18 thoughts on “Egipto sem paralelo”

  1. Muito bem escrito. Concordo. É de esperar tudo, até resultados diferentes em países diferentes. Mas, como ele diz, a semente está lançada; só que falta um longo caminho até ao parto…
    E obrigada por ter aqui posto este artigo.

  2. Val, obrigado por apresentar este artigo que faz uma análise sucinta, mas indicando os pontos essenciais “das revoluções” a que assistimos ao longo do séc.xx. Todas tiveram um fio condutor, transpirando para o exterior o que queriam e como o queriam.

    Finalmente leio uma análise que me parece correta, em que o autor se interroga o que querem os revoltosos no Egito. É que esta explosão contra o regime, não apresentou – pelo menos até agora – um mínimo de principios aos quais quer aceder para criar uma alternativa de poder instituido, assegurando a existência de um Estado de Direito democrático

    Mas a mesma pergunta serve para a Tunisia e para a Libia.

  3. Agradeço a chamada de atenção…e peço expressamente desculpa à Isabel Moreira. A verdade é que fiquei muito entusiasmada com o artigo.

  4. Nada como a opinião de um “dandy” do jornalismo, como Christopher Hitchens na Vanity Fair (chique!), para sossegar as boas almas europeias que não acreditam na “revolta árabe”. Mas, porque raio é que a revolta árabe devia ter as mesmas características da revolução portuguesa ou outros movimentos sociais exemplificados por Hitchens? Por acaso, alguém se deu ao trabalho de comparar as revoltas no Magreb e no Médio Oriente, com recentes revoltas noutras zonas do Mundo? Independentemente do que vier a acontecer (e ninguém no seu perfeito juízo o sabe!) as revoltas árabes são já o mais importante movimento emancipatório do pós-guerra. Onde é que populações desarmadas conseguiram, após dias de heróica resistência e de forma pacífica, derrubar sucessivos regimes ditatoriais e prosseguir com as suas reivindicações, por sociedades mais democráticas, que estão a abalar todo o mundo árabe. Onde?
    Não sei o que falta a Hitchens (cheio de “cicatrizes” revolucionárias coleccionadas por esse Mundo fora) para “certificar” tais movimentos. Talvez ser enrabado por um tuareg, a última experiência de um pretencioso “dandy” nas areias do deserto. Tenham juízo.

  5. Se acontecer que aos sucessivos regimes ditatoriais se sucedam outros ainda piores por falta de alternativas concretas para tomar o poder manténs a tua posição, Rui?

  6. Shark,
    Esse argumento não cola, por uma simples razão: são as populações locais que estão a fazer o seu percurso. Não sei se mal, se bem (quem sou eu para julgar os tunisinos, os egípcios ou os líbios?). O que eu sei é que esta é a via que eles escolheram. Isso, basta-me. Não sei o que vem a seguir (quem sabe?), mas sei que nada será igual depois desta experiência (ganha-se mais consciência política num processo de revolta, do que em anos de amorfismo e apatia). Se os magrebinos, ou os árabes, “falharem”, será a sua escolha e não dos Christophers de serviço. Estou farto do paternalismo ocidental sobre as capacidades dos povos de outros continentes serem, ou não, capazes de fazerem uma revolução. Não há revoluções puras (que disparate!) e muito menos segundo a receita anglo-saxónica. Por acaso, alguém se preocupou com o Khadafi ou outros títeres semelhantes, durante as dezenas de anos em que eles espoliaram e reprimiram as populações locais? Não, iam todos beber chá à tenda e ver danças do ventre enquanto faziam negócios. Agora, é tarde. “Habituem-se”, como dizia o outro…

  7. Rui Mota: Mas, assim como não achas que o ocidente deva intervir agora para impor a sua orientação, presumo que também concordes que não deveria ter intervindo para tirar de lá o Khadafi, não? E uma vez que não seria legítimo fazer isso, estava o ocidente interdito de estabelecer relações comerciais com a Líbia? Explica, por favor com mais quem.

    Além disso, não achas que a via (positiva) a seguir por estes movimentos de revolta só pode ser uma? A da democracia e da aceitação do jogo democrático? Ou admites que, se por alguma razão, alguns desses países passarem a viver sob a ditadura de um regime fundamentalista, também está bem, aceitas, ficas contente: foi o que o povo escolheu?

