Do ataque reles

Foi notícia o que não é notícia, mas argúcia na busca de pretextos para denegrir pessoas, pelo caminho passando um atestado médico à liberdade de expressão. Vou ser rápida. Há anos que venho defendendo que a liberdade de expressão está sujeita a uma silenciosa e insidiosa estratégia de ataque. Não se pode dizer nada que permita a um idiota fazer do nosso verbo um veneno calunioso. É insuportável.

Há dias surgiu a notícia de que “ a universidade política da JSD ficou marcada por brincadeira de Teresa Leal Coelho”. Isto porque a deputada, quando apresentou o seu colega de bancada e amigo, Professor Paulo Mota Pinto, após explicar o seu notável percurso profissional e académico, disse que o Professor só tinha uma “mancha” no seu CV: ter sido juiz do TC. Naturalmente no ambiente em causa, toda a gente se riu, como eu teria rido, de uma piada irónica que não consubstancia qualquer ataque ao TC.

Pelo contrário, precisamente por estarmos a viver um ambiente, que alguns alimentam, de verdadeiro ataque ao TC, a piada de Teresa Leal Coelho, quando se dirige a um colega que admira e que foi juiz daquele tribunal, é uma ironia que realça a dignidade do órgão de soberania que defende o cumprimento da CRP. É o tipo de postura descontraída banal naquele e em qualquer ambiente, mas especialmente naquele.

Calha que não estava ninguém a filmar. É por isso que não há imagens na TV da graça inteligente de Teresa Leal Coelho. Mas de repente lá se liga uma câmara e pede “explicações” à “pensava-que-te-safavas”.

Podem alguns dizer que isto não tem importância. Mas tem. Muita. Todos temos de falar com os limites comuns da liberdade expressão e não com um aparelho eletrónico na cabeça que vá dizendo “ironia” ou “humor” ou “metáfora” em cores berrantes, não porque as pessoas sejam acéfalas, mas porque lhes pode dar jeito fingir que o são para fazer de uma palavra livre, normal e inteligente, uma inversão para o “caso do dia”.

Merecemos mais.

 

19 thoughts on “Do ataque reles”

  1. E o facto da bestunta em causa ter sido Vice-Presidente do Benfica com o “impoluto”Vale e Azevedo,não significa nada para os anormais dos jotas?

  2. se eu disser que só tens uma mancha no teu cv: defender os direitos da paneleiragem, tou mêmo a ver o auditório a rir, o maralhal a bater palmas e a pedir encore. era mais útil para a democracia ires dar banho ao cão que andares a defender o indefensável, sabe-se lá porque motivos.

  3. Isabel, a um político pede-se que tenha tento na língua e que pense antes de falar. Por isso é que faz política, não se lhe exigindo capacidades especiais para a prática desportiva, a pesca do bacalhau, o desenvolvimento científico, ou a cultura do tomate.
    No momento que estamos a atravessar em que os ataques ao TC por parte da coligação no poder são, infelizmente, demasiadas, usar a ‘ironia’ para se referir àquele órgão de soberania e ainda por cima em ambiente que lhe é hostil deverá ser considerado um erro grave por várias razões.
    A primeira é que ninguém é obrigado a conhecer as piadas privadas entre os intervenientes, a segunda é que a ‘ironia’ parece não ter sido entendida pela audiência, finalmente a prudência e reserva parece terem sido esquecidas por alguém que tem mais do que a escolaridade obrigatória e se senta na AR.
    A não ser que se entenda que a partir de agora poderemos ironizar sobre os agressores a mulheres chamando-lhes ‘combatentes pelo género’, aos homofóbicos ‘conservadores dos costumes’, aos corruptos ‘facilitadores empenhados’ e por aí fora.
    Desta vez Isabel, é preciso dizer ‘chega’.

  4. Tem razão, Isabel. Merecemos mais do que a porcaria de comunicação social que temos, que enfatiza ao infinito cada tropeção ou cada gaffe sem importância, enquanto é de uma bondade extrema para com a gatunagem que nos governa. Mas eu posso dizer isto usando estes termos. A Isabel também pode falar assim se quiser, mas se calhar é melhor não o fazer, se preza a sua imagem pública. Tendo em conta a porcaria de comunicação social que temos. Tendo em conta que há por aí muito cretino que nem entende uma ironia ou então não quer entender. O meio também é a mensagem, como sabemos.

  5. “… a porcaria de comunicação social que temos, que enfatiza ao infinito cada tropeção ou cada gaffe sem importância…”

    não foi neste caso, basta uma googlagem matinal com o nome da vice-presidenta coelha para verificar que a enfatização ao infinito tem perna curta e resume-se a 2´30″ na sicnot onde dão mais enfoque às mamas da gaja e ao corte de fato, tipo armando, do manchado especialista em macro-direito, que nem sequer foi perguntado sobre a dita ironia. na realidade há por aqui duas cretinas que em vez de defenderem o tc, preferem a defesa duma burgessa direitola alegando uma ironia de fino recorte, logo não acessível aos parolos de gauche.

  6. O assunto é importante (basta ler alguns posts dos seus colegas de blogue…) e o “merecemos mais” é de aplaudir, mas eu começaria por exigir “mais”… clareza por parte da Isabel Moreira !

