ATÉ ESSE MOMENTO

Lembrarás então o pai aqui sentado
A máquina de escrever no chão
Os discos na parede entre a luz e o pó

Irão passar talvez muitos anos
Farás promessas que não vais cumprir
E dirás ruas para voltar noutras horas

Será como quem percorre um caminho
Iluminado pela luz do teu olhar
À procura das palavras subterrâneas

Lembrarás então o pai aqui sentado
Um gelado presente do indicativo
E silencioso que não fala – não esquece

Passarás nas tuas mãos um fio
Será talvez a memória das noites
O tempo do leite e das fraldas

Será como quem procura descobrir
Nos desenhos (nos cadernos escolares)
Uma outra maneira – a tua outra voz

Lembrarás então o pai aqui sentado
Não como pai mas como anónima pessoa
Surpresa a esperar no céu do outono

Terás nas tuas mãos um retrato
O voo das aves por cima da casa
Como inesperada vírgula do tempo

Será como quem procura fragmentos
Num momento ou talvez num lugar
Na tua idade como um portão aberto

9 thoughts on “ATÉ ESSE MOMENTO”

  1. Provavelmente você até é um tipo porreiro (embora alguns dos seus colegas do BPA a quem falei de si, digam: “o gajo tinha a mania”, seja lá o que for que isso quer dizer). Agora enquanto poeta, se não faz melhor do que isto, convenhamos que a poesia passava bem com um poeta a menos.

    Se gosta e “precisa” mesmo de escrever, dedique-se à prosa. Não é um Eça, mas nos dias melhores, lê-se.

    Cumprimentos.

  2. Este poema já foi publicado por ti, aqui no Aspirina, há uns tempos atrás. Quem se lembra ponha um dedo no ar! Procura, cáxas. Pá, o Fósforo, nestes casos, costuma dar resultado. Experimenta. Mas agora, vê lá, não tomes uma caixa inteira, sobretudo se forem «Quinas» extra longos.

  3. Senhor Jonas as opiniões são livres mas este poema e muitos outros fazem parte do livro «Mansões abandonadas» publicado no Brasil pela Editora de São Paulo «Escrituras Editora». como vê (e ainda bem) nem todos pensam o mesmo.

  4. mansões abandonadas no brasil com escrituras editora é a nova campanha da remax para sair da crise imobiliária com patrocínio dos amorfos quinas.

  5. oh xico! põe lá aquele qeu gosto, o das vogais… iniciais ou lá como é que aquela porra se chama, deve ter dado um trabalhão a fazer rimais só com vogais.

  6. sai anúncio da remax brasil com foto do colaborador do mês. oh jonas! na compra de um exemplarzézinho do iniciais levas de brinde um t1 em copacabanamasnãocai.

  7. E vem, vem mesmo a cagar, ora essa! Quem o diz é o da benedita. Ora bota lá o texto com sabor a samba, agora que estamos no Carnaval, cagente gosta, ó não tás a ver? É caso para dizer: «Atão, pá, já chegámos ao Brasil?» E relata o Jonas que já eras conhecido lá no BPA como um «gajo que tinha a mania»! Tem vergonha pá, não te estiques que não merece a pena. Tem juízo e menos cagança. É isso que te perde, pá. Até podias ser mau poeta (e és!), que tinhas desculpa. Mas com essa doença de ser «grande», dás cá um enjoo que chega ao vómito. Porra!

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