«Poemas simples» de Fernando Botto Semedo

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Depois de O livro da primeira classe de 2005 e de Transparências de 2006, surgem estes Poemas simples de 2007, 30º título de Fernando Botto Semedo.

Partindo de uma epígrafe de Sebastião da Gama (1924-1952) e de uma dedicatória ao seu tio Manuel Lopes Correia Semedo (1922-1953) o poeta regista em poema a morte, a «dor disforme»:

«A minha alma é pura seiva de / toda a Primavera, e tudo canta / mesmo a dor disforme. Vejo / os pássaros agasalhando as suas / crias, para que o universo e Deus / sejam semeados por uma paz intacta / e sagrada para sempre. / O meu nome é seiva de Deus / – Escrevo, inesperadamente». Para o Poeta, se o Inverno é a morte a Primavera é a vida, impetuosa reposta às ciladas do Inverno: «Nos Invernos estão adormecidas todas / as Primaveras de todos os séculos / nos grãos de uma brancura infinita / que povoam a terra e as árvores adormecidas. / Um anjo vegetal é um anjo da guarda / de toda a vida, hoje e sempre, e / para sempre.»

Invocando dois jovens mortos do seu panteão privado, um na área da poesia, outro na área do afecto familiar, o poeta vê nas crianças ainda sem passado a chave para a principal resposta à morte:

«As crianças são irmãs do silêncio / e do amor divinos que se escondem / na seiva do tronco destas árvores infinitas / que principiaram a nascer / quando o sonho do poema / se materializou na minha alma / eterna, tão cheia de lágrimas de / um secreto sol que se propaga / pelos interstícios de todos os significados / os da verdade e da comoção do poema / das palavras que aqui se inscrevem / puras.»

Capa – Fernando Botto Semedo
Execução Gráfica – Gráfica 2000

José do Carmo Francisco

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