Estado: dá para não tomares conta de nós?

As notícias confirmam que o OE concretizou o sonho de Leal da Costa, o membro do Governo mais perigoso em termos de desfiguração do conceito de liberdade.

Leal da Costa tinha avisado que queria tomar conta de nós. Não gosta de “produtos nocivos”, como aqueles que levam “muito” açúcar ou sal, donde taxa-los mais para que o indivíduo aprenda à força a ser saudável.

Também os “cigarros” e o “fumo”, onde sabiamente inclui os cigarros eletrónicos, levam com uma taxa acrescida.

Neste último caso, sabendo – imagino – Leal da Costa – que não há fumo, mas vapor, que o mesmo vapor não tem quaisquer efeitos prejudiciais para terceiros, que desde 2008 até agora ficou demonstrado que nada sustenta efeitos negativos para os utilizadores (a não ser a tristeza de se deixar de fumar) a causa da punição fiscal só pode residir na ideia totalitária de que o Estado deve modelar os comportamentos dos cidadãos.

Esta ideia foi de resto ventilada pelo presidente da ordem dos médicos e não houve qualquer sobressalto cívico, nada, zero, perante a frase que nega a essência do estado de direito. Esta dita a frase contrária: “o Estado não pode modelar o comportamento dos cidadãos”.

Entre argumentos como “não dês esse exemplo, cidadão” e “não vaporizes ao pé dos outros porque chateia, mesmo não sendo fumo”, esquecem-se que isto da liberdade passa por uma dose de incómodo, pelo que o perfume infernal de uma colega não é juridicamente “incómodo relevante” para o Estado escolher o cheirinho de cada um. Também não me apetece, assim de repente, educar crianças alheias, mas sei que são estes e outros argumentos que se juntam num monstruoso não-conceito de liberdade para taxar e para proibir o que o Estado decide que é mau para mim.

O problema é sabermos onde isto acaba. Não posso ser viciada em açúcar ou sal ou nicotina (que nos cigarros eletrónicos é inofensiva).

E amanhã? Será que esta direita que não sabe o que é o indivíduo vai aderir a gente parecida por este mundo fora que já está a estudar os efeitos da “obesidade passiva” com vista a limitar (ai, o exemplo) os direitos dos gordos desagradáveis?

Sei que o caminho para a liberdade e o caminho para a abolição dela têm um ponto em comum: pequenos passos.

Isto não é irrelevante. Trata-se de saúde e de liberdade.

Imagino um Stuart MIll ou um Berlin às voltas no túmulo, este último que numa frase disse tudo: “libertar o homem de si próprio é menorizar o homem”.

29 thoughts on “Estado: dá para não tomares conta de nós?”

  1. oh minha, guive mi abreique, ninguém liga à ganza electrónica. por momentos pensei que estavas preocupada com o orças de 2015 conter dividendos para 2016.

  2. Isabelinha quiducha !Agora que o tiro ao Seguro já não vos ocupa a vossa fina energia criativa e a pujança intelectual, não arranjas pra i um tema que não cheire à mesma bafienta e dondoca prosápia ? Sei lá … no teu caso talvez a arte do salamaleque beato e da cor do verniz das unhas a condizer com o baton que o estado recomenda usar. Ou qualquer outra vacuidade que tenha dadoàa Costa! Questões nacionais decerto ao teu alcance e capacidades …

  3. Bravo Sincero!

    Tanto o SEAMS (Leal da Costa) como o Bastonário da OMS(JMS) são uns higieno-fascistas.
    O SEAMS já que gosta tanto de proibições podia proibir o stress e melhorar as condições de trabalho no SNS. Sempre evitava uns acidentes de trabalho e minorava o desgaste assim como a ocorrência de AVC e Enfartes do Miocárdio associados ao stress! Mas isso não dá mais dinheiro em impostos…

  4. … sempre podes perorar e cacarejar sobre os abraços e profundidade ( serão certeiros recados ??? ) das doutas insinuações que o iluminado avozinho Marocas profere sobre a justiça e sobre a honestidade torpemente maculada do chérie ami ISALTINO …

  5. Viva,
    Sem querer tecer qualquer tipo de consideração política, devo no entanto referir que a nicotina tem efeitos vasoconstritores no organismo humano. Em pessoas com avançada doença ateroesclerótica, essa vasoconstrição pode ser suficiente para comprometer a irrigação de um pé ou outra parte do corpo, levando ao seu compromisso vascular, seguido de isquémia (morte tecidular). Noutras pessoas parece acelerar a progressão da doença.
    É errado dizer que a nicotina não tem qualquer efeito na pessoa que a inala. Se não tivesse, não viciava.
    Pode argumentar-se que o risco de algumas doenças, como cancro, diminui. Ou que os riscos de inalação passiva diminuem muito. Mas a nicotina está longe de ser uma substância inócua.
    Cumprimentos.