    Com efeito, apos varias leituras do post, continuo hesitante entre duas interpretações, que me parecem igualmente possiveis, embora de consequências diametralmente opostas :

    1. A Isabel Moreira esta a dizer que é insuportavel estarmos à mercê de uma comunicação social pronta a descontextualizar, a fulanizar, etc., em detrimento da qualidade da informação, so porque isto chama a atenção e faz vender papel (ou ler paginas na Internet) ? Concordo, mas não vejo outro remédio do que exercermos o nosso sentido critico e exigirmos maior rigor jornalistico por parte de quem pretende fazer jornalismo. Neste caso, a ma informação combate-se simplesmente com boa informação, que dê os elementos de contexto lembrados no post, etc….

    2. Ou então a Isabel Moreira esta a dizer que, dada a possibilidade de alguém interpretar mal, ou desvirtuar a mensagem, devemos calar-nos, deixar de ironizar, etc. E’ que isso ja me parece muito mais perigoso. A liberdade de expressão assenta na crença de que cada um de nos tem, dentro da caixa craniana, um orgão que lhe permite exercer discernimento e compreender o que é dito, se necessario, e razoavel, com o devido desconto. Num mundo em que baixassemos os braços e aceitassemos como normal que o conteudo de uma mensagem seja reduzido àquilo que é lido por acéfalos, deixaria completamente de haver espaço para a liberdade de expressão…

    Tal como a liberdade de ser estupido, a liberdade de fazer mau jornalismo deve ser total, porque fazer mau jornalismo (como ser estupido) não deve, nem pode, aproveitar a ninguém…

    Boas

  7. O ignatz, mundialmente conhecido pela sua inteligência e distinção, também pode ajudar a responder à pergunta : com este post, a Isabel Moreira quer dizer 1, ou quer dizer 2 ?

    Boas

  8. oh viegas! o melhor é perguntares à autora da peça, ainda vamos todos descobrir que afinal o poste da isabel é irónico e que queria dizer o contrário, mas que tu, estúpido e eu, inteligente e distinto não percebemos. podes pôr um xis ò fazer uma tripla… ò mesmo ir pró caralho.

  9. “Não se pode dizer nada que permita a um idiota fazer do nosso verbo um veneno calunioso. É insuportável.”

    já para não falar do cheiro a suor e do hálito desta gentalha. o adolfo ainda tentou, mas os cabrões dos amaricanos estragaram o projecto.

    “Naturalmente no ambiente em causa, toda a gente se riu, como eu teria rido, de uma piada irónica que não consubstancia qualquer ataque ao TC.”

    até eu me estou a rir, mazé do encaralhamento do careca, que ficou caladinho e engoliu a piadola inteligente com sabor a mancha, é sempre bom ter amigos que decidem inconstitucionalidades enquanto administrador da zon.

    “É o tipo de postura descontraída banal naquele e em qualquer ambiente, mas especialmente naquele.”

    uih… uih! a jotalhada é danada para a brincadeira

    oh viegas! explica aí a quem é que a isabel quer agradar com este frete:

    1 – ao professor paulo pota pinto, notável profissional e académico
    2 – à graça inteligente de teresa leal coelho, a das cenas co-adopção
    3 – ao tribunal constitucional, por admiração ao cv chefe assunção

  10. épá, então a deputada não pode brincar com o seu Mota PInto filho e o nosso Constitucional? e não se pode divulgar a graça da menina deputada na tv? ora essa! querem voltar ao politikamente correto da ditadura? bem parece que não sabem para que serve a liberdade de expressão!
    FASCISMO NUNCA MAIS, ingratos hipócritas!

    até tu, ignatzzzzzzzz…

  11. O problema é que não houve ironia nem brincadeirinha nenhuma.
    O que houve foi a fuga da boquinha da senhora para a verdade. Ora uma pessoa na posição politica em que a senhora está não se pode dar ao luxo de fazer brincadeirinhas com o que pensa do tribunal constitucional.
    Não é a toa que se pede por exemplo ao presidente uma certa gravitas no exercicio do cargo, que o imbecil não têm.
    As palavras ditas irreflectidamente também podem manchar o exercicio de cargos publicos. Alguém com o QI necessário e a capacidade de avaliar a situação politica actual nunca faria a brincadeirinha que a senhora fez, por uma questão de inteligencia e respeito para com os orgãos de soberania. Vir dizer que foi só uma brincadeira consegue ser pior do que ficar calada.

    Por outro lado, ainda bem que a senhora disse o que disse. Ficamos a saber de que matéria é realmente feita. Quem for inteligente perceberá que não têm a solidez nem o carácter que a função que ocupa exige.

  12. quanto mais confusão naquelas bandas melhor.helena coelho,como foi secretaria de vale e azevedo ,ficou a saber muito bem como se fazem as tramas!

  13. enapá, tanta gente a querer dar lições de ética… no aspirina!

    e depois, se não foi humor, qual é o problema da deputada se expressar, junto dos seus, sobre um órgão de soberania? o presidente da República tb é um órgão de soberania e, no entanto, é abertamente criticado por muitos, agentes políticos e outros… tb este não está acima da crítica.

    quanto à tv, a senhora deputada não gosta de aparecer e de opinar, muito séria? pois então, agora, a tv deu-lhe uma oportunidade de mostrar a sua graça. devia estar agradecida por isso.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.