Reconhecer a Palestina – diz que é mau para o processo de paz

Votei favoravelmente a proposta de resolução do PS que pedia a continuação de esforços por parte do Estado português no sentido de uma posição comum da UE quanto ao reconhecimento da Palestina (AP) como membro da AG da ONU bem como esse reconhecmento por parte do Governo português.
Votei também favoravelmente a proposta de resolução do PCP que pedia o referido reconhecimento (imediato) por parte do Governo português.
Não vale a pena explicar por que é que este reconhecimento é um acto politico e moral com anos de atraso.
Quando decido votar neste sentido não faço considerações acerca da decisão que melhor interessa ao processo de paz.
Está em causa um acto de reconhecimento que deriva do direito à autodeterminação de um povo massacrado, com gerações e gerações a viveram sempre numa espécie de campos de concentração.
Lembro-me de ouvir os nossos representantes gritarem contra o putativo interesse de alguns países quando defendiam Timor.
Mas, ainda que eu entrasse no jogo de saber o que mais interessa à comunidade internacional, a resposta à questão seria sempre a do reconhecimento da Palestina.
Sabendo disso, Israel está a tomar medidas contra o processo de paz para atrapalhar o que é um processo de reconhecimento.
Agora que a UNESCO aceitou a Palestina como membro de pleno direito da Organização, imagine-se que os EUA e Israel ficaram irritados. Irritados, dizem que a UNESCO veio atrapalhar o (tão produtivo e imparcial) processo de paz.
Uma pessoa lê isto e pensa que Israel está a dizer que os reconhecidos vão começar a fazer loucuras, mas não, é Israel, para variar, que inicia um processo de retaliação, acelerando a construção de colonatos e cortando fundos à Autoridade Palestiana.
Vamos mesmo ter um discurso sério sobre os perigos para o “processo de paz”?
Vamos. Comecemos pela inconsequência de tanta amizade com um Estado que não reconhece as decisões soberanas dos outros ou de organizações internacionais vingando-se delas inflingindo sofrimento num povo.
Vamos. Vamos a isso.

5 thoughts on “Reconhecer a Palestina – diz que é mau para o processo de paz”

  1. A aceleração da construção de colonatos e o corte de fundos à Autoridade Palestiniana só parcialmente são uma retaliação. A entrada para a UNESCO funcionou principalmente como pretexto para a aceleração do processo de esbulho, que afinal de contas é o único processo que existe, pois o “de paz” tem servido apenas para lhe dar cobertura. Não que eles precisem muito de pretextos, pois se não lhos derem inventam-nos, mas são mestres a aproveitar tudo o que dá à costa. Conhece a anedota do empregado de mesa que deu um enxerto de porrada num cliente? Reza assim: algumas pessoas que estavam na esplanada de uma pastelaria viram o empregado aproximar-se de um dos clientes e, logo que este lhe disse o que queria, atirar-se a ele a murro e a pontapé. O cliente caiu redondo no chão e continuou a levar, espirrava sangue por todo o lado, já desmaiado, e os pontapés na cabeça só pararam quando um grupo de outros clientes agarrou o empregado.
    Perguntado sobre os motivos do massacre, respondeu: “Então não é que o gajo me pediu uma sandes de queijo com manteiga!” Abrem-se as bocas de espanto e o patrão, entretanto chegado, pergunta-lhe: “E qual é o problema de o cliente lhe pedir uma sandes de queijo com manteiga?” Responde o energúmeno: “Mas o senhor ainda pergunta? Tanto o queijo como a manteiga vêm do leite, o leite vem da vaca, a vaca é mulher do boi, é evidente que o gajo me estava a chamar cabrão!”
    Assim funcionam os ladrões de terras para aqueles lados: tudo lhes serve para armarem em vítimas e inventarem desculpas para continuar a vitimar os outros.
    O corte de fundos é um bónus, enquanto estiver nas mãos dos ladrões pode funcionar como fundo de maneio para mais umas sacanices.
    Quanto à “esperança” Obama, podemos continuar a esperar sentados… Ele sabe bem que, além das considerações eleitorais, se mijar umas pinguitas fora do penico sionista leva um balázio na testa e a culpa vai em menos de um fósforo para o Hamas, o Hezbollah… ou o Saif Al-Islam Kadhafi, se ainda estiver vivo (coisa muito pouco provável, diga-se).