  6. nicotina,estou consigo.sei o que passei enquanto fumador.hoje sou um homem mais saudavel.reconheço que a uma minoria o tabaco parece nada os atacar. tenho um amigo cujo avô já de 90 anos, e fumador,quando via uma mulher boa dizia para o neto: miro quem me dera ter 80anos!

  7. vitor jorge,da maneira que tratas as senhoras,dá-me a impressaõ que estás a pedir que te vão ao charlie uniforme! és um traumatizado.não perdoas a mario soares o ter antecipado a morte do vosso socialismo.deixa o senhor morrer em paz pois bem merece!

  8. Uma socialista a queixar-se da intervenção do estado na sua vida… só pode ser para os apanhados! :D

    Não me interpretem mal, eu também sou vaper e isto mete-me fastio, mas também me mete fastio não poder escolher a escola e os professores das minhas filhas, nem o meu médico, se quero ou não ter acesso à segurança social (e consequentemente pagá-la por inteiro), e por aí fora.

    Coerênciazinha…

  9. De facto, é com cada atrasado mental a comentar, que até aflige. Alguém explica ao Marco que ele PODE escolher a escola e os professores da sua filha, como PODE escolher o médico que quiser, e PODE ainda não recorrer à segurança social (mas não furtar-se a pagar). Alias, até pode não pagar a segurança social : a livre circulação existe, ele que va morar para um pais onde não haja ss obrigatoria…

    Quanto às reacções alarves e machistas (independentemente da substância do post, com a qual é perfeitamente possivel estar em desacordo, é o meu caso alias), o nunocm ja disse o que havia a dizer.

  10. O argumento do “não interessa” é tão elaborado quanto dizer que podemos escolher não levar um tiro quando alguém nos aponta uma arma à cabeça. Poder, podemos, levamos é quer queiramos quer não.

    Só os abrangidos pela ADSE podem escolher o prestador, só quem tem dinheiro para pagar uma escola privada pode escolher a sua escola, e ainda assim está limitado às 3 escolas da área de residência ou trabalho caso queira escolher uma pública.

    Por fim, a Isabel Moreira deveria fazer uma profunda introspecção e pensar se o que aqui escreveu não deveria aplicar-se a quase tudo o que diz respeito ao indivíduo. Ou isto da liberdade é só para fumar uns carolos?

  11. Afinal, vai-se a ver, e não somos livres de escolher os bens e os serviços que pagamos. Apenas o seriamos se eles fossem gratuitos, ou pagos pela colectividade (mas não por mim).

    Não é so a Isabel Moreira que é socialista, é a propria realidade. Alias : o comentador acima é livre de escrever coisas inteligentes ? Mesmo pagando ? Desconfio que não é.

    Estamos tramados e entregues aos bichos, comunistas ainda por cima.

    Foda-se !

  12. Claro que nao e irrelevante, como nada do que tenho visto merecer a atencao da Isabel o e.
    Eu que por declaracao de interesses devo dizer que nao fumo e nem aprecio especialmente que o facam ao pe de mim, acho de um totalitarismo inaceitavel pretender o estado promover ou impor, da no mesmo, que eu seja um individuo mais ou menos sao. Dai a dizer que bom seria andarmos todos vestidos de amarelo vai de facto um pequeno passo.
    Faz lembrar as casas supostamente tipicamente portuguesas, do estado novo – independentemente do reconhecido merito de grandes referencias como Raul Lino.
    Mas afinal quem -alguem?-tem autoridade para definir o que deve ou nao ser entendido por uma casa tipicamente portuguesa? E isso valera para sempre ou devera ser actualizado de tempos a tempos e por quem? Pelo pai estado, sem duvida.
    Esta tudo mal, do estado espera-se ou seria suposto esperar – uma funcao natural de esclarecimento, sempre a par, em cada momento e assunto, da promocao da livre escolha e desenvolvimento especifico de cada individuo. Tudo o mais e a mais e e imiscuir-se onde nao deve – pelo menos, ao que julgo, num que se repute de democratico.
    Em perigo, pois, os gordos, os magros, feiosos, tristes, deprimidos, obsessivos, ansiosos ou demasiado optimistas, seja la o que por tanto possa ser entendido, por quem ou por que margem de maioria e em que momento.
    Bem haja, pois, Isabel, por mais esta chamada de atencao.

