Estou cansada da preferência dada ao elogio às palavras inconsequentes à evidência da razão: “o Estado da Palestina”

Nunca vai acontecer estar tudo óptimo, tudo perfeito, sem divisões, Israel maravilhada, as relações entre os povos em questão um sonho, a certeza da paz incontestável. Nunca. Exigir isso, condicionar o reconhecimento de um Estado a um povo, de resto respeitando resoluções da AG da ONU, é política, entendende-se, mas passaram todas as décadas desde meados dos anos quarenta e não me parece aceitável que Portugal na posição de membro da AG e do CS da ONU não possa ter direito a uma opinião.
O exagero de elaborações dogmaticas em torno de Portugal reconhecer o Estado da Palestina, como se o céu nos fosse cair em cima da cabeça, é insuportável.
Querem uma posição comum da UE, essa entidade que se tem revelado dona de uma verdadeira política externa. Se seria bom? Sim, claro, e por isso votei a favor da proposta de resolução do PS que pede esforços nesse sentido e também o reconhecimento do Estado da Palestina, em segundo lugar.
Depois parece que se se ouve uma voz criticar os EUA acabou o diálgo, lá está o PCP, simplesmente às vezes a verdade é assim mesmo, e não deve doer ouvi-la do PCP.
Não ouvi um comunista dizer isto, mas sabemos todos que Israel é a defesa dos EUA contra o Irão. É difícil aos EUA tomar uma poisção firme, puramente baseada na verdade histórica, quando sabe que em seu nome, em caso de necesidade, Isreal lançaria uma bomba.
Volto ao inívio: Portugal não pode ter uma opinião? Espera pela Europa, oberva os EUA, pede que façam mais pazes com Israel? O mesmo país que gritou tanto pelo direito de Timor a ser um Estado independente?
Leiam o projecto de resolução do PCP, que mereceu o meu voto favorável, e respondam à pergunta: está aqui alguma coisa de errado, tirando o facto de – isto é opinativo – Jerusalém dever ser objecto de tratamento diferenciado?

“O povo palestino aguarda há décadas pela concretização do seu legítimo e inalienável direito a um Estado independente, soberano e viável. Desde 1947,com a Resolução 181, que a Assembleia Geral das Nações Unidas estabelece o princípio da existência de dois Estados – o da Palestina e o de Israel. Trata-se aliás de um princípio reafirmado por várias deliberações dos órgãos das Nações Unidas ao longo ao longo das mais de seis décadas que desde então decorreram. A questão Palestina foi também alvo de decisões do Tribunal Internacional de Justiça, de que é exemplo o pronunciamento em 2004 sobre o muro de separação, que Israel continua a não acatar.

Já em 1988 foi declarado pela OLP – Organização de Libertação da Palestina – o estabelecimento do Estado da Palestina, de acordo com as fronteiras anteriores a 1967, tal como reconhecido pelas deliberações das Nações Unidas. Posteriormente, em 1993, os acordos de Oslo e as consequentes Resoluções 242 e 338 do Conselho de Segurança, relançaram a esperança na concretização da justa aspiração do povo palestino à efectiva criação do seu Estado.

Mas apesar de ser clara a determinação à luz dos princípios da Carta das Nações Unidas, reflectidos nas diversas decisões sobre esta matéria, para a criação do Estado da Palestina, a realidade no território, é bem diferente. Efectivamente, ao longo das últimas décadas, a intervenção política económica e militar de Israel, suportada designadamente por sucessivas administrações dos Estados Unidos da América, procurou inviabilizar e impedir a sua real existência, submetendo o povo palestino às mais diversas formas de violência e opressão, que se prolongam até hoje.

Inúmeras acções militares com muitos milhares de vítimas, a construção sucessiva de colonatos (que duplicaram desde os acordos de Oslo) bem como a ocupação efectiva de território palestino, a limitação do acesso a recursos naturais e a actividades económicas, a destruição de infra-estruturas e equipamentos, a restrição da mobilidade da população, o bloqueio à Faixa de Gaza, a construção do muro de separação já referida, entre muitas outras acções, procuram inviabilizar de facto a existência de um Estado da Palestina livre, independente e viável e são responsáveis pelas dramáticas condições de sobrevivência a que ao longo destes anos foram submetidas as populações palestinas.

O movimento pelo reconhecimento do Estado da Palestina progride de forma assinalável no plano internacional. Mais de 100 países já reconheceram o Estado da Palestina e a sua legítima aspiração a ser membro de pleno direito das Nações Unidas. A matéria será apreciada em Setembro de 2011, pelo Conselho de Segurança e pela Assembleia Geral das Nações Unidas.

Portugal estará presente em ambos os órgãos, uma vez que detém neste momento o mandato de membro não permanente do Conselho de Segurança. Deverá por isso tomar posição em relação a esta importantes questão, cuja relevância não se cinge a um plano meramente simbólico ou de legitimidade em face do direito internacional, mas releva de efectiva importância política para a concretização de facto da já tão antiga aspiração do povo da Palestina.