  2. E pela mesma medida da sandes de pão com manteiga, Camacho, não tarda muito vais sair daqui com o habitual “anti-semita”. Espera um pouco, tem paciência.

    A melhor da Isabel Moreira : “espécie de campo de concentração”. Palmas.

  3. Pois bem: sou contra-semita. Não anti, que isso só mesmo “natura”. Aquilo bem é um povo, é um grupo de negociadores que se auto-intitula de “povo”. Brotaram como cogumelos fétidos, e agora (há uns tempos siónicos) querem uma pátria. Solução: dêem-lhes a Madeira. E depois venham-me falar da Palestina… a minha querida e saudosa Palestina!…

  4. há coisas que me dão, pela impotência, a volta à tripa.

    faço minhas as palavras de Edward Said, professor e intelectual Palestino radicado nos Estados Unidos, quando diz que o único argumento que pode ajudar um povo pobre fazer frente a esses projectos extremistas assumidos como únicos é o factor humano e cultural, onde a consciencialização individual e colectiva sobre o direito à vida e à autodeterminação pode proporcionar alguma mudança. apenas o aspecto moral pode enfrentar a guerra entre Israel e Palestina. militar e economicamente Israel está em desvantagem evidente e apenas a ‘imoralidade’ da ocupação Israelita na Palestina constitui argumento. não há outro caminho senão voltar a atenção da opinião pública para questões concretas que se apresentam no quotidiano do povo Palestino ainda sob ocupação. falar de humilhação nas barreiras das estradas, na demolição de casas, no confisco de terras, na apreensão do dia-a-dia que as pessoas vivem na palestina pós-Oslo. é disso que a comunicação social e os blogues e os padres e os artistas da música e das letras e da pintura e todos os que podem ser intervencionistas na sociedade, precisam de falar – e não apenas repetirem, desinformando, informação.

    além de dar total apoio à ocupação da Palestina por Israel, a política externa intervencionista dos estados unidos tem vindo a apoiar regimes tiranos em África e na Ásia, promovendo golpes na América Latina, invadindo países soberanos como Granada, apoiando mercenários oposicionistas na Nicarágua e em El Salvador, ou ainda minando a economia de países considerados hostis, como Cuba e Iraque, o que tem vindo a agravar a fome e a morte da população civil mais carente.

    no Médio Oriente, foi também assim quando um dia depois da assumir a presidência George W. Bush bombardeou desnecessariamente o Iraque de Saddam Hussein. entre 1980 e 1988, na guerra entre o Irão e o Iraque, os estados unidos alimentaram o até então aliado Saddam Hussein, resultando na morte de 200 mil iranianos. três anos depois o governo de Bush pai, liderou uma coligação militar contra o mesmo Iraque de Saddam Hussein na guerra do golfo, ocasionando a morte de, pelo menos, maioritariamente civis, 130 mil Iraquianos. vale a pena lembrar que nessa ocasião, parte da população americana também comemorou, enquanto outra pequena parte criticou, a guerra.

    mas não foi só no Médio Oriente que a política externa norte-americana provocou vítimas. o holocausto de Hiroxima e Nagasaki, que matou milhares de Japoneses inocentes, numa população civil em que predominavam crianças e mulheres, ou ainda o mais de um milhão de mortos na guerra do Vietname, da qual os Americanos não gostam de ser lembrados, já marcavam uma prática intervencionista criminosa dos Estados Unidos no contexto da guerra fria. só para lembrar ainda uma infeliz coincidência, foi também em 11 de Setembro (mas de 1973), que o governo norte-americano deu total apoio para o golpe militar no Chile, que depôs o governo eleito socialista de Salvador Allende, para implantação do terrorismo de estado – representado pela ditadura com componentes fascistas do general Augusto Pinochet. entre as décadas de 1970 e 1980, o governo Pinochet da pinocada provocou a morte sob tortura de milhares de cidadãos, inclusive norte-americanos, com conivência do próprio governo dos estados unidos.

    (só vejo, portanto, coerência nisso dos EUA retirarem o guito da UNESCO)

  5. Há certos tipos de post que não atraiem a atenção de muita gente. Este é um deles. Vou pôr-me a pensar uns bons três dias sobre isto a ver se descubro porquê.

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