  13. A política de redução de danos que se lixe. A diminuição do imposto sobre o tabaco é uma ameaça para qualquer governo, assim, há que ir procurar a receita a qualquer custo, nem que seja à custa da saúde dos consumidores, ao contrário do que foi dito pela ministra.

    Os fumadores devem ser dos poucos grupos que pagam bem pago e antecipadamente, os gastos que o governo eventualmente venha a ter com a sua provável doença. Há que manter a torneira a correr. Morram, mas deixem cá o dinheiro.

  14. Trata-se de uma maneira de o fisco cobrar um imposto desmesurado, que viola o princípio da proporcionalidade pois ultrapassa largamente o valor da mercadoria em que incide. Esse é, de facto, uma taxa cobrada ao privilégio de traficar uma droga legalizada. No Ocidente, os arautos desta hipocrisia legal sabem perfeitamente que muitas das pessoas que estão viciadas desde a adolescência não se conseguem libertar do vício. Até as alternativas que levam a menor consumo, ou ao consumo de um produto menos nocivo, vão ser taxadas como se fossem cigarros industrialmente produzidos (que são a forma mais nociva de tabagismo, pois permitem fumar enormes quantidades de tabaco por dia).

    Como disse, o imposto apenas serve para o Estado receber uma parte importante dos lucros do tráfico legalizado de uma droga. Acho que deviam dizer a verdade. Justificar leis com a mentira destrói o vínculo de confiança entre o cidadão e o Estado; no limite, isso destrói o próprio conceito de Estado de Direito.

  15. Porque tens tantos “inimigos”, Isabel?
    O assunto é inócuo, como bem sabes.
    Cá por cima continua a chover e a nossa inquietude são as ovelhinhas.
    bac

  16. Fumo imenso porque gosto, sem pudor ou constrangimentos, como em tudo o demais. E, de vez em quando, com a minha saúde me preocupo. Asssunto meu, porém, Confessso que não percebo a celeuma. Basismo o meu, talvez…
    bac

  17. Igntz, seja lá o que iso for. Venha daí que cá se aguenta. Susceptivel, como os corsos (Asterix, recomendo-te)

  18. Ó Ignatz ou seja lá o que isso for. Para acabar. Nós, cá de cima, não estamos habituados a tratar as pessoas pela cor cor do cabelo ou da tez, ao contrário do que julgam. Não ficamos ofendidos. Mas não gostamos. Gostamos do que vemos e lemos. Sempre assim foi e será, espero.
    Abraços
    bac

  19. Desculpa-me Isabel Este Ignatz irrita-me,
    Mistura o francesismo brunette e o anglófono impulse. Um pretensioso, a final.

    Estou cansado desta gentinha, Mal o meu que te encontrei.

    B B

  20. “… tratar as pessoas pela cor cor do cabelo ou da tez…”

    oh abraços bac! não é cor, é cheiro a desodorizante barato e sovaquinho. se fechares as asas gastas menos roll on e poupas-nos o odor.

  21. Escrita vulgar, pobre, e desnessariamente ofensiva, esta, Para isto, não sirvo, definitivamente.
    Mas é o que temos, infelizmente. Triste experiência a minha.
    Abra
    ços à mesma,
    bac

  22. Mas se quiseres, e souberes, falar de política a sério, escreve.

    Não ressabio, ao insulto fácil nos artculados,

    Acostumado que estou a contestações, réplicas e, noutros tempos, tréplicas,

    bac

  23. Para a pessoa do “Nicotina a quanto me obrigas”, fique a saber que quem usa o electrónico, está a absorver muito menos nicotina que num cigarro convencional, e já agora, fique também a saber que quem usa o cigarro electrónico da maneira adequada acaba por usar quase sem nicotina nenhuma (como eu, a 0,3%). O vicio é diferente, é como ser viciado em chocolate..só que muito chocolate causa diabetes, aqui não causa nada..

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