    Justamente por não se saber o desfecho – tu próprio dizes “Independentemente do que vier a acontecer (e ninguém no seu perfeito juízo o sabe!) ” – e por percebermos (inclusivamente através de análises comparativas) por que razão não podemos saber a direcção que estas revoltas vão tomar é que Hitchens lucidamente escreveu este artigo!

  8. Penépole;
    O que o “ocidente” devia ter feito (para ter alguma moral nesta história) era não fazer negócios com um facínora que, depois dos atentados à bomba cometidos contra civis ocidentais inocentes, foi “recuperado” pelos ocidentais Bush, Blair, Sócrates e quejandos, porque necessitavam do seu petróleo.
    Não sei se vêm aí os fundamentalistas islâmicos. Espero bem que não. Mas, se vierem e for a escolha dos povos que agora estão a lutar para se libertarem dos seus ditadores, será a sua escolha. Ou o “nosso sacana” é melhor do que o “sacana inimigo”? Não serão ambos sacanas?
    Essa dupla moral é uma chatisse, porque assim há sempre desculpas para os filhos da puta. É uma pena, mas um filho da puta é um filho da puta, é um filho da puta. Ou não será assim?
    Outra questão é o modelo de democracia “positivo”. Positivo? Segundo que padrões? Os nossos? Mas, porquê? Alguém nos passou certidão de qualidade? Quem? Explica lá isso, ó Penépole, que estou curioso. Talvez percebas mais de democracias que os árabes, quem sabe…olha, eu vivi 30 anos numa democracia avançada (a Holanda) e Portugal para mim é muito pouco democrático. Estás a ver? Tudo é relativo…
    O Hitchens é um pretencioso que se passeia de “revolução” em “revolução” com um “revolucionómetro” na mão medir a “pureza” das revoltas. Mas, qual é o bom modelo, afinal? O da Revolução de Abril? Mas, a “Revolução de Abril” foi um golpe de estado militar (para o poder não cair na rua, lembras-te?) que começou por uma reivindicação corporativa. Onde é que estavam os “revolucionários”? Foram as pessoas na rua que levaram o MFA a prosseguir as reformas democráticas, pois de outro modo tinhamos ficado com o Spínola, que era o que o Marcelo queria.
    Porque é que não vais ler o Robert Fisk (The Independent) um jornalista que vive no Médio-Oriente (em Beirute) há mais de vinte anos e sabe do que fala? Isso é que era uma boa contribuição para a discussão. Não era a visão ocidental dos factos.
    Deve ser por isso que o Soares, o Vitorino e o Cravinho foram a Tunis explicar a democracia aos tunisinos. O etnocentrismo do avental não tem vergonha.

  9. Crístafa who? “Lúcido”? São doidas estas senhoras, ou é do bagaço? Então o homem andou três dias de caganeira quando se tornou oficial que não havia armas de maciça coisa assim, caiu-lhe o beição e tudo, teoria de que ele foi, ao tempo, um dos grandes defensores na dolárica pornográfica magasínica, aquando da invasão, com destruição, do Irraque! Tenham juízo ladies! No xupaxupa pra ninguém…

    Há sempre alguém, macho, que salva estas coisas. Desta vez foi o Mota. Give me five, man…

  10. Eu não argumentei, Rui, fiz-te uma pergunta directa e sem juízos implícitos. Ora lê lá com mais calma e atenção…
    Ninguém pode erguer o estandarte da razão nesta sucessão de erros e de abusos e de consequências foleiras que a História regista. Se não admites o paternalismo ocidental sobre esses povos, o mesmo raciocínio lógico impede-te de responsabilizar o Ocidente pela situação actual de qualquer nação do planeta.
    Nota que não estou a colocar-me “contra” ti, mas apenas a questionar (se calhar para medir a sua validade) a tua posição na matéria.
    E isso nada tem de hostil, méne.

    (Se não fosse um viciado em Portugal, Holanda teria sido uma das minhas opções não fora o clima. Acabei por me ficar pela Bélgica, que é um híbrido sem gracinha nenhuma…)
    :)

  11. Rui Mota: Interpretei mal, ou conheces várias formas de democracia? Sou toda ouvidos.
    Ou conheces formas de governo positivas e garantes da liberdade e do Estado de direito, não sendo democracias? Continuo a ser toda ouvidos.

  12. Penépole,
    Estás a confundir os conceitos; democracia (o poder exercido pelo povo) e democracia burguesa (o poder de um estrato social em nome do povo). Até uma tribo de bosquimanos é mais democrática. Estás a perceber a diferença?

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