Notas no 1º debate quinzenal

A abrir o debate, bom para o PM que (ainda?) não esteja presente o seu parceiro de coligação, Paulo Portas.

O seu discurso é isso, só seu, todas as atenções nas suas palavras, está adquirida a lição do dia da apresentação do programa de governo: Paulo Portas é esmagador e faz de Passos o presidente do partido mais pequeno.

 Não se trata de concordar com Portas, trata-se de ter olhos na cara e de verificar que o homem é um desconforto para  o PSD. Não por acaso a diplomacia económica que o MNE queria, e bem, sob a sua tutela, ficou dividida em três.

Depois do imposto extraordinário que jamais seria criado e afinal foi criado e cuja explicação foi remetida para mais tarde, estamos hoje a olhar para um Governo que durante as eleições sabia ao cêntimo onde cortaria na despesa, mas que anuncia afinal um corte abstracto a explicar mais tarde, com umas festinhas à AR dando “alguns exemplos” que ilustram o tal corte da despesa: – “por exemplo, extinguimos este e aquele instituto”.

Apetece dizer: – temos rigor, seriedade e coerência.

Passos fica feliz porque o PS, naturalmente, quer cumprir o memorando de entendimento naquilo em que o mesmo é imperativo e quando o PS reserva-se o direito de apresentar as suas próprias propostas nos pontos em que o memorando é indicativo, Passos avisa – avisa – que espera que se os objectivos são os mesmos não venha agora o PS pôr-se com essa coisa chata que é divergir em políticas para alcançar os mesmos fins.

Como é que se chama essa coisa chata? Democracia, pois.

Tão igual a si própria, esta direita, não muda não consegue, fala mais baixo, diz umas palavras de protocolo para parecer mais carne e osso, mas é sempre Cavaco, é sempre Durão, é sempre o que sempre foi.

Passos de boa cara é quem põe os que recebem o RMG a trabalharem para o Estado, a escravatura disfarçada por menos de cem euros, o mesmo para os que recebem o subsídio de desemprego.

Passo a passo até à derrota final.

 

 

6 thoughts on “Notas no 1º debate quinzenal”

  1. «Não se trata de concordar com Portas, trata-se de ter olhos na cara e de verificar que o homem é um desconforto para o PSD»

    O homem é um desconforto para o PSD e para o país, assim como o são todos os restantes parlamentares; na verdade, os eleitores, os que votam, são os primeiros a causar desconforto ao país, já que adoram vestir roupa rota e remendada. A solução não se procura no que está viciado de inércia, de incompetência, de veneração ao «princípio de peter». Que interessa a eloquência e o treino do tribuno, se este nada origina para além do conhecido e não actua de acordo com a real necessidade do país? A crítica deve centrar-se no tema essencial e não no facto «deste ou aquele» ofuscarem aquela que aparentemente ordena.

  2. Isabel Moreira, eu tenho por costume acompenhar os debates da Assembleia, os de ontem e os de hoje. E peço desculpa se for impertinente, pois nesse caso perderia a razão antes de saber se a tenho~, mas parece-me, a mim que sou equidistante partidariamente mas NUNCA de direita, que o PS vive como um órfão que procura um pai que lhe ponha a comida na mesa. Veja lá, despois de um periodo em que o Sec. Geral dizia o que era bom ou mau, segundo um critério de govaenabilidade que amesquinhava p grupo parlamentar, e depois de assinar com uma arma nas costas e outra no peito o acordo coom a troika, o PS vai vivendo no seu processo de oposição a um governo ultra-liberal, ao ritmo da táctica de ocasião, sem uma estratégia clara e determinante das opções políticas a fazer por quem tem no exercicio do poder a melhor premissa. Entenderá a minha preplexidade perante alguns discuros de deputados do PS, que do meu ponto de vista têm bastas razões para contestarem as medidas propostas pelo governo actual, mas que ficam a descoberto dos contra-ataques das bancadas que apoiam quando os seus deputados vão fazem apelo aos seus registos da memória. A tarefa de quem quer é sempre mais dificil do que a tarefa de quem pode, e o PS, de momento, pode pouco. Porquê? Esta é uma resposta para a história.Obrigado, José Luis

  3. Muito fraquinho, de uma pobreza extrema. A começar pelos salamaleques, passando por uma condução de trabalhos deficiente tivemos de tudo um pouco.
    A modorra do discrurso do primeiro sentou-se paulatinamente no colo da oposição que repetiu até a exaustão argumentos um tanto repassados.
    Passos passou sobre brasas mornas, Seguro foi o que eu já pensava – monocórdico e sem a estaleca necessária do tribuno que se quer impor – o resto, foi o resto, mais do mesmo, com um bom puxão de orelhas ao desacerto da crítica da bancada socialista pela ausência do site, que já existindo, não é afinal o que se tinha prometido.
    Para recordar o levantar de voz da bancada do PSD por um triste que por lá anda e que não ousaria tal se outro lá estivesse sentado.
    Esperemos mais uns dias, pois o circo continua.

  4. tu segura bem isso, Isabel, que os dedos não se te podem esticar muito. podias ser anónima e assim já podias escrever à vontade sobre o novo boss. :-)

    (estou mais ou menos a brincar) :-)

  5. Se o Passos Coelho é um tribuno fraquinho, o Vítor Gaspar é o quê? Esforçado? O pedantismo do PSD concretizou-se em mais este governo: gente de renome académico ou empresarial, mas sem know-how político, que é o mesmo que dizer distante das pessoas e das suas necessidades (inclusivé de postura e oratória). Para quem não sabe, nada irrita mais o português do que a postura pedagógica: “há que explicar aos portugueses o porquê destes cortes”. Sim, Vítor, obrigado: ainda ninguém tinha percebido; aliás, ainda não tínhamos concordado, porque não tínhamos percebido. Mas só uma coisa: nós não somos seus alunos, e por isso altere pf a sua postura académica glaciar (do tempo da outra senhora), que isso nem é erótico, nem é eficaz, nem é decente. É só pedante. O Passos Coelho percebe tanto de política, como Manuela Ferreira Leite percebe de estudos LGBT e queer theory, e no entanto é o nosso primeiro-ministro. O povo da “4.ª classe de antigamente” manda. E pelos vistos, mal.

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