O bailinho da Madeira

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Cresce o número de tontos que admiram as vitórias de João Jardim. E admiram precisamente isso: serem vitórias. É a mesma lógica scolariana, a qual instituiu que os fins justificam os meios: mesmo que se jogue mal, o que importa é a vitoriazinha. Se o cinismo desportivo tem adeptos, o cinismo político tem sequazes, prosélitos, bufarinheiros. Na ocasião, há alívio e conforto no esmagador resultado madeirense. Porque é a prova de que as velhas soluções funcionam, de que ainda se pode confiar na racionalidade do poder máximo. O poder máximo leva à distribuição mínima da riqueza; sendo o mínimo um critério móvel, sujeito às necessidades. Na Madeira há riqueza distribuída pela população, a qual tem trabalho, serviços e meios. Claro que teria chegado a 2007 com as mesmas condições sem Jardim, fosse quem fosse que tivesse estado no poder nos últimos 30 anos. Outros também teriam obra feita, pois que para gastar dinheiro o engenho nunca falta. A pergunta a fazer é: a que custo se quer manter o mínimo?

Os votantes em Alberto João são votantes em Alberto João, não no PSD. Olham para as candidaturas concorrentes e não vêem ninguém. Ninguém que lhes dê o mínimo. Evidentemente, não faz sentido pôr em causa o pouco que têm. Uma mudança de poder corresponderia a uma alteração das hierarquias, com inevitável instabilidade social e económica. A não ser que o substituto garantisse a manutenção da estrutura de poder. Mas a estrutura de poder já tem Jardim como seu representante e procurador, não existindo empresário que não esteja satisfeito com a plutocracia insular. Assim, o que se passa na Madeira em nada diz respeito à política, mas apenas à sobrevivência. Vota-se para proteger o mínimo. É sórdido e normal.

Do lado de cá, do lado do PSD, do lado das instituições do Estado, do lado dos órgãos de soberania, do lado dos jornalistas, do lado dos cidadãos, é a vergonha colectiva. Dão-nos baile.

12 thoughts on “O bailinho da Madeira”

  1. Até que a morte os separe!?

    Em tempos idos, no Marco de Canaveses, ouvi um eleitor dizer sobre o Adelinozinho, então Presidente da Câmara: “este, pelo menos, a gente já sabe o que rouba. Outro, que venha, pode ser ainda pior!”

    Há mais uma pergunta a fazer: algum candidato acreditava que podia fazer melhor, ou até diferente, e agradar aos madeirenses?

  2. Jardim vale 90.000 votos.

    Gastou tanto como Cavaco que conquistou 2.700.000

    A FAMIGLIA ou melhor o POLVO que o cacique da Madeira montou e manobra , tem este resultado.

    Mas vendo bem os resultados de Jardim para a Asssembleia Regional e por exemplo os do MRPP para a Assemleia da Republica 50.000 votos, Jardim vale menos do dobro do MRPP, por isso vale pouco, fora da ilha.

  3. sininho

    Excelente pergunta. Do que se percebe, nenhum partido concorrente tem algo de relevante a dizer sobre o futuro da Madeira.
    __

    corvo

    Interessante, mas incomparável.
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    Anonymous

    Concordo, será bênção.
    __

    Renato

    Apoiado!

  4. Seja como fôr em democracia há que respeitar as escolhas locais. Mas isso não dá legitimidade para ultrapassar as leis da República.

  5. Só é de admirar que cerca de 40% de eleitores não tenham ido votar!
    Já não querem mais dinheiro do contnente?
    Estavam com dor de dentes?
    Têm um pouco de vergonha e não deram cobertura à palhaçada?

  6. Anonymous 8

    Pegando na lógica do teu raciocínio, e esquecendo os acertos a fazer nos cadernos eleitorais, esquecendo os registados emigrados, e esquecendo os que não se preocupam em ir votar por tudo estar garantido, diria que ficam os que nem sequer acreditam que o seu voto faça qualquer diferença.

  7. ´Dão-nos baile.` Por que será? A responsabilidade é exclusiva do aparelho político continental,que permite a plutocracia reinante nessa ilha do Chile. A maior patranha que pregaram ao portugueses é a das autoridades pseudo-soberanas continentais certificarem a nacionalidade lusa daquela região insular. Mas a verdade geo-política é que a ilha em questão não é nossa, é deles, os portugueses continentais que trabalham e tentam fazer valer a lei continental, e que se recusam a serem corrompidos pelo cefalópede insular, são perseguidos pelo aparelho pidesco que se encontra lá muito bem montado e pela organização terrorista que ainda lá existe a FLAMA. O meu conselho, para quem queira ir à Madeira, é que podem é arrepender-se para o resto da vida, se andarem por lá a cometerem excessos, dado que lá existem olhos silenciosos permanentes (RESTAURAÇÃO, TAXIS, COMÉRCIO,ARQUIVOS MÉDICOS…) , sobretudo para os continentais que convém manter debaixo de olho para situações futuras de interesse insular. Mas os tentáculos do polvo estende-se até cá, se houver interesse em fazer o download de certas pessoas, por isso é que o supra-sumo dessa região vilipendia as instituições soberanas portuguesas continentais e ninguém o cala, há imensa gente com rabos de palha e a ter instabilidade política.Mas a culpa é do nosso aprelho político que pactua com o que se passa lá, censurando e escamoteando a verdadeira realidade política insular. Lá, as pessoas têm medo de falar. E quem se atreve a dar com a língua nos dentes sobre o que se passa lá, mas estando cá, tem depois uns amiguinhos à paisana ridículos a seguirem uma pessoa, ao abrigo de falsas acusações formais que se criam para justificarem institucionalmente tais procedimentos. como sinopse, a clivagem entre lá e cá, em última instância, não é nenhuma.

  8. Anonymous 9

    Muito interessante, sim senhor… Que há um muro de silêncio na ilha, isso é evidente – e inevitável, também.

  9. por tudo estes comentarios que eu li — nao passa de so inveja dos sr portugueses do continente–enfin como o alberto joao jardin nao ha

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