E de repente a inversão do significado do Estado

Já foi quase tudo dito sobre a soberania absoluta auto-investida de Passos aquando do seu ataque ao TC em modo de pergunta aos 900 mil desempregados. Nessa pergunta, Passos passou a fronteira do não reconhecimento da qualidade de cidadãos aos desempregados que vêm  falhada uma “política de pleno  emprego”, esse objetivo nas mãos do Governo – imagine-se, nos termos da “inútil” CRP.

Passos passou uma fronteira que há muito não é mencionada a não ser em livros de estudo do fenómeno político.

É que se temos a sorte de sabermos que o Estado faz parte da nossa circunstância e que existe para nos servir, princípio essencial do personalismo que norteia a CRP, temos a surpresa chocante de o PM entender que fazemos parte da circunstância do Estado e  que existimos para servir os propósitos de quem está no aparelho de poder.

Em 2013, com a nossa CRP, Coelho revela um despudorado transpersonalismo (mesmo que desconheça a expressão, claro).

É um homem perigoso.

3 thoughts on “E de repente a inversão do significado do Estado”

  1. Só falta dizer «o Estado sou eu!» mas é o problema desde o princípio: passos perdidos. E houve quem votasse nisto…

  2. Isabel, eu não me parece que o perigo seja ele, eu acho que ele não pensa pela cabeça dele, limita-se a executar as ordens que vêm desse bando de incompetentes da troika, o Dr Soares nisso tinha toda a razão, os tipos da troika que andam por essa Europa fora a fazer disparates, não passam de um bando de funcionários de terceiras categorias. O perigo é a Merkel que mesmo perante a tragédia em que se está a tornar a vida para milhões de Europeus continua a dizer que tem é que se impor mais austeridade nos países em dificuldade, o perigo é que há muitos Países na Europa que estão a ganhar verdadeiras fortunas com a nossa divída, o perigo são as agências de rating para quem manter os ratings em baixo lhes permite irem investir o dinheiro deles nessa mesma divída ganhando juros altissímos, eles são juízes em causa própria, isso é uma coisa espantosa que eu não vejo ninguém a referir.
    Há muitos problemas que são exclusivamente nossos mas o do desemprego é um problema da Europa, tem a ver com o modelo económico das empresas e com a ganância por cada vez maiores lucros, tem a ver com a máquina sorvedora de dinheiro que a Europa se transformou, para as empresas e para as pessoas, as exigências e os impostos, a todos os níveis na Europa, tranformou-se de tal maneira que as empresas deslocalisam-se para África, Ásia , Indía, onde a mão de obra é quase escrava, onde não há exigências ambientais, onde os impostos são bastante mais baixos. Há um claro “aburguesamento” da Europa que está a transfomar a Europa perigosamente.

  3. eu penso que ele quererá mais uma carta mãe supranacional, mais conveniente, com costas mais largas e quentinhas. não concordo muito com o transpersonalismo, a expressão utilizada, apesar de perceber claramente o contexto.

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