Aspirina M #6 («She spoke in dialect I could not understand»)

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Os Belle & Sebastian são como os Tivoli Audio One: um fabuloso anacronismo. Não apenas pelo tipo de música que Stuart Murdoch compõe, como até pelo formato que a banda tem priveligiado para editar a sua música: o Extended Play. Os mais fanáticos (a sério, conheço um) não deixaram de considerar a edição de PUSH BAR TO OPEN (2005) como uma espécie de traição: dar a conhecer ao grande público, e para mais ao desbarato, as pérolas arduamente encomendadas e coleccionadas ao longo de cinco anos – 25 músicas oriundas de 7 magnânimos EPs – é, digamos assim, fazer pouco do rapaziada.

Por isso, se por acaso ainda não conhecerem os rapazes (cujo novo disco está aí a estoirar), já sabem o que comprar da próxima vez que entrarem numa loja de discos. Para aguçar o apetite, deixo-vos aqui a minha canção favorita desta banda escocesa: «Marx & Engels». Na parte final, reparem na voz feminina: ela está a ler excertos do Manifesto do Partido Comunista de 1848. Pop mais pop, não há.

MARX & ENGELS (Stuart Murdoch, 2001)

There is misery in all I hear and see
From the people on TV
After their tea when life begins again
They’ll be happier than me

There are a thousand meals being made on Saturday
From the view I saw today
I took a bet inside the launderette
With a girl from Wallasey

She spoke in dialect I could not understand
But one thing that she made clear:
There was no coming on to her
There was no way

There is misery in all I hear and see
From the people on TV
After their tea when life begins again
They’ll be happier than me

There are a thousand meals being made on Saturday
From the view I saw today
I took a bet inside the launderette
With a girl from Wallasey

She spoke in dialect I could not understand
But one thing that she made clear:
There was no coming on to her
There was no intellect
That she could respect
If it couldn’t see
That the girl just wants to be
Left alone with Marx and Engels for a while
She’s writing in the style
Of any riot girl

5 thoughts on “Aspirina M #6 («She spoke in dialect I could not understand»)”

  1. Já os conheço há uns anos e, embora a partir de certa altura se tenham tornado repetitivos, são sempre uma delícia para os ouvidos.

    Além disso têm um nome de banda do mais irónico que pode haver. Tanto que, um primo meu, na altura com apenas 12 anos, quando lhos dei a conhecer, decidiu aportuguesar o nome para “Bela e Sebastião, Agrupamento Musical para Casamentos e Baptizados”…

  2. João Pedro: eu sei e até conheço a série. Apenas achei absolutamente deliciosa a ideia de um puto de 12 anos fazer aquele aportuguesamento fantástico. E temos de concordar que é bem apanhado e crível.

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