postar todos os dias, porque de resto, parece-me a mim que o Manuel terá muito que contar, e é uma pena privar-nos do seu saber e da sua escrita tão harmoniosa. Enquanto sim e não, vamos trocando umas ideias entre comentadores, ok?.

  29. Certo, Teresa. Mas só é cego aquele que não quer ver. Pensava não lhe responder, mas acabei de ler no último post do JCF os seguintes «mimos» dirigidos a um ou dois dos seus comentadores: «…és uma cavalgadura, um palhaço, um burro (…) tu não metes nojo porque és pior: és uma badalhoca, uma rata de esgoto, um monte de esterco…»!
    Para quem parece tão sensível à foto/recordação dos antigos colegas de escola e aos professores, entre outras coisas, causa espanto que utilize, como «intelectual» que diz ser, formas de tão baixo nível linguístico. Não que queira «convertê-la», a si, Teresa, longe disso! Daí, o desagrado manifestado por quem o lê no aspirina – como eu.

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