«Ex-libris»

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Há vinte boas razões para ler-se o conto «Ex-libris», de VASCO GRAÇA MOURA, no «Actual» do último EXPRESSO, que começa assim:

O meu nome é João de Melo Saraiva e nasci em 1950. Sou engenheiro informático. Além disso, colaboro com várias leiloeiras na elaboração de catálogos de livros antigos. Esse é o meu hobby e também me rende algum dinheiro. A minha mulher pôs-se a andar, vai para 20 anos, assim, sem mais nem menos, por lhe ter dado a súbita guinada de ir viver para Jerez de la Frontera com um espanhol que ela conhecera numa caçada à raposa em que tínhamos participado. Só a Helena é que montava a cavalo e eu preferi passar a manhã a espiolhar a biblioteca do monte alentejano dos nossos anfitriões. Tudo começou aí. Ela deixou-se fascinar pelo bigodinho rente, pela melena de cigano, pela casaca vermelha muito assertoada e pelas botas de montar do sujeito, enquanto eu me enfronhava em velhos cartapácios e ia tirando uns apontamentos sobre a edição de Os Lusíadas de 1613 e a biografia do épico, sob o título de «Ao estudioso da lição poetica», assinada por Pedro de Mariz.

Mas cedo o protagonista entrará em pormenores que – não fosse a minha sólida modéstia – me estragariam para a vida. Veja-se isto:

Nunca tive grande paciência para o Castilho, salvo a propósito das análises sobre «estilo e preconceito» de Fernando Venâncio, um professor que vive na Holanda. Nunca encontrei (nem procurei) a página em que ele diz isso e que, se estou bem lembrado, começava enfaticamente: «A leitura, meus amigos, sabeis vós bem o que é a leitura?…»

Pronto. Leiam o resto.

17 thoughts on “«Ex-libris»”

  1. Eu li e reli a estoria mas só encontrei dezanove boas razões. Nada de exageros, se não se importa.

  2. Li o conto e acho-o interessante e bem escrito, apesar de achar a balzaquiana um tanto carente. Demasiado carente, aliás.
    Continua para a semana.

  3. E o FV nem com molho béchamel! Julga ele que os outros são parvos, quando brinca com a «sua sólida modéstia». Ah!Ah!Ah!, deixa-me rir! Não fora o seu nome vir mencionado no conto e o pobre do Graça Moura ficava sem publicidade ao seu “Ex-libris”!
    O Procurador de talentos diz que só encontrou 19 razões. Como eram 20, deduz-se que retirou a que dizia respeito ao FV. Parabéns, senhor procurador. Pavões sem leque mas vaidosos, causam alergia e vómitos a quem lê este tipo de posts.

  4. Não gosto de muitos escritos de VGM. Até costumo criticar quando me ferem o bestunto mais primário. E faço-o com violência escrita.

    Mas devo reconhecer que tem jeito para escrever umas coisitas, como o conto em causa.

    Não diria que merece aparecer na New Yorker, mas não estã muito mal. Há bem pior.

    E para a semana conto ler o resto. E se entretanto, ler algum escrito que me encanite, do mesmo modo que venho aqui dizer bem, escreverei mal.

  5. “A escrita do Vasco introduziu na língua pátria extensões semânticas, diversidades rítmicas, transparências, matizes, penumbras, velaturas, tentando sempre exprimir, no universo fluido do seu português, divagações metafísicas, subtilezas psicológicas e o desconcerto do país. Ele é o exemplo do sucesso que um Deficiente Mental pode ter se trabalhar um pouco!

  6. Vendedor de Peneiras,

    Acha você que alguém que anuncia a sua «sólida modéstia» está a falar a sério? Acha que algum bloguista pode ser… modesto?

    Você é um pobre de espírito.

  7. Pois é, Fernando, é a velha anedota em que um dominicano dizia que a principal virtude da ordem era o dom da palavra, ao que um franciscano respondia que a da sua era a humildade.
    Mas lá que o VGM acerta por vezes, isso é verdade.

  8. O franciscano é que tinha razão. Pode, alguém, ter a virtude da palavra ou da escrita, mas essa virtude só se enobrece com a humildade. Não é, em nenhum dos casos, o que se passa com FV. Por essa razão, o pobre de espírito é apenas ele.

  9. ó vendedor, então não percebeste a ironia sobre o franciscano? se gabou a humildade como principal virtude (sua), deixou de ser humilde, ó pá.

  10. Minha cara,
    Virtude não é sinónimo de vaidade. Imodéstia e vaidade, sim. O dominicano DIZIA, não se gabava. O franciscano RESPONDIA, também não se gabava. A palavra GABAR é tua, não da anedota. Temos, assim, dois pobres de espírito: tu e o FV.

  11. virtude não é sinónimo de vaidade, olha que grande novidade. dizer das virtudes em causa própria sê-lo-á. assim, já vão três…

  12. Tá a ver, FV? Um vate “De qualidade” a publicar um texto “de qualidade” num jornal “de qualidade”. Meu deus, não sente a alma, sei lá, a estremecer de comoção por tanta coincidência? Não sente o frémito orgásticos pelos salões? Eu cá não, mas também não sou “de qualidade”, por isso…

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