OE: manobras de diversão

Esta semana o PM apresentou ao país um OE que não tem desculpa.
Uma vez que não tem desculpa, vem, tal como a direita nos habituou no passado, acompanhado de uma infame tentativa de justificação do mesmo num passado socrático, já se vê, um passado que deixou um buraco que Passos Coelho ilustrou com um número mentiroso.
Foi assim que começou a apresentação ao país de um OE que não tem desculpa; com um número que qualquer pessoa com acesso ao site do INE pode verificar ser uma ficção.
Estava, no entanto, dado o primeiro passo para o fôlego necessário para apresentar a receita para o desastre.
Não bastava, porém, um número mentiroso, a repetição da palavra “desvio”, a máquina e até a imprensa (a máquina) tinham montado mais fumo para tapar um OE que não tem desculpa: a ideia era responsabilizar os políticos do Governo anterior (deixando no ar a ambiguidade de uma responsabilização meramente política ou mesmo (mesmo!!) criminal). Houve declarações sobre esta nova caça às bruxas limitada no tempo, um CDS a dizer generoso que a responsabilização criminal “pode afastar gente da política”-
A patifaria não conhece limites. Esta gente acreditará realmente que as pessoas reais, afectadas por medidas sem precedentes, são burras?
Quem deve ser julgado politicamente, na sua legitimidade de exercício, é este Governo. O Governo que é Governo porque teve por monstruoso o PEC IV e aliou-se à extrema-esquerda para fazer melhor, afirmando, na sua campanha “nem mais um imposto”.
Quem deve ser julgado politicamente é o PM e todo o seu Governo, gente em exercício, gente que explicou aos portugueses o que era a Troika, a inevitabilidade da descida da TSU, e de repente o corte do subsídio de Natal – medida liminarmente rejeitada antes das eleições -, o corte do subsídio de férias, o aumento de impostos – não era só, se calhar, talvez, o IVA? – e a espectacular tentativa de equidade e aumento de produtividade que é aumentar em meia hora o horário dos trabalhadores por conta de outrem.
Quem deve ser julgado politicamente é Passos Coelho, que visto antes e depois das eleições parece politicamente bipolar, é hoje um homem apostado na morte da economia portuguesa, apoiado num Ministro das Finanças que gosta de “almofadas”, o que retira legitimidade, até constitucional, aos cortes salariais por falta de demonstração do requisito da estrita necessidade.
Bonito era 1 milhão de recursos para o TC. Talvez fosse muita a despesa em papel na Rua do Século.
Podem disfarçar, lançar números falsos, culpar Sócrates e esquecer Santana, Barroso, Cavaco, a Madeira, o BPN, como queiram, a verdade é que não conheço ninguém que não tenha alguém próximo a afundar-se.
A verdade é que o Passos Coelho já falou num “novo pacote” lá para 2013. Talvez ande a sonhar e bem com a Grécia.
É que sem explicação ele viu um poço e saltou.

5 thoughts on “OE: manobras de diversão”

  1. Se dermos uma breve passagem de olhos pela blogosfera liberal e pelos colunistas costumeiros, ao mesmo tempo que se branqueiam as campanhas de indignação (comparem a glorificação dos 120000 prof.s em Lisboa, a cobertura da manif dos indignados de 12 de Março com a de 15 de Outubro e do “clima de insegurança” no verão de 2009, 2010) as arrastadeiras que ficaram de fora da lista de assessores do poder abriram a caça ao funcionário público. Por isso o que me interessa saber é só isto: os titulares de cargos políticos (ministros, deputados, etc.) e a cambada que anda a arrastar os iPad.s e fazer powerpoints nos ministérios também vão levar no pelo em 2012 e 2013?

  2. “Quem deve ser julgado politicamente, na sua legitimidade de exercício, é este Governo. O Governo que é Governo porque teve por monstruoso o PEC IV e aliou-se à extrema-esquerda para fazer melhor, afirmando, na sua campanha “nem mais um imposto””…

    Estes são os factos:

    o PEC IV aprovado pelo que foi depois a troika, BCE, UE e FMI, e ainda pelas Sras Merkel e Sakorsy tem que ser contrastado com as medidas agora adotadas,

    e a sua diferença tem que ser imputadada aos fautores da desgraça, em particular á Presidencia, que de modo integrado deitaram abaixo o ultimo Governo.

    Digo eu…

  3. Apanha-se mais depressa um mentiroso que um coxo. Estes gajos vão ser apanhados. Se não forem, desisto dos meus compatriotas e quero mais é que fodam.

  4. Tem toda a razão. Mas o problema também está na (falta de) atitude do PS e na total ausência de solidariedade da actual direcção relativamente ao anterior Governo. Dir-se-ia que Seguro convive bem com esta repugnante cortina de mentiras e este clima de incitamento à caça às bruxas (só as de Sócrates, claro!), tudo muito bem orquestrado por uma comunicação social que, com honrosas excepções, cada vez assume mais ao que vem. Quem sabe, isto sucede porque Seguro terá consciência de que sem esta colossal vigarice, a verdade viria, mais tarde ou mais cedo, ao de cima e a imagem de Sócrates acabaria por ser reabilitada. Por isso, parece que também a Seguro aproveita este fartar vilanagem, julgando ele, porventura, que desta forma afasta de vez o espectro de Sócrates. A verdade é que tudo isto é extraordinariamente triste e preocupante, como o ilustra a recente intervenção de Emanuel Santos na RTP, onde, antes de desmontar as aldrabices com que Passos Coelho e companhia nos querem embalar, sentiu, sintomaticamente, a necessidade de afirmar a sua liberdade de expressão.

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