Sempre para além do memorando e se for da forma mais miserável possível melhor

Ontem o país foi surprendido pela promulgação por parte do PR de um diploma do Governo que suspende durante o programa de assistência financeira a possibilidade de se requerer a reforma antecipada.
Estamos todos cansados.
Este Governo não só tem de cumprir o memorando, como ama o memorando, mas acha que a coisa é pouca e vai sempre, mas sempre além do mesmo: no corte dos subsídios e pensões, no código do trabalho, nas privatizações, onde lhe apetece, na sua fúria de destruição dos princípios básicos do Regime que serve.
Este último diploma é mais uma prova de como o Governo é rápido a destruir expetativas e a segurança jurídica de pessoas concretas que têm muito poucos dispositivos legais à sua disposição para organizarem a sua vida em face das variáveis da mesma.
Que interessam esses princípios? São sempre só pessoas, só reformados, só trabalhadores. Estes não têm direito à estabilidade do mundo jurídico, já a Lusoponte ou outras grandes empresas estão envoltas do discurso do “cumprimento de obrigações contratuais”.
Esta medida miserável foi aprovada em segredo no Conselho de Ministros. Nesse dia sombrio não houve comunicado, essa coisa de boa fé entre os órgãos de soberania e entre estes e os cidadãos.
Silêncio, para não os chatearem e toca de enviarem o decreto que nenhum sindicato cheirou ao PR.
Que faz o defensor do limite dos sacrifícios? Veta politicamente? Faz uma mensagem às 20h da noite à pátria – ele gostava tanto…
Não. Cavaco promulga o decreto sem mais demoras. Até porque ele não está com nenhum problema que justifique pedir uma uma reforma antecipada, é bom de ver.
Dia de vergonha para o Governo e para Cavaco.
A democracia material e procedimental apaga-se como uma vela que vai morrendo.

13 thoughts on “Sempre para além do memorando e se for da forma mais miserável possível melhor”

  1. Concordo e apoio totalmente a sua tomada de posição. Agora, deixar-se entrevistar pelo sabujo no circo do Crespo, achei um erro.
    Apesar de detestar o A. J. Seguro, creio que, no actual contexto mediático, as declarações deveriam ser geridas com parcimónia, sob pena de prejudicarem gravemente o PS para além de Seguro (que considero uma núvem passageira).
    Dá para sentir as hienas a apertar o cerco, explorando qualquer ferida para aumentar a hemorragia.
    Não estou a dar novidade nenhuma, mas há que ter cuidado, não?

  2. Não há memorandos “bons” (PS) e memorandos “maus” (PSD/CDS). O memorando é mau e foi assinado pelos três partidos. E agora o PS está prisioneiro dessa decisão. Não pode é querer ter sol na eira e chuva no nabal.
    Levar as questões “internas” do PS para o Crespo foi uma asneira de todo o tamanho. O homem até saliva de gozo. A Isabel Moreira não resistiu ao convite e também ainda não percebeu que, nesta coisa de máquinas partidárias, os “aparelhos” ganham sempre e vai ser ela a ter de sair. Se quer manter alguma sanidade mental, deve sair já…

  3. não saia nada, isabel, faz muita falta ao ps, como faz falta o galamba, para não ficarmos tão inseguros. com gente assim, o ps volta ao eixo social-democrata de esquerda que o nosso sócrates defende. e, com a desejável cooperação do pcp e do be (quando acordarem para a realidade), o ps até pode vir a ser o partido socialista de que precisamos para mudar o sistema, libertando-nos de vez deste capitalismo anacrónico e selvagem que nos esmaga. somos 99% e venceremos. (mas, isabel, evite crespos e cia. que só meia dúzia de direitolas fanáticos ainda frequentam).

  4. estive agora a ver a entrevista no porqueira do crespo e aquilo está em registo eu-é-mais-bolos-mas-posso-cá-voltar-prá-semana, deve ter sido marcada antes do encontrão com o tótó seguro para partir a loiça e depois deu aquela borregada de páscoa, hoje ensopado e amanhã assado.

  5. Ainda e sempre, não ceder não ceder. Concordo com os que dizem que se devia resguardar das rasteiras do Crespo. Aquilo é um antro! Esteve muito bem na entrevista ao i. Parabéns e ainda bem que explicou aquela história de estar drogada. porque eu vi a declaração em directo e vi e ouvi a seguir as insinuações abjectas feitas na mesma estação onde mora o Crespo.
    Obrigada por ser uma voz dissonante onde se tramam unanismos que não tem em conta o que foi sufragado.

  6. de medida em medida, escondida, à sucapa, ou feita às claras e depois agravada vindo o Gaspar zurrando dizer que foi lapso tudo é válido nesta pocilga comandada pelo tó cavaco.
    Continue a desmascarar essa merda de gente que forma este desgoverno.

  7. O nº 17º do DL 496/80, de 20 de Outubro, estabelece o seguinte: “Os subsidios de Natal e de férias são inaliáveis e impenhoráveis”. Se isto não foi revogado, na minha opinião de leiga e ignorante estamos perante uma ilegalidade. Como jurista que é agradecemos todos que analise o referido DL e sugira-nos formas de actuação legais/juridicas para não continuarmos a ser roubados. Sou pensionista.

  8. Seguro está a fazer uma Oposição exemplar, honesta, construtiva e não-botabaixista. Botabaixismo que foi a “corrrupção” dos espíritos que ajudou a derrubar Sócrates e a levar o país ao estado em que se encontra.
    Custa-me a entender, como Socialista, a vossa raivinha contra António José Seguro.
    Será que estais no partido certo ?!

  9. Esta sangria das reformas antecipadas foi lançada pelo governo do dr. Cavaco Silva.
    Há uns 20 e tal anos atrás, em pleno consulado cavaquista, foi lançada a ideia que era necessário libertar as empresas e o Estado dos seus trabalhadores mais velhos e experientes. Era vulgar então ver trabalhadores de 50 e poucos anos libertados pelas empresas e tal era visto e elogiado como um grande acto de gestão. Jovens líderes, acabadinhos de sair dos MBA, botavam sentenças nos gabinetes ministeriais e tratavam de mudar o mundo do trabalho. Eles é que sabiam e se nós não atingíamos a essência daquele despejo quase obrigatório era porque não tínhamos o crânio de quem estudou mais e melhor que a plebe.
    E foi assim que muitos trabalhadores no auge das suas capacidades vieram para a reforma.
    Muitos desses jovens reformados até podiam não querer reformar-se mas se não saíam a bem ficavam emprateleirados e a escolha não foi difícil.
    Encheu-se assim o país de reformados com 50 e poucos anos e com um horizonte de despesa pública de mais de 25 anos, como se a Segurança Social e a Caixa Geral de Aposentações fossem um saco sem fundo.
    Agora, os sucessores daqueles crânios — muitos deles filhos e afilhados daquela gente dos anos 80 — alarmados com o descontrole nas contas, querem fechar a torneira.
    E usam, com o maior despudor, a argumentação contra tudo que defendiam nos anos do cavaquismo, como se não fossem eles, esses liberais ceguinhos, também culpados pelo descalabro em que estamos.

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