Studio: WEST COAST (reprise)

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Como prometido, volto à carga com o magnífico WEST COAST dos Studio, até porque não tenho ouvido outra coisa desde que publiquei o último post. Desta vez, vou ser porquito e deixar aqui aquela que considero ser a grande faixa do álbum: o longo e hipnótico tema instrumental que abre o disco: «Out There». Não tenho palavras para descrever a euforia que me provoca a audição desta absoluta maravilha de ritmo, groove e bom-gosto. Ele é guitarras pós-punk cheias de gorduras polinsaturadas, pitadas de disco-sound, apontamentos de produção que fazem lembrar os momentos áureos dos New Romantics e ainda uma linha melódica que (mais uma vez) parece invocar os fantasmas da santíssima trindade Marr, Rourke e Joyce (fase MEAT IS MURDER). Depois, a meio do tema, e quando um gajo já está totalmente rendido, somos atirados ao tapete por um baixo do tamanho da Avenida dos Aliados e, aí, ele é afro-beats, reggae, dub e a real puta que os pariu. A sério. Acho que é o melhor tema que ouvi na minha vida. E o mais incrível é que esta faixa se move por territórios que estão longe (muito longe) de serem os meus predilectos na cartografia pop. Eu sei que a solidão nestas merdas é sempre uma doce e fiel companheira, mas ainda assim, arrisco a pergunta: serei eu o único doido a venerar esta merda?

20 thoughts on “Studio: WEST COAST (reprise)”

  1. O disco é bom. Mas está longe de ser um grande disco. Algumas faixas são mesmo umas cópias requentadas do que se fazia em Manchester nos anos 80. Este ano já saiu coisas bem mais interessantes.

  2. QUASE

    Um pouco mais de sol – eu era brasa.
    Um pouco mais de azul – eu era além.
    Para atingir, faltou-me um golpe de asa…
    Se ao menos eu permanecesse aquém…

    Assombro ou paz? Em vão… Tudo esvaído
    Nm baixo mar enganador de espuma;
    E o grande sonho despertado em bruma,
    O grande sonho – ó dor! – quase vivido…

    Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
    Quase o princípio e o fim – quase a expansão…
    Mas na minh’alma tudo se derrama…
    Entanto nada foi só ilusão!

    De tudo houve um começo… e tudo errou…
    – Ai a dor de ser-quase, dor sem fim… –
    Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
    Asa que se elançou mas não voou…

    Momentos de alma que desbaratei…
    Templos aonde nunca pus um altar…
    Rios que perdi sem os levar ao mar….
    Ânsias que foram mas que não fixei…

    Se me vagueio, encontro só indícios…
    Ogivas para o sol – vejo-as cerradas;
    E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
    Puseram grades sobre os precipícios…

    Num ímpeto difuso de quebranto,
    Tudo encetei e nada possuí…
    Hoje, de mim, só resta o desencanto
    Das coisas que beijei mas não vivi…

    …………………………………..
    …………………………………..

    Um pouco mais de sol – e fora brasa,
    Um pouco mais de azul – e fora além.
    Para atingir, faltou-me um golpe de asa…
    Se ao menos eu permanecesse aquém…

    Mário de Sá Carneiro

  3. João Pedro, como fazer para pôr um fundo para um texto? Eu queria pôr um fundo marinho, exactamente como aquele que fizeste para o poema de Camilo Pessanha, para o meu texto “À la mer”. Explicas-me ou fazes um para mim? Ou as duas coisas que é ainda melhor ;-P porque assim quando quiser fazer isso para outro texto, já saberei fazer. Obrigada.

  4. Soulfood: compreendo o que dizes, mas parece-me que estás a ser preguiçoso. Ou então sou eu que sou facilmente excitável (uma não invalida a outra). Já agora, chuta aí as tuas dicas de 2007, caramba.

    Cláudia: manda-me o texto por e-mail com a imagem que queres, que eu trato disso.

    Primo: de passagem, claro. Tenta passar por lá de novo daqui a algum tempo. Verás que te soará de forma completamente diferente.

  5. Gosto de West Coast. Mas, deste ano, acho que os que se seguem são mais dignos de destaque. Opiniões discutíveis, obviamente.

    Nicole Wills & Soul Investigators – Keep reachin’ up
    Thief – Sunchield
    Owusu Hannibal – living with
    Our Theory – our theory
    Jimi tenor& kabu Kabu – joystone
    Lanu – this is my home
    Bjorn Torske .- “ Feil Knapp”
    Skimming the Skum “ Lwfties Soul Connection”
    Conjoint “ A few empty chairs”
    Jazzanova – Belle et Fou

  6. Como te compreendo. Pareces-me eu defender a genialidade dos the shins e das electrelane. As tantas ainda passamos por tolinhos. Mas já alguém dizia que “por serem eternamente incompreendidos, os tolinhos já têm garantido um lugar bem priveligiado no céu”. Bom, se ninguém disse, devia ter dito.

  7. Soulfood: há aí três disquitos que não conheço: Thief, Our Theory e Skimmimg the Skum. Também gosto de todos os outros, tirando o dos Jazzanova. Obrigado pelas dicas.

    Agent: podes crer. Mas o último dos Shins é assim o mais fraquito deles, né. :)

  8. Também pensava assim depois de algumas audições, entretanto voltei ao “Wicing the nigh away” há alguns meses atrás e fez-se luz… Está, por enquanto, entre o primeiro e o segundo.

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