A Constituição Portuguesa estabelece no seu artigo 7º que nas suas relações internacionais o Estado português se orienta, entre outros, pelos princípios do respeito pelos direitos dos povos, designadamente à autodeterminação à independência e ao desenvolvimento. A aplicação destes princípios à questão da Palestina exige que Portugal, seja no Conselho de Segurança, seja na Assembleia Geral das Nações Unidas, deve pronunciar-se no sentido do reconhecimento do Estado da Palestina como membro de pleno direito daquela organização.

Neste contexto e ao abrigo das disposições regimentais e constitucionais aplicáveis, a Assembleia da República recomenda ao Governo que:

1- Reconheça o Estado da Palestina, nas fronteiras anteriores a 1967 e incluindo Jerusalém Oriental, como membro de pleno direito das Nações Unidas.
2- Assuma essa posição no Conselho de Segurança e na Assembleia Geral das Nações Unidas.
3- Conduza a sua acção no plano das relações internacionais com vista à efectiva concretização de um Estado da Palestina independente e viável”.

9 thoughts on “Estou cansada da preferência dada ao elogio às palavras inconsequentes à evidência da razão: “o Estado da Palestina””

  1. Isabel,
    Se algum dia for criado o Estado da Palestina, este será manietado e incapaz de sobreviver em legitimidade democrática. A história recente nos tem dado provas da determinação do estado judaico de Israel em tomar para si a geografia outrossim comum a vários povos.
    Se houvesse viabilidade para os palestinos na direção de uma existencia digna de sua historia, falar-se-ia antes numa Federação com Jerusalém por capital.
    Entre as razoes pelas quais os EUA vetarão, enquanto for possível, a criação de um estado palestino, parece-me falsa, embora “cole”, a noção de que Israel é um estado “buffer” entre EUA e o Irã. Fosse esta a razão, e os EUA independentes, teriam mantido intacto para este fim o Iraque, ora já devidamente desmantelado.

  2. O grande problema chama-se «Der Iassin», o massacre da manhã do dia seguinte, a prova de que o estado israelita não aceitava a resolução da ONU. Por isso mataram o conde sueco.

  3. Ai Jasus, que esta senhora é tão progressista! Se calhar é por saber, pensar ou palpitar que os USA vão botar veto e que depois ninguém a poderá acusar de não se ter portado como uma verdadeira democrata amante dos povos e das dezenas de resoluções da Uene a ganhar bicho no cabaz de compras. Truque antigo. Sinal de liques. Piscadela de olho.

    E a ideia de que os USA é quem ordena os Israelitas é tão bolorenta quanto bafienta. O inverso é verdade. Quem não tem miolos para encaixar isso corre o risco de nunca vir a saber, porque a idade média da percepção da intriga política desceu recentemente para os 50 anos, e é preciso que o aspecto físico não esteja mau. Depois disso só o escorrega da incurabilidade.

  4. Cara Isabel,
    não vale a pena a malta berrar que o estado palestiniano tem direito a existir e que toda a gente abane a cabeça e o diga em privado, mas o pior é que a comunidade judaica é poderosa e movimenta milhões, estando a borrifar-se para o facto de começar uma guerra em qualquer altura, interesse ela a gregos ou a troianos.
    O nosso Passos, coitado, como Coelho que é, deixa-se estar sossegadito na lura a ver se os cães grandes passam e a tentar sair o menos mal possível sem arriscar melindrar os que nos protejem os costados.

  5. É uma questão de justiça e de bom senço plítico.Tanto direito têm os judeus como os paletinos a um território a uma Pátria, enquanto assim não for é tão justa luta destes, como foi a luta dos outros . Eu faria o mesmo.

  6. um post claro inodoro e insípido…predicados da velha água pura…por vezes sabe bem beber algo assim…sem sofismas baratos e gastos sem preconcebidos e torpes sem gaguejos adequados ao politicamente correcto nojento sem bandalheiras sem teorias conspirativas e mirabolantes sem merdas e mais merdas e outras lerdices mentais -como a coisa devia ser…ob. Isabel…cuidado não leia o blabla abaixo (onde aliás me…) é que tem todo o lixo que teve o cuidado de por fora…

  7. Mas os judeus têm direito a um território, a essa pátria materializada, PORQUÊ? Porque o sionismo diz que sim. Ah e tal, angola é nossa porque ontem um anjo me disse que sim. Ou melhor, porque antes de ser expulso, era. Que parvoíce! Tenho pena dos judeus que morreram no holocausto, mas não tenho pena dos que sobreviveram. Azar, é a vida, get real, move on! Vivam por aí, há muita terra, muita gente para extorquir – os judeus não têm feito outra coisa senão espalhar-se, qual diarreia humana. Um dia destes, descobrimos que afinal, a terra prometida, era mesmo o planeta Terra. Só que prontos, coitados, ninguém os tinha ouvido antes pelas sucessivas discriminações. Signifique isso o que significar… Para mim, os judeus são como pato com laranja: sabe bem um; e muito de vez em quando.

  8. Só não percebo uma coisa (tou a brincar): a verdadeira terra prometida é os E.U.A, onde vivem sem problemas, com exercício de poder pleno sem chatices de povos vizinhos a exigir o que lhes foi prometido. Afinal quantas terras prometidas são necessárias aos sionistas